Desde 3 de agosto de 2026, as empresas enquadradas no regime regular passaram a ter de informar o IBS e a CBS nos documentos fiscais eletrônicos. A mudança faz parte da transição para o novo modelo de tributação sobre o consumo previsto na reforma tributária. Mas, afinal, o que são esses novos tributos e como eles vão funcionar?
A reforma tributária criou o Imposto sobre Valor Agregado — o IVA dual brasileiro — composto pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal, e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de âmbito federal. Com isso, quatro tributos serão extintos gradualmente: PIS, Cofins, ICMS e ISS; e um será modificado: IPI.
CBS
A partir de 1º de janeiro de 2027, a CBS substituirá integralmente dois impostos de competência federal — a contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) — que serão completamente extintos.
Com isso, o novo imposto passará a ser cobrado com alíquota cheia, estimada em 9,21%, segundo estimativa publicada pelo Comitê Gestor do IBS na Resolução nº 14/2026.
Além disso, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) serázerado para a maioria dos produtos, com exceção dos fabricados na Zona Franca de Manaus.
IBS
O IBS terá alíquota de 0,1% em 2027 e 2028, durante a fase inicial de transição.
Entre 2029 e 2032, o novo tributo substituirá gradualmente o Imposto sobre Serviços (ISS), de competência municipal, e o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de âmbito estadual.
Nesse período, as alíquotas do ICMS e do ISS serão reduzidas progressivamente, enquanto a participação do IBS aumentará:
2029: 90% de ICMS/ISS e 10% de IBS;
2030: 80% de ICMS/ISS e 20% de IBS;
2031: 70% de ICMS/ISS e 30% de IBS;
2032: 60% de ICMS/ISS e 40% de IBS.
Em 2033, o novo modelo de tributação sobre o consumo entrará em vigor integralmente, com a extinção do ICMS e do ISS e a adoção plena do IBS. Para esse ano, a estimativa mais recente utilizada pelo Comitê Gestor do IBS aponta para uma alíquota conjunta de 27,91% para IBS e CBS.
Alíquota teste
Em 2026, primeiro ano de implementação, as notas fiscais devem trazer as novas informações, inclusive as alíquotas de teste de 1%, sendo 0,1% de IBS e 0,9% de CBS.
De acordo com a legislação, essa alíquota de teste não representa aumento da carga tributária. Desde que as empresas cumpram as obrigações acessórias e façam o devido destaque dos tributos nos documentos fiscais, o recolhimento do valor fica dispensado.
O advogado tributarista e sócio do Tax Group, Luís Garcia, explica que os valores correspondentes às alíquotas de teste serão integralmente compensados.
“Todo o valor que, eventualmente, viria a ser recolhido por meio dessa alíquota, será integralmente compensado e abatido do que a empresa deve pagar de PIS e Cofins no mesmo período. Temos essa iniciativa para calibrar a tecnologia e o sistema de apuração do governo e das empresas para esses novos tributos”, destaca.
Segundo o tributarista, a ausência do destaque doIBS e da CBS nos documentos fiscais eletrônicos em 2026 não resulta, de forma imediata, na aplicação de multas ou outras penalidadesfinanceiras.
“Na prática, o documento fiscal não será rejeitado automaticamente, e a nota fiscal poderá ser autorizada mesmo sem esses dados. No entanto, é importante ressaltar que a obrigação ainda não acabou. Este é um período adaptativo e pedagógico. Se o Fisco identificar essa omissão, será emitida uma notificação, com prazo de 60 dias para que o contribuinte regularize e, eventualmente, corrija o documento. Mas extingue-se qualquer penalidade se cumprida essa obrigação, dentro do prazo”, orienta.
A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS divulgaram, por meio do Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026, um cronograma para o início da obrigatoriedade de destaque do IBS e da CBS em cada tipo de documento fiscal eletrônico.
A partir de 3 de agosto de 2026
Bilhete de Passagem Eletrônico (BP-e);
Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e);
Conhecimento de Transporte Eletrônico Para Outros Serviços (CT-e OS);
Declaração de Conteúdo eletrônica (DC-e);
Guia de Transporte de Valores Eletrônica (GTV-e);
Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e);
Nota Fiscal de Energia Elétrica Eletrônica (NF3e);
Nota Fiscal eletrônica (NF-e);
Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e);
Nota Fiscal de Serviço eletrônica de Exploração de Via (NFS-e Via).
A partir de 1° de outubro de 2026
Alguns serviços específicos da Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e);
Nota Fiscal Fatura de Serviços de Comunicação Eletrônica (NFCom);
Declaração de Importação de Remessa (DIR);
Declaração de Regimes Específicos (DeRE 1ª Fase – Eventos de Tabela dos Contribuintes).
A partir de 15 de novembro de 2026
Declaração de Regimes Específicos (DeRE 2ª Fase – Eventos Periódicos Mensais).
A partir de 1° de dezembro de 2026
Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e, exceto serviços específicos);
Nota Fiscal Eletrônica do Gás (NFGás);
Nota Fiscal de Água e Saneamento Eletrônica (NFAg);
Nota Fiscal Eletrônica de Alienação de Bens Imóveis (NF-e ABI);
BP-e (aéreo e metropolitano).
A partir de 1° de janeiro de 2027
Documentos fiscais para contribuintes do Simples Nacional;
Declaração Única de Importação (Duimp);
Nota Fiscal Eletrônica (NFe – Tributação Monofásica).
O cronograma completo para a emissão dos documentos fiscais eletrônicos pode ser consultado neste link.
Dólar hoje: moeda fecha a R$ 5,21 em meio à cautela com eleições
Dólar avança e volta ao patamar de R$ 5,21, enquanto investidores monitoram o cenário eleitoral e o risco fiscal no Brasil
O dólar encerrou o pregão cotado a R$ 5,21, após operar em alta nesta sexta-feira (14). Durante a manhã, a moeda norte-americana chegou a atingir esse patamar, com valorização de 0,32%.
O movimento ocorreu na contramão do DXY, índice que mede o desempenho do dólar frente a seis das principais moedas de economias desenvolvidas. No mesmo horário, o indicador recuava 0,3%.
Segundo a casa de análise Eleven Financial, apesar do cenário positivo no exterior, com a avaliação de que o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, não deve elevar os juros na próxima reunião, os investidores seguem atentos ao cenário doméstico.
A proximidade das eleições aumenta a preocupação com o risco fiscal, fator que permanece no radar dos investidores e influencia o desempenho do real frente à moeda norte-americana.
Cotação do euro
O euro, por sua vez, encerrou o pregão cotado a R$ 6,04.
Cotações
A tabela abaixo mostra as cotações cruzadas entre as principais moedas internacionais e o real. Cada célula indica quanto vale 1 unidade da moeda da linha em relação à moeda da coluna.
Ibovespa fecha o último pregão aos 166.934 pontos, após nona queda seguida
Índice encerra o pregão aos 166.934 pontos, em meio à cautela dos investidores com o cenário doméstico e a Lei de Reciprocidade
O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira (14) aos 166.934,20 pontos, em mais um dia de queda da Bolsa brasileira.
Durante a sessão, o índice chegou a operar abaixo dos 165 mil pontos, atingindo 164.961 pontos por volta das 14h40. Com o desempenho, a valorização acumulada desde o início do ano ficou em torno de 2,4%, bem abaixo dos 23,5% registrados até meados de abril.
Para Bruno Borges de Souza Lima, gestor de fundos de ações da Bradesco Asset Management, a decisão de acionar a Lei de Reciprocidade sobre os Estados Unidos foi um fator adicional de pressão em um mercado que já apresentava ambiente negativo.
Segundo o gestor, o anúncio se soma a outras preocupações dos investidores e acaba reforçando o movimento de aversão ao risco.
A Bolsa encerrou a sessão caminhando para a nona queda consecutiva, sequência que, segundo a consultoria Elos Ayta, aconteceu apenas duas vezes desde os anos 2000.
Maiores altas e quedas
Ações em alta no Ibovespa
Oncoclinicas do Brasil Servicos Medicos S.A.(ONCO11F) +40,00%
Manufatura de Brinquedos Estrela SA Pfd (ESTR4F) +33,07%
Ações em queda no Ibovespa
General Shopping e Outlets do Brasil S.A (GSHP3) −23,40%
B100 S.A(B1003) −16,13%
O volume total negociado na B3 foi de R$ 31.900.531.201, em meio a 4.546.725 em negócios.
Os dados da bolsa podem ser consultados no site da B3.
O que é o Ibovespa e como ele funciona?
O Ibovespa (Índice Bovespa) é o principal indicador do mercado acionário brasileiro. Calculado pela B3, ele reflete a média do desempenho das ações mais negociadas na bolsa, com base em critérios de volume e liquidez. O índice é composto por uma carteira teórica de ativos, que representa cerca de 80% do volume financeiro total negociado no mercado.
O que é a B3, a bolsa de valores do Brasil?
A B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) é a bolsa de valores oficial do Brasil, sediada em São Paulo. É responsável pela negociação de ações, derivativos, títulos públicos e privados, câmbio e outros ativos financeiros. A B3 está entre as maiores bolsas do mundo em infraestrutura e valor de mercado.
ApexBrasil anuncia plano de R$ 210 milhões para apoiar 5,3 mil empresas afetadas por tarifas dos Estados Unidos
Estratégia prevê acesso a novos mercados, feiras internacionais, rodadas de negócios e consultorias para exportadores brasileiros
Cerca de 5,3 mil empresas brasileiras afetadas pelas novas tarifas dos Estados Unidos poderão receber apoio para buscar compradores e ampliar as exportações para outros mercados. A estratégia faz parte do Plano de Diversificação de Exportações, que terá R$ 210 milhões em investimentos e ações em 36 mercados considerados prioritários. Trata-se de uma iniciativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
O plano alcança 35 setores, incluindo segmentos do agronegócio, indústria de transformação, higiene, máquinas e equipamentos. Entre as medidas previstas estão a participação em feiras internacionais, conexão com compradores estrangeiros e consultorias para entrada em novos mercados.
O presidente da ApexBrasil,Laudemir Müller, explica que empresas afetadas poderão ter custos de algumas dessas ações cobertos. “Se ela for uma empresa que exporta para os Estados Unidos e está no tarifaço, ela vai participar de uma feira, ou em Paris ou na Tailândia, a depender de qual for o mercado dela, com uma isenção total de qualquer taxa de pagamento da Apex. Ela só tem que ir. Mas, se ela falar que precisa ter uma nova certificação, a ApexBrasil vai ressarcir essa despesa desta empresa impactada até um limite de R$ 40 mil”, destaca o presidente.
Apoio inclui feiras, compradores e consultoria
A estratégia está dividida entre ações realizadas em parceria com entidades setoriais e atendimento direto às empresas. Mais de 300 ações estão previstas em conjunto com entidades do setor produtivo. No atendimento direto, a expectativa é alcançar até 4,7 mil empresas.
O pacote prevê:
● 2,3 mil vagas em reuniões de negócios, presenciais ou virtuais, para aproximar exportadores brasileiros de compradores estrangeiros;
● 1,4 mil vagas em feiras internacionais, principalmente em mercados alternativos;
● consultoria especializada para 1,2 mil empresas, com atendimento individualizado para apoiar a entrada em novos países;
● mil vagas na Bolsa Exportação, com apoio financeiro distribuído ao longo dos próximos 12 meses.
As empresas afetadas pelas tarifas terão isenção das taxas de participação nessas ações.
Diversificação mira 36 mercados
A estratégia busca reduzir os impactos das barreiras comerciais por meio da diversificação dos destinos dos produtos brasileiros. Entre os mercados considerados prioritários estão Canadá, México, Alemanha, Turquia, África do Sul, Indonésia, Índia e China.
A América Latina concentra o maior número de ações previstas, com 85. Na sequência aparecem Europa, com 77; Ásia, com 46; Canadá e México, com 23; África, com 16; e Oriente Médio, com 11.
A busca por destinos alternativos, no entanto, não significa a substituição dos Estados Unidos como mercado para os produtos brasileiros. A estratégia prevê a manutenção das ações comerciais no país ao mesmo tempo em que as empresas procuram novos compradores para reduzir os efeitos das tarifas.
Como as empresas podem participar
As empresas afetadas poderão solicitar atendimento diretamente pelos canais da ApexBrasil ou por meio das 29 entidades setoriais parceiras. Para acessar o programa, a empresa deverá se identificar como exportadora para os Estados Unidos afetada pelas tarifas, informar o código do produto comercializado e indicar qual tipo de apoio necessita.
A demanda pode envolver desde a participação em uma feira internacional até a necessidade de obter uma certificação para vender em determinado país ou encontrar compradores em novos mercados.
A partir dessas informações, a demanda será cruzada com oportunidades identificadas pela rede internacional da ApexBrasil, que conta com uma base de mais de 2 mil compradores estrangeiros parceiros.
A estratégia ocorre em um momento de crescimento das vendas brasileiras ao exterior. O Brasil registrou US$ 220 bilhões em exportações no semestre, além do melhor resultado para um mês de julho da série informada pela ApexBrasil.
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