Juros altos restringem acesso ao crédito e reduzem competitividade industrial, aponta CNI
Pesquisa mostra que, entre fevereiro e julho de 2025, mais da metade das empresas evitaram contratar crédito de longo prazo, enquanto 49% também deixaram de buscar operações de curto ou médio prazo
Os empresários da indústria apontam os juros elevados como o principal entrave para acessar crédito. A constatação é referente à Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito em 2025, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).
De acordo com a pesquisa, ao buscar um financiamento de curto ou médio prazo, as empresas identificaram três dificuldades:
80% assinalaram os juros elevados como o maior empecilho;
32% destacaram as exigências de garantias reais, como bens móveis ou imóveis; e
17% sinalizaram a falta de linhas de crédito adequadas à necessidade das empresas.
A percepção é semelhante no crédito de longo prazo (acima de cinco anos):
71% mencionaram os juros altos;
31% exigência de garantias reais; e
17% falta de linhas adequadas às necessidades das empresas.
Segundo a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, os resultados refletem o patamar da taxa Selic.
“A atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito, uma vez que a taxa Selic está em 15% ao ano e os juros reais em torno de 10%. O crédito mais caro desincentiva o investimento em expansão da capacidade produtiva e em inovação. Com isso, a indústria perde competitividade”, avalia.
Empresas evitam buscar crédito
O levantamento evidencia que mais da metade (54%) das empresas não procurou contratar ou renovar crédito de longo prazo entre fevereiro e julho de 2025, enquanto 49% não foram atrás de crédito de curto ou médio prazo no mesmo período. Apenas 26% contrataram ou renovaram crédito de curto prazo. No longo prazo, o índice cai para 17%.
Nesse cenário, um terço dos empreendedores que tentaram a contratação ou renovação de crédito a longo prazo não tiveram sucesso, enquanto cerca de um quinto das empresas que buscaram crédito de curto ou médio prazo não tiveram êxito.
O recorte por porte empresarial mostra que as médias indústrias lideram o índice de frustração na obtenção de crédito, seguidas pelas pequenas e, por último, pelas grandes. O padrão se repete tanto para financiamentos de longo prazo quanto para operações de curto e médio prazo.
A pesquisa destaca que 35% das empresas que renovaram crédito de curto ou médio prazo entre fevereiro e julho de 2025 afirmaram que as condições de acesso ficaram piores ou muito piores. No crédito de longo prazo, o percentual foi semelhante: 33% avaliaram piora nos requisitos. Os principais fatores citados foram:
taxas de juros elevadas;
número reduzido de parcelas;
menor período de carência; e
exigência de garantias mais rígidas.
Para 47% das empresas que recontrataram crédito de curto ou médio prazo, não houve mudanças significativas nas condições oferecidas pelas instituições financeiras. O mesmo percentual foi registrado entre as que renovaram linhas de crédito de longo prazo.
Somente 14% dasempresas relataram condições melhores ou muito melhores no crédito de curto ou médio prazo em comparação aos seis meses anteriores à pesquisa. No caso do crédito de longo prazo, o percentual cai para 12%.
Risco sacado
O levantamento também investigou a adesão ao risco sacado. Nessa operação, o fornecedor recebe antecipadamente o valor de uma venda por meio da instituição financeira. O comprador (sacado) assume o compromisso de pagar diretamente ao banco na data de vencimento acordada. Assim, o fornecedor obtém liquidez imediata, enquanto a obrigação de pagamento permanece com o comprador.
Os números revelam que a modalidade ainda é pouco difundida e pouco compreendida no setor industrial:
13% das empresas afirmaram ter contratado operações desse tipo nos 12 meses anteriores à pesquisa;
5% pretendiam contratar nos 12 meses seguintes;
54% declarou não ter contratado nem ter intenção de contratar; e
29% não souberam ou preferiram não responder.
Perfil das empresas entrevistadas
A Sondagem Especial contou com 1.789 empresas industriais, sendo:
713 pequenas;
637 médias; e
439 grandes.
O questionário foi aplicado entre 1º e 12 de agosto de 2025.
Juros altos fazem faturamento da indústria estagnar em 2025
Indicadores Industriais da CNI mostram recuo na atividade industrial no segundo semestre de 2025
O faturamento da indústria de transformação estagnou em 2025. Após queda de 1,2% em dezembro, o indicador fechou o ano com variação de 0,1% em relação a 2024, consolidando um quadro de estabilidade. Os dados são dos Indicadores Industriais, divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta sexta-feira (6).
A atividade industrial recuou no segundo semestre de 2025, com quatro quedas de faturamento nos últimos seis meses. Até junho do ano passado, as receitas acumulavam alta de 5,7% em relação ao mesmo período de 2024, mas a sequência negativa do indicador reverteu o cenário positivo.
Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI, explica que esse resultado reflete os efeitos da elevada taxa básica de juros, no maior patamar das últimas duas décadas. “A convivência com taxas de juros elevadas, o elevado custo do crédito, a desaceleração da atividade econômica, a forte entrada de bens importados, especialmente de bens de consumo, capturando uma parte importante da demanda doméstica. Todos esses elementos devem permanecer ao longo de 2026, trazendo uma perspectiva que não é das melhores para a indústria de transformação ao longo deste ano”, alerta.
Nocko aponta que o desempenho acima da média em 2024, com alta de 6,2%, melhor marca em 14 anos, é outra causa para essa estabilização do faturamento. “Por isso nós temos alguns resultados mistos. Por exemplo, o emprego e o número de horas trabalhadas na produção ainda registraram um crescimento nessa comparação do ano consolidado de 2025 contra 2024, mas outros indicadores, como o nível de utilização da capacidade instalada, a massa salarial e o rendimento médio dos trabalhadores, mostraram um recuo.”
Em dezembro, o total de horas trabalhadas na produção caiu 1% em relação a novembro, também o quarto resultado negativo no último semestre. Já a utilização da capacidade instalada (UCI) caiu 0,4 ponto percentual, passando de 77,2% para 76,8% em dezembro e fechou 2025 com média 1,2 ponto percentual inferior à registrada no ano anterior.
Emprego
De acordo com o levantamento da CNI, o emprego caiu 0,2% entre novembro e dezembro, quarto resultado negativo consecutivo. Ainda assim, o mercado de trabalho industrial cresceu 1,6% em 2025 frente a 2024.
“É importante destacar que o momento vivido pelo mercado de trabalho ainda é de bastante aquecimento. Agora no final do ano de 2025, os indicadores relacionados ao emprego deram alguns sinais um pouco mais concretos de desaceleração, mas o mercado de trabalho segue em crescimento. No entanto, um crescimento mais fraco do que o apresentado em relação a 2024”, explica Nocko.
A massa salarial real caiu 0,3% no último mês de 2025, a quinta queda do indicador em seis meses. No último semestre do ano passado, a massa salarial subiu apenas em novembro (1,4%). O indicador fechou o ano com queda de 2,1% em relação a 2024.
O rendimento médio real registrou relativa estabilidade (+0,2%) em dezembro, depois de crescer 1,4% em novembro. No entanto, o saldo de 2025 é negativo: queda de 3,6% em relação a 2024.
Onda de calor ameaça lavoura e pecuária da Região Sul
Estresse térmico e hídrico ameaça culturas em florescimento e reduz qualidade do pasto para o gado, alerta Inmet
Índice
A onda de calor que atua sobre partes do Sul do Brasil até este sábado (7) deve impactar as lavouras e a pecuária da região. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a manutenção de temperaturas elevadas por vários dias consecutivos pode provocar estresse térmico e hídrico, especialmente em áreas com déficit de umidade no solo.
De acordo com o alerta, as temperaturas podem ficar até 5 ºC acima da média nas seguintes mesorregiões:
Paraná:
Sudoeste Paranaense
Sudeste Paranaense
Centro-Sul Paranaense
Santa Catarina:
Serrana
Oeste Catarinense
Norte Catarinense
Rio Grande do Sul:
Sudoeste Rio-grandense
Sudeste Rio-grandense,
Noroeste Rio-grandense
Nordeste Rio-grandense
Centro Ocidental Rio-grandense
Centro Oriental Rio-grandense
Impactos na agropecuária
Nas lavouras, a soja em fase vegetativa pode apresentar envelhecimento precoce das folhas inferiores, em razão da falta de chuva e das altas temperaturas. Em diversas áreas, culturas como milho, soja, feijão e arroz irrigado estão em fases críticas de florescimento e enchimento de grãos, o que eleva o risco de falhas na formação dos grãos e de redução na produtividade.
Na pecuária, a perda de umidade do solo compromete a qualidade das pastagens e limita o rebrote. Diante desse cenário, a recomendação é evitar o sobrepastejo, para reduzir a perda de peso dos animais. Além disso, o calor intenso afeta o bem-estar do rebanho, diminui o consumo alimentar dos bovinos e prejudica o ganho de peso, tornando essenciais medidas de manejo como oferta de sombra e acesso contínuo à água.
Previsão para os próximos dias
Segundo o Inmet, apesar de uma leve diminuição das temperaturas no fim de semana, a tendência ao longo da próxima semana é de novo aumento térmico em praticamente toda a Região Sul.
Em relação ao armazenamento de água no solo, a previsão indica queda moderada nos níveis de umidade no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, com restrição hídrica mais intensa no extremo sul gaúcho, onde os percentuais devem ficar abaixo de 20%.
Esse cenário de baixa disponibilidade hídrica, associado à persistência do calor por vários dias consecutivos, pode agravar o déficit de água no solo e reduzir a capacidade dos sistemas produtivos de suportar o estresse térmico, ampliando os impactos sobre as atividades agropecuárias nessas áreas.
Ibovespa fecha em alta no último pregão com apoio do setor financeiro
Índice foi sustentado por ações de grande peso, apesar da forte queda de papéis bancários após projeções abaixo do esperado
Índice
O Ibovespa encerrou o último pregão em alta, sustentado pelo bom desempenho de ações de grande representatividade no índice. Mesmo em um ambiente de pressão, com fortes perdas em parte do setor financeiro, o mercado mostrou resiliência e conseguiu avançar.
Segundo especialistas, a alta foi impulsionada pela performance robusta de instituições com grande peso na carteira teórica do índice, o que ajudou a compensar o impacto negativo de bancos que frustraram expectativas ao divulgar projeções consideradas conservadoras para o ano.
O principal indicador da bolsa brasileira avançou 0,48%, encerrando aos 182.949,78 pontos, após oscilar entre a mínima de 181.390,73 pontos e a máxima de 183.262,07 pontos ao longo da sessão.
No acumulado da semana, o Ibovespa garantiu valorização de 0,9%, refletindo a avaliação de especialistas de que o mercado segue atento aos fundamentos das empresas e às perspectivas para o setor financeiro.
Maiores altas e quedas do Ibovespa
Confira as ações com melhor e pior desempenho no último fechamento:
Ações em alta no Ibovespa
Refinaria de Petroleos Manguinhos S.A. (RPMG3): +27,88%
Recrusul SA (RCSL3): +14,34%
Ações em queda no Ibovespa
Companhia Energetica do Ceara-COELCE (COCE3): −18,73%
General Shopping e Outlets do Brasil S.A. (GSHP3): −12,32%
O volume total negociado na B3 foi de R$29.718.607.065, em meio a 4.094.963 negócios.
Os dados da bolsa podem ser consultados no site da B3.
O que é o Ibovespa e como ele funciona?
O Ibovespa (Índice Bovespa) é o principal indicador do mercado acionário brasileiro. Calculado pela B3, ele reflete a média do desempenho das ações mais negociadas na bolsa, com base em critérios de volume e liquidez. O índice é composto por uma carteira teórica de ativos, que representa cerca de 80% do volume financeiro total negociado no mercado.
O que é a B3, a bolsa de valores do Brasil?
A B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) é a bolsa de valores oficial do Brasil, sediada em São Paulo. É responsável pela negociação de ações, derivativos, títulos públicos e privados, câmbio e outros ativos financeiros. A B3 está entre as maiores bolsas do mundo em infraestrutura e valor de mercado.
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