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BAHIA: MCom expande conexão à internet em áreas rurais e acesso à TV digital em Juazeiro

Cidade receberá 23 novas torres de telefonia móvel para localidades rurais, novos canais públicos de televisão; mumcu também deve receber reforço de R$ 650 mil para ações de capacitação

BAHIA: MCom expande conexão à internet em áreas rurais e acesso à TV digital em Juazeiro

Serão implantadas 23 estações de telefonia móvel no município de Juazeiro (BA). A infraestrutura vai possibilitar o acesso ao sinal de telefonia e internet móvel em 24 localidades rurais do município. O anúncio foi feito pelo Ministério das Comunicações (MCom) e a medida tem o objetivo de ampliar o acesso da população a serviços essenciais, educação, saúde, oportunidades de negócios e comunicação.

O município de Juazeiro concentra o maior volume de investimentos do programa de telefonia rural na Bahia.  Ao todo, estão previstos R$ 39,1 milhões para levar sinal de telefonia e internet às comunidades rurais do município.

O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, destacou a importância de fortalecer a inclusão digital no estado da Bahia. Ele ressaltou, ainda, como o investimento em tecnologia digital pode gerar resultados positivos, como o estímulo à comercialização dos produtos da agricultura de forma digital.

“Levar conectividade é ampliar a oportunidade para o jovem, para o idoso, aproximar as pessoas que podem continuar na zona rural. Aqui tem uma grande expertise que é a fruticultura. Nós sabemos sabe que quando investimos na infraestrutura digital, a ideia é fortalecer o mercado eletrônico. Através das suas redes, o produtor poderá comercializar os seus produtos. E esse é o objetivo do nosso ministério: gerar condições e gerar alternativas que só a força do governo poderá fazer”, destacou o ministro.

A iniciativa integra o programa de expansão da conectividade rural do Governo do Brasil. No estado baiano, 81 torres de telefonia móvel  já foram instaladas em localidades rurais, beneficiando 37 municípios. 

No total, o investimento total na Bahia chega a R$ 137,7 milhões, sendo R$ 74,8 milhões já executados e outros R$ 62,9 milhões programados até o fim do ano.

TV digital 

Além da conectividade móvel, os municípios baianos de Juazeiro e Paulo Afonso passam a contar com novos canais digitais da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e da Rede Legislativa.

A expansão do acesso ao sinal digital é realizada por meio do Programa Brasil Digital e amplia o acesso da população à programação educativa, cultural, informativa e institucional em sinal aberto e digital. 

Em Juazeiro, o sistema recebeu investimento federal de cerca de R$ 885 mil, já Paulo Afonso recebeu aproximadamente R$ 590 mil.

Novos investimentos em capacitação 

Junto com o anúncio de investimento em conectividade, também foram celebrados os 10 anos de atuação do Centro de Recondicionamento de Computadores da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). A unidade, que promove a  capacitação profissional de jovens, é considerada uma referência nacional em inclusão digital e sustentabilidade. O centro já doou 3.266 computadores recondicionados para 376 Pontos de Inclusão Digital (PIDs) e capacitou 6.972 pessoas. 

Durante a cerimônia, foi assinado um termo aditivo no valor de R$ 650 mil para fortalecer as atividades do centro de capacitação.

O evento também marcou o avanço do projeto de Robótica Educativa, que já conta com investimentos que superam os R$ 2,5 milhões. A iniciativa implantou laboratórios de robótica em Juazeiro, Campo Formoso (BA) e São Raimundo Nonato (PI), além de um laboratório móvel, com previsão de formar 50 professores especialistas e emitir 1.500 certificações.

Investimentos na Bahia

As entregas em Juazeiro integram ações do Ministério das Comunicações para ampliar a inclusão digital e a conectividade no estado. Os programas diretamente executados pela pasta somam cerca de R$ 262,3 milhões em investimentos na Bahia. Os recursos foram distribuídos entre conectividade em escolas, expansão da telefonia móvel e inclusão digital.

Confira os principais resultados:

  • R$ 123,9 milhões destinados ao programa Escolas Conectadas;
  • R$ 74,8 milhões já investidos na expansão da telefonia móvel rural;
  • R$ 62,9 milhões previstos para novas etapas do programa de telefonia móvel;
  • R$ 700 mil em ações do programa Computadores para Inclusão.
     

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Tecnologia

SENAI e Finep destinam R$ 47,5 milhões a projetos de transformação digital

Nova chamada do Smart Factory apoiará soluções em áreas como inteligência artificial, robótica, IoT e sistemas de monitoramento industrial

SENAI e Finep destinam R$ 47,5 milhões a projetos de transformação digital

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), lançou uma nova chamada do Smart Factory. A iniciativa oferece apoio técnico e financeiro para projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) voltados ao aumento da produtividade e da eficiência de micro, pequenas e médias indústrias (MPMEs). 

Ao todo, serão disponibilizados mais de R$ 47,5 milhões em recursos não reembolsáveis para o desenvolvimento de tecnologias destinadas à indústria. O edital poderá financiar até 70% do valor dos projetos. Os 30% restantes deverão ser investidos pelas empresas participantes como contrapartida, conforme as regras estabelecidas no regulamento. 

Segundo o especialista em Desenvolvimento Industrial do SENAI Inovação, Gabriel Bertholdo Vargas, os recursos poderão ser utilizados para custear horas de desenvolvimento, máquinas, softwares e equipamentos. 

“Muitas empresas têm dificuldade de encontrar especialistas nas áreas de automação e robótica para apoiá-las até formar sua equipe. E o SENAI disponibiliza especialistas de seus Institutos de Tecnologia e Inovação para atuarem no desenvolvimento desses projetos em conjunto com essas empresas”, afirma. 

Esta é a 11ª chamada do Smart Factory, iniciativa que integra o programa Brasil Mais Produtivo (B+P), na modalidade de transformação digital. A principal novidade desta edição é a divisão dos projetos em três categorias: software, hardware e soluções integradas. 

Entre as tecnologias que poderão ser contempladas estão: 

  • inteligência artificial (IA);
  • internet das coisas (IoT);
  • robótica;
  • big data;
  • sensores;
  • sistemas de monitoramento industrial;
  • outras tecnologias associadas à Indústria 4.0.

Segundo Vargas, a expectativa é que a chamada resulte na estruturação de mais de 90 projetos de soluções de transformação digital. 

Inscrições

As inscrições podem ser feitas pela Plataforma Inovação para a Indústria. Pela primeira vez, a chamada poderá contar com quatro janelas de avaliação de propostas, previstas até março de 2027, condicionadas à disponibilidade de recursos. A primeira janela está aberta e recebe inscrições até 16 de outubro. 

As propostas devem apresentar soluções em estágio avançado de maturidade tecnológica e demonstrar potencial para aprimorar processos produtivos. Além disso, cada projeto deverá ser apresentado em parceria com um Instituto SENAI coordenador. 

Os projetos também deverão passar por uma etapa de validação da solução em desenvolvimento em pelo menos oito micro, pequenas e médias indústrias. 

“A empresa poderá levar essa solução, instalar em um chão de fábrica real, testar, medir indicadores e, a partir disso, eventualmente gerar negócios, tanto para essas empresas que estão validando, quanto para essa empresa que detém a solução e que agora está levando ela para o mercado”, explica Vargas. 

Smart Factory  

O Smart Factory conecta empresas fornecedoras de tecnologia aos Institutos SENAI de Inovação e Institutos SENAI de Tecnologia para desenvolver soluções voltadas às necessidades da indústria. 

Na prática, o programa apoia empresas de tecnologia no desenvolvimento e na validação de soluções, com acesso a especialistas e à infraestrutura dos laboratórios do SENAI, com o objetivo de levá-las ao mercado. 

Entre as tecnologias que já integram o portfólio do Smart Factory estão sistemas de monitoramento de máquinas, soluções de inteligência artificial para controle de qualidade, ferramentas para segurança do trabalho e equipamentos destinados à automação de processos industriais.  

O programa tem como meta desenvolver 360 novos fornecedores de tecnologia e alcançar 8.400 indústrias até o fim de 2027. Atualmente, contabiliza 279 projetos, dos quais mais de 80 já foram concluídos. A expectativa é que as iniciativas desenvolvidas alcancem 7.098 indústrias.

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Inova Talentos oferece 312 bolsas de até R$ 12 mil para pesquisadores

Programa do IEL conecta acadêmicos a projetos de inovação em empresas e indústrias nacionais e multinacionais

Inova Talentos oferece 312 bolsas de até R$ 12 mil para pesquisadores

O programa Inova Talentos, do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), está com 312 bolsas de até R$ 12 mil para pesquisadores interessados em desenvolver projetos estratégicos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) em empresas e indústrias nacionais e multinacionais.

As oportunidades são destinadas a profissionais com diferentes níveis de formação, de graduandos a doutores, e abrangem diversas áreas do conhecimento. As bolsas têm duração de até 12 meses, com possibilidade de prorrogação por igual período, e contemplam vagas nos formatos presencial, híbrido e remoto, em diferentes estados do país. 

Entre as áreas com oportunidades estão engenharias, desenvolvimento de inteligência artificial (IA), farmácia, química, tecnologia da informação, ciência da computação, análise de sistemas, administração, cosmetologia, agronomia e estatística, entre outras. 

Os interessados devem entrar em contato com o IEL do próprio estado para verificar as etapas dos processos seletivos e as vagas disponíveis na região. Todas as informações e outras oportunidades podem ser consultadas no site de vagas do IEL – Inova Talentos.

Confira algumas oportunidades

  • Instituto Itaú de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICT Itaú)  

O instituto oferece mais de 50 oportunidades para pesquisadores com graduação, mestrado ou doutorado, em andamento ou concluídos. As vagas são remotas e oferecem bolsas entre R$ 7 mil e R$ 12 mil. 

As oportunidades abrangem áreas como ciências exatas, engenharias, ciência da computação, sistemas de informação, ciência de dados, estatística, matemática aplicada, tecnologia da informação e inteligência artificial. 

  • Vale  

A empresa busca pesquisadores das áreas de engenharia de minas, de materiais, metalúrgica, química, e áreas correlatas para atuação híbrida no Rio de Janeiro. Há oportunidades para especialista 2, com bolsa de R$ 10 mil; especialista 3, de R$ 12 mil; e mestre, de R$ 5,6 mil. Todas têm carga horária de 40 horas semanais e duração de 12 meses. 

Também estão disponíveis seis vagas para automação de testes de controles SOX — quatro destinadas a mestres, com bolsas de R$ 9 mil, e duas para doutores, com bolsas de R$ 11 mil. 

Outra oportunidade é o Projeto Cora, voltado ao desenvolvimento de um agente de IA generativa, com uma vaga para graduado, com bolsa de R$ 7 mil, e outra para mestre, com bolsa de R$ 9 mil. As vagas têm carga horária de 40 horas semanais e duração de 12 meses. 

  • Siemens Energy  

A empresa procura pesquisadores graduados em ciência da computação, engenharia da computação, sistemas de informação, engenharia de software, engenharia elétrica e áreas correlatas para atuar em um projeto de inteligência artificial aplicada a transformadores. 

A vaga é híbrida, em Jundiaí (SP), e oferece bolsa de R$ 7 mil, com carga horária de 40 horas semanais e duração de 12 meses. 

  • MAHLE Metal Leve  

A empresa busca pesquisadores graduados em administração, logística, engenharia e áreas correlatas para atuação presencial ou híbrida. São duas oportunidades: uma voltada ao uso de machine learning para a predição de emissões gasosas e particuladas, com bolsa de R$ 4 mil, e outra para o desenvolvimento de uma control tower logística, com bolsa de R$ 3,5 mil.

Ambas têm carga horária de 40 horas semanais e duração de 12 meses.

Inova Talentos

O Inova Talentos é uma iniciativa do IEL em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que auxiliam na seleção e capacitação dos profissionais.

A superintendente do IEL, Sarah Saldanha, explica que o objetivo do Inova Talentos é fazer a ponte entre a academia e o setor produtivo.

“Se há um desafio de inovação de um lado, e de outro, um profissional capacitado, nós do IEL somos a ponte que conecta a indústria a esses talentos. Sua empresa recebe talentos preparados com formação adequada para desenvolver projetos de inovação dentro da sua empresa. É o IEL trabalhando na aproximação do conhecimento que está na academia, nas universidades, nos centros de conhecimento da própria indústria brasileira”, afirma.

Segundo o gerente de Inovação do Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú (ICTi), Enzo Scivittaro, o programa aproxima os bolsistas aos desafios reais das empresas. 

“Iniciativas como o Inova Talentos contribuem para fortalecer a capacidade de inovação nacional ao criar oportunidades para pesquisadores atuarem em projetos de alto impacto no setor produtivo. E é uma forma de transformar conhecimento científico em resultados concretos para a sociedade e para a competitividade nas empresas brasileiras”, destaca.

Scivittaro ressalta que, embora a bolsa não tenha vínculo empregatício, o programa permite que os participantes demonstrem suas competências e construam relações profissionais com equipes altamente especializadas. “Na prática, muitos bolsistas passam a ser reconhecidos pelo valor que geram ao longo do programa e podem, posteriormente, ser considerados para futuras oportunidades profissionais”, pontua. 

O diretor de Operações do Ceará Tech Park SENAI/CE e bolsista expert do IEL, Rodrigo Pastl Pontes, destaca que a atuação dos pesquisadores também envolve conectar diferentes atores do ecossistema de inovação — como empresas, universidades, institutos de pesquisa, governo e ambientes de inovação — e transformar essas conexões em projetos, parcerias e oportunidades concretas. 

“Muitas vezes, inovar não significa apenas desenvolver uma nova tecnologia, mas saber onde está o conhecimento, quem possui determinada competência e como transformar essas capacidades em soluções para o mercado”, enfatiza. 

Conexão com as tendências globais de inovação

Para Rodrigo Pastl Pontes, o Inova Talentos está alinhado às tendências globais da inovação industrial ao promover uma conexão direta entre conhecimento científico, desenvolvimento tecnológico e demandas do mercado. 

“Na minha atuação, vejo justamente o papel de ajudar a construir essas conexões. Em um ecossistema de alta tecnologia, não basta ter boas universidades, bons institutos de pesquisa ou boas empresas de forma isolada. É preciso criar os mecanismos para que esses atores trabalhem juntos e consigam transformar ciência e tecnologia em novos produtos, empresas e oportunidades para o Brasil”, afirma. 

Enzo Scivittaro afirma que, no ICTi, os bolsistas atuam em frentes relacionadas à inteligência artificial, à computação quântica, à experiência do usuário, à prevenção a fraudes e a outras tecnologias emergentes — áreas que ocupam posição central nas agendas globais de inovação e competitividade. 

Segundo ele, além de acelerar o desenvolvimento de projetos estratégicos, o Inova Talentos também contribui para o fortalecimento da soberania tecnológica brasileira ao formar profissionais qualificados, estimular a retenção de conhecimento no país e ampliar a capacidade nacional de desenvolver soluções próprias para desafios complexos. 

“Quanto mais fortalecemos esse elo entre ciência e mercado, maior a capacidade do Brasil de gerar inovação, propriedade intelectual e vantagens competitivas sustentáveis”, conclui.

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CNI lança estudos sobre futuro da indústria de defesa brasileira

Publicação reúne oito estudos sobre setores estratégicos e aponta competências que serão necessárias para acompanhar mudanças

CNI lança estudos sobre futuro da indústria de defesa brasileira

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Fundação Instituto de Administração, da Universidade de São Paulo (USP), lançaram nesta semana os Cadernos Prospectivos da Base Industrial de Defesa (BID).

A publicação reúne oito estudos que mapeiam as principais transformações tecnológicas, organizacionais e ocupacionais que devem impactar segmentos estratégicos da indústria de defesa nos próximos anos. 

O material também identifica as competências que serão exigidas dos profissionais nesse novo cenário e apresenta recomendações para aproximar a formação profissional das demandas da indústria. 

Segundo a CNI, os cadernos devem servir de referência para empresas, instituições de ensino, formuladores de políticas públicas e outros integrantes do ecossistema de defesa na preparação para as transformações previstas para a próxima década. 

Além da fabricação de armas 

O gerente do Observatório Nacional da Indústria, Rafael Sousa, destaca que a indústria de defesa vai muito além da fabricação de armas. 

“Estamos nos referindo a um amplo ecossistema formado por empresas, universidades, centros de pesquisa, órgãos públicos e profissionais que desenvolvem equipamentos, tecnologias e serviços voltados para a proteção e segurança de um país. Os produtos desenvolvidos por essa indústria envolvem aeronaves, navios, veículos, satélites, radares, drones e uma série de equipamentos de proteção e soluções de segurança digital”, afirma.

Segundo ele, muitas das tecnologias desenvolvidas para o setor também têm aplicações civis e estão presentes no cotidiano da população. 

“Os satélites, por exemplo, podem apoiar na agricultura e no monitoramento de queimadas. Os drones podem ser usados na logística. Sistemas de comunicação e radares podem contribuir para a prevenção de desastres. E a própria inteligência artificial, que está cada vez mais presente no nosso dia-a-dia, também é uma iniciativa desenvolvida a partir do setor de defesa”, destaca.

Ao todo, os estudos identificaram mais de 120 tecnologias emergentes, além dos novos perfis profissionais que devem ganhar protagonismo nos próximos anos para acompanhar sua incorporação à indústria. 

Para Rafael Sousa, o desafio não está apenas em acompanhar a evolução tecnológica, mas em transformar esse conhecimento em capacidade profissional e industrial. 

“Para que o Brasil consiga ter profissionais preparados para essa mudança, é necessário traduzir essas tecnologias em competências e perfis profissionais, identificando quais ocupações serão transformadas e quais conhecimentos vão precisar ser desenvolvidos para a absorção dessas tecnologias”, aponta.

A partir disso, ele defende a atualização dos currículos, a criação de novos cursos e programas de especialização e requalificação, além do fortalecimento da formação prática em ambientes tecnológicos. 

“Isso vai demandar uma grande articulação entre as Forças Armadas, a indústria de defesa e instituições como o SENAI, universidades e centros de pesquisa. Todo esse processo precisa ser contínuo e manter sempre esse olhar prospectivo”, afirma. 

Transformação da Base Industrial de Defesa

Os estudos mostram que a transformação da Base Industrial de Defesa é impulsionada por um conjunto de tecnologias que atravessa praticamente todos os segmentos analisados, entre eles:

  • aeroespacial;
  • munições, propelentes, explosivos, mísseis e foguetes; 
  • armas e equipamentos de controle de tiro;
  • plataformas militares marítimas e fluviais; 
  • plataformas veiculares militares terrestres; 
  • defesa cibernética; 
  • sistemas C4ISTAR — rede integrada de comando, controle, comunicações, computadores, inteligência, vigilância e reconhecimento; 
  • uniformes militares. 
Tecnologias transversais Presença nos segmentos analisados
Inteligência artificial 100%
Cibersegurança 100%
Engenharia digital 87,5%
Integração digital do ciclo de vida 87,5%
Sensores inteligentes 87,5%
Gêmeos digitais 87,5%
Sistemas autônomos 75%
Arquiteturas abertas 75%
Manufatura aditiva 75%
Novos materiais 75%

Segundo as pesquisas, a disseminação de tecnologias emergentes e os eventos de impacto previstos para os próximos anos devem provocar uma reconfiguração na organização do trabalho. 

Dessa forma, atividades tradicionalmente concentradas em processos operacionais tendem a evoluir para funções mais voltadas à integração de sistemas, à análise de dados, à tomada de decisões e à gestão de ambientes cada vez mais complexos e conectados. 

Essa transformação deve ampliar a demanda por profissionais com visão sistêmica, competências digitais e capacidade de integrar diferentes conhecimentos e áreas de atuação. 

Confira alguns conhecimentos, habilidades e aptidões que devem ganhar importância nos próximos anos: 

Conhecimentos:

  • Engenharia de Sistemas
  • Tecnologias digitais
  • Cibersegurança
  • Confiabilidade
  • Gestão do ciclo de vida
  • Governança e gestão

Habilidades:

  • Analisar sistemas
  • Integrar sistemas
  • Analisar dados
  • Monitorar sistemas
  • Validar sistemas
  • Resolver problemas complexos
  • Tomar decisões baseadas em evidências
  • Aprender continuamente

Aptidões:

  • Pensamento analítico
  • Pensamento sistêmico
  • Adaptabilidade
  • Atenção seletiva
  • Percepção de problemas
  • Responsabilidade
  • Estabilidade emocional

Desafios e oportunidades

A publicação também chama atenção para os desafios que o país deverá enfrentar diante dessa nova realidade. Entre eles estão a dependência tecnológica externa, o financiamento insuficiente e irregular, a fragmentação da cadeia produtiva, a escassez de competências profissionais e as vulnerabilidades cibernéticas. 

Por outro lado, os estudos apontam oportunidades para o país. O acompanhamento dessas tendências pode impulsionar a inovação tecnológica, fortalecer a soberania nacional em áreas estratégicas, ampliar a cooperação entre empresas, governo e instituições de ensino, desenvolver talentos e reforçar a defesa cibernética. 

Indústria de defesa brasileira amplia presença internacional

Dados do Ministério da Defesa compilados pela CNI apontam que as exportações da Base Industrial de Defesa cresceram 29% no primeiro semestre deste ano, alcançando US$ 1,8 bilhão em autorizações para exportação. Produtos brasileiros do setor já chegaram a 150 países por meio de 130 empresas exportadoras. 

Entre os principais itens vendidos ao exterior estão aeronaves e componentes, explosivos, bombas, armamentos leves, munições e serviços de engenharia relacionados a produtos de defesa de alto valor agregado. 

A Base Industrial de Defesa e Segurança representa atualmente 3,41% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. 

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