Seminário em Belém (PA) debate igualdade racial e inclusão social
Encontro reuniu no Centro Cultural Banco da Amazônia pesquisadores, ativistas e lideranças negras para discutir Cabanagem, titulação quilombola e equidade na Amazônia
O Dia Nacional de Combate ao Racismo, celebrado em 18 de novembro, promoveu reflexões e trocas de saberes em Belém (PA) – com o I Seminário Igualdade Racial, realizado no Centro Cultural Banco da Amazônia. O evento reuniu professores, pesquisadoras e militantes dos movimentos negros para discutir memória, território e identidade negra na Região Amazônica, em meio à exposição internacional Mandela – Ícone Mundial de Reconciliação.
O diretor Corporativo do Banco da Amazônia, Diego Lima, abriu o evento e compartilhou sua trajetória de homem negro, destacando a importância de discutir desigualdades estruturais.
Para Diego, a promoção da equidade é crucial para o respeito à diversidade. “Esse tem sido um trabalho do Banco da Amazônia: promover a mudança social e o respeito às diferenças. O Banco, hoje, oferece crédito, soluções e valorização da cultura, para um caminho mais justo e inclusivo”, afirmou.
Cabanagem além do registro oficial
O primeiro painel teve como tema “Revolução da Cabanagem e protagonismo quilombola – resistência popular e luta por igualdade”. A revolução popular aconteceu entre 1835 e 1840 na Amazônia e os especialistas analisaram o contexto histórico da Cabanagem e seus reflexos na luta quilombola, destacando a participação de negros, indígenas e mestiços na revolução amazônica.
A professora da Universidade Federal do Pará, Magda Ricci, estuda o tema há mais de três décadas e chamou atenção para a diversidade dos cabanos e a necessidade de romper a invisibilidade dentro do movimento. “Estudar a Cabanagem não pode se limitar à visão do Império. Deve-se ir além das fronteiras amazônicas. A invisibilidade provoca grandes distorções na compreensão da natureza dos cabanos”, disse.
Ela destacou, ainda, a importância da semana da consciência negra para fomentar o respeito e a reflexão sobre a diversidade de povos. “Então, é essencial que isso seja mais do que relevante nesta semana. Uma semana que é inclusiva, tem muitos pretos na cabanagem, mas o mais bonito dela é que tem muita diversidade”, afirmou Ricci.
Já o historiador, professor, estudioso do patrimônio histórico, Michel Pinho, salientou que a Cabanagem evidencia os traços da história de Belém, que vão além da cultura indígena. Para ele, os vestígios culturais do período cabano, espalhados por ruas, prédios e espaços públicos, ajudam a compor uma identidade documentada.
Na avaliação do especialista, o debate no Centro Cultural Banco da Amazônia tem papel relevante em destacar a identidade cultural dos cabanos em Belém.
“Abrir esse espaço para uma discussão entre história e cabanagem é fundamental para a gente pensar na participação cidadã. O Banco da Amazônia tem um papel importante em relação a isso, que é garantir às pessoas a pensarem sobre a sua identidade”, ressaltou Pinho.
Titulação quilombola e justiça racial
O segundo painel mostrou a trajetória de Zélia Amador de Deus, uma das principais referências da militância negra no Pará e no Brasil. O tema da apresentação foi “A luta de Zélia Amador de Deus – titulação das terras quilombolas e justiça racial”.
A especialista em direitos quilombolas, Isabel Cabral, destacou o papel da educadora na articulação pela titulação de terras quilombolas e da movimentação popular em prol de melhores condições de vida em todas as esferas.
“A principal importância é mostrar que a organização social é que conquista esses direitos, porque a gente sempre fala que os governantes não acordam do dia para a noite e resolvem atender esses clamores. Não, é a sociedade organizada quem conquista esses direitos. Rever essa história da professora Zélia mostra, principalmente para os jovens que estão hoje se organizando, que esse é o caminho mesmo – é a intercessão também dos direitos à moradia, à terra, à educação”, pontuou.
A advogada e pesquisadora quilombola da comunidade Genipaúba, em Abaetetuba, Flávia Santos, apontou entraves que ainda persistem nos processos de regularização fundiária. Segundo ela, apenas em Santarém e Belém há cerca de 80 processos de titulação parados.
Flávia salientou, ainda, que a titulação contribui para a proteção da floresta e das comunidades. “Território quilombola não titulado é território violado. A titulação é solução para a crise climática”, afirmou.
Resistência, memória e equidade
Já o painel abordou o tema: “Resistência e liderança – Dandara dos Palmares e Nelson Mandela: lutas por liberdade e igualdade” – nomes de peso que atuaram na defesa da liberdade e igualdade.
A ativista do coletivo Sapato Preto, Juliana Miranda, destacou o papel pedagógico dos movimentos negros. “O movimento negro é educador. Mostra o genocídio da população negra e a luta contra o apagamento social. O racismo não é um inimigo distante”, disse.
Para a professora e ativista Sabrina Figueiredo Souza, resistir também é transmitir memória e afirmar identidades. “Não falamos de igualdade, mas de equidade. Não somos todos iguais. Nem queremos ser. Queremos ser respeitados nas nossas diferenças”, afirmou.
Exposição
Em meio à exposição sobre Mandela, o seminário reforçou que as lutas por justiça racial — locais e globais — seguem conectadas.
A mostra “Mandela – Ícone Mundial de Reconciliação”, reúne 50 painéis de fotografias e uma instalação audiovisual para mostrar a trajetória de vida de Mandela desde a infância, passando pela luta contra o apartheid, os 27 anos de prisão e a histórica eleição como o primeiro presidente negro da África do Sul.
A exposição vai até 30 de novembro, com entrada gratuita, no Centro Cultural Banco da Amazônia – localizado no prédio matriz do Banco.
Centro Cultural Banco da Amazônia exibe exposição de Hiromi Nagakura com curadoria de Ailton Krenak, em Belém (PA)
Mostra reúne 82 fotografias inéditas no Brasil registradas pela dupla entre 1993 e 1998; programação é gratuita a partir de 19 de dezembro e contará com visitas, oficinas e rodas de conversas em janeiro de 2026
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No dia 19 de dezembro, o Centro Cultural Banco da Amazônia inaugura a exposição “Hiromi Nagakura até a Amazônia com Ailton Krenak”, em Belém (PA). A mostra reúne 82 fotografias inéditas no Brasil registradas pelo fotógrafo japonês Hiromi Nagakura em viagens realizadas pela Amazônia ao lado do líder indígena, escritor e ambientalista Ailton Krenak entre 1993 e 1998.
Grande parte das fotografias foi feita em viagens de Nagakura e Krenak por aldeias e comunidades indígenas da Amazônia brasileira – como Ashaninka, Xavante, Krikati, Gavião, Yawanawá, Huni Kuin – e ribeirinhas do Rio Juruá, além da região do lavrado, em Roraima. Nas viagens, a dupla percorreu estados como Acre, Roraima, Mato Grosso, Maranhão, São Paulo e Amazonas.
A mostra fotográfica propõe um encontro entre imagem e memória, arte e resistência, território e ancestralidade, como destaca o analista de patrocínio do Banco da Amazônia, Geraldo Monteiro Júnior.
“Ao patrocinar a exposição Hiromi Nagakura até a Amazônia, com Ailton Krenak, o Banco da Amazônia reafirma seu compromisso com o incentivo às diversas expressões artísticas e culturais do nosso país. A exposição convida o público a conhecer de forma sensível e profunda a riqueza e a memória dos povos originários, a partir do olhar de Nagakura e da voz do ativista indígena, Ailton Krenak”, ressalta Geraldo Monteiro Júnior.
Para Ruth Helena Lima, gerente executiva de Marketing, Comunicação e Promoção do Banco da Amazônia, a mostra reforça o compromisso da instituição em aproximar o público da floresta, em consonância com as diretrizes do Centro Cultural Banco da Amazônia.
“A mostra fotográfica oferece uma experiência que não se limita ao campo da arte. É uma oportunidade rara de enxergar a Amazônia não como paisagem distante, mas como presença viva”, diz a gerente.
Diálogos e atividades além da exposição
Entre 12 e 14 de janeiro de 2026, o Centro Cultural Banco da Amazônia promoverá uma programação especial com visitas, oficinas e rodas de conversa com a presença de Krenak, Nagakura e lideranças indígenas. As atividades integram as comemorações do aniversário de Belém, celebrado em 12 de janeiro.
Além do acervo fotográfico, o público conhecerá a obra “Território imemorial ou Hiromi Nagakura até a Amazônia com Ailton Krenak” (2023), criada especialmente pelo artista Gustavo Caboco. A obra apresenta um mapa dos territórios percorridos pela dupla ao longo das expedições.
A exibição permanece aberta ao público até 22 de fevereiro de 2026, com entrada gratuita, no Centro Cultural Banco da Amazônia – localizado no prédio matriz do Banco.
Com curadoria de Ailton Krenak e das curadoras adjuntas Angela Pappiani, Eliza Otsuka e Priscyla Gomes, a exposição já passou por diversas capitais brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Fortaleza.
A mostra é uma realização do Instituto Tomie Ohtake, com patrocínio do Banco da Amazônia e do Governo Federal.
SERVIÇO
Exposição “Hiromi Nagakura até a Amazônia com Ailton Krenak”.
Visitação pública: 19 de dezembro de 2025 a 22 de fevereiro de 2026.
Local: Centro Cultural Banco da Amazônia. Avenida Presidente Vargas, 800 — Campina, Belém (PA).
Horário: De terça a sexta, das 10h às 19h. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 14h.
MinC realiza em Fortaleza o MICBR, um dos maiores mercados de economia criativa do país
Com abertura no dia 3/12, evento do MinC reúne empreendedores de todo o país, recebe a Ibero-América, se une ao Festival Elos e ocupa os equipamentos culturais com programação gratuita
A cidade de Fortaleza vai receber um dos maiores eventos voltados à economia criativa do Brasil. Entre os dias 3 e 7 de dezembro, o Ministério da Cultura realiza na capital cearense a nova edição do Mercado das Indústrias Criativas do Brasil, o MICBR. Neste ano, a região Ibero-América é a convidada de honra.
A abertura oficial será no dia 3, às sete da noite, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes. O evento é totalmente gratuito e aberto ao público.
O MICBR vai reunir 350 empreendedores criativos de todos os estados e do Distrito Federal. Além de expor produtos e serviços, eles vão participar de rodadas de negócios, cursos, mentorias, palestras, show cases e apresentações artísticas.
“O mercado das indústrias criativas do Brasil é um grande evento de negócios do setor produtivo cultural e um dos eixos centrais da política do Ministério da Cultura para impulsionar os mercados criativos”, explica a coordenadora geral de Estratégia Produtiva, da Secretaria de Economia Criativa do Ministério da Cultura, Patrícia Albernaz..
A economia criativa movimenta cerca de 230 bilhões de reais e emprega mais de sete milhões e meio de pessoas no Brasil. São mais de 130 mil empresas formais, representando 7% da força de trabalho do país.
Com isso, o MICBR Ibero-América se consolida como o maior mercado público do setor no Brasil, fortalecendo oportunidades, circulação, profissionalização e internacionalização.
Quinze setores da economia criativa estarão presentes no evento: artesanato, dança, circo, audiovisual e animação, design, teatro, editorial e artes visuais. E também hip-hop, jogos eletrônicos, moda, museus e patrimônio, música, áreas técnicas e gastronomia, com cozinha show.
De acordo com Patrícia Albernaz, “mais do que expressar a diversidade e a identidade do nosso país, esses segmentos movimentam a economia, geram empregos, movem a inclusão e posicionam o Brasil no cenário global da inovação”.
Neste ano, o MICBR Ibero-América se une ao Festival Elos. Entre os dias 4 e 7 de dezembro, a Praia de Iracema será palco para os shows, com atrações musicais de diversos estilos.
Esta edição é uma realização do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, em parceria com a Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI), Governo do Ceará e Prefeitura de Fortaleza.
Noite no Museu em Belém (PA): Centro Cultural do Banco da Amazônia abre com exposições gratuitas nesta sexta (14)
Evento oferece visitação noturna, arte urbana e experiências imersivas durante a programação cultural
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O Centro Cultural do Banco da Amazônia passa a integrar, pela primeira vez, o circuito do “Uma Noite no Museu”, programa da Secretaria de Cultura do Pará (Secult) que promove visitas noturnas e gratuitas a espaços culturais. Nesta sexta-feira (14), o público poderá conhecer o espaço em horário especial, das 18h às 22h, com entrada franca.
Aberto em outubro, o centro cultural já se firmou como um novo ponto de encontro da cena artística de Belém. A fachada do prédio foi transformada na primeira galeria de arte urbana da cidade, com projeções visuais que valorizam a criação amazônica, intervenção que segue até dezembro, um mês após o encerramento da COP30.
Segundo o presidente do Banco da Amazônia, Luiz Lessa, a participação no programa reforça o compromisso da instituição com o acesso à cultura e o desenvolvimento regional. “Aderimos ao programa porque entendemos que a Cultura também é um patrimônio essencial na construção de uma sociedade mais consciente e saudável”, afirma.
Instalações imersivas recebem o público
Logo na entrada, duas obras convidam à imersão artística. A instalação “Banzeiro”, da artista Roberta Carvalho, forma um túnel sensorial que combina projeções dos rios amazônicos com sons e palavras. Já a obra de Keyla Sobral, com curadoria de Orlando Maneschy, exibe frases-poema que refletem sonhos e esperanças para o futuro da Amazônia.
Três exposições gratuitas estão abertas ao público
Dentro do Museu estão em funcionamento, simultaneamente, três exposições.
Galeria 1 – “Mandela: Ícone Mundial de Reconciliação”: é uma exposição inédita com 50 painéis fotográficos e uma instalação audiovisual que retratam a trajetória de Nelson Mandela. A exposição tem curadoria de Christopher Till e realização do Instituto Brasil África (IBRAF) em parceria com a Fundação Nelson Mandela, com patrocínio do Banco da Amazônia e do Governo Federal.
A mostra apresenta fotos, vídeos, objetos pessoais e materiais históricos que retratam a trajetória do ex-presidente sul-africano desde sua luta contra o apartheid na África do Sul até sua atuação como líder mundial pela justiça e igualdade. Além disso, a exposição busca destacar a importância de seus princípios de perdão e diálogo na construção de uma sociedade mais justa. “Uma conexão direta com nossa relação com a região. O diálogo, a atenção, o cuidado são valores essenciais para o desenvolvimento da população da Amazônia”, explica o presidente Luiz Lessa.
Galeria 2 – A exposição “Habitar a Floresta” apresenta 14 projetos arquitetônicos inspirados nos saberes ancestrais de povos tradicionais da Amazônia e da América Latina. Tem Curadoria dos arquitetos Marcelo Rosenbaum e Fernando Serapião, com produção da LP3.
O projeto nasceu a partir de um pedido do presidente da COP30, André Corrêa do Lago, para pensar em uma mostra voltada à arquitetura dos trópicos com o encontro de saberes científicos e tradicionais. “Na discussão do clima a Amazônia está no âmago do debate. E todos os trabalhos apresentados aqui têm esse objetivo de mostrar que manter os habitantes dentro da floresta é a melhor forma de mantê-la conservada”, explica o curador Fernando Serapião. “Vemos o ‘habitar’ como esse lugar de encontro e de empatia com outras vivências”, observa um dos curadores, Marcelo Rosenbaum.
Galeria 3 – “Clima: O Novo Anormal” tem direção de Cláudio Ângelo e Fernando Meirelles, a exposição une arte e ciência para abordar a crise climática global. É uma realização da Ponto Produção, com apoio do Observatório do Clima, patrocínio master do Banco da Amazônia e via Lei Rouanet pelas empresas Sanofi e Netshoes.
A exposição convida os visitantes a repensar a forma de habitar o mundo, com um alerta que propõe a saída da crise ambiental pela ação, sempre articulando informação e experiência. Com 30 monitores, painéis e dispositivos multimídia, ela apresenta uma imersão visual pelos dados climáticos do planeta. Um globo digital suspenso, alimentado por quatro projetores, exibe o aumento das temperaturas e as mudanças no nível dos oceanos sob diferentes cenários de aquecimento.
Para a gerente de Marketing e Comunicação do Banco da Amazônia, Ruth Helena Lima, a exposição oferece uma visão geral da crise climática e convoca as sociedades contemporâneas a iniciar transformações coletivas em favor de um mundo sustentável. “O momento exige a reinvenção da nossa forma de viver e das nossas práticas. O conhecimento e os meios de ação estão todos aí”, destacou ela.
O Centro Cultural do Banco da Amazônia fica na Avenida Presidente Vargas, 800, Campina.
Uma Noite no Museu
O “Uma Noite no Museu” é um sucesso de público: a primeira edição recebeu mais de 10 mil visitantes; a segunda, mais de 12 mil. Além das exposições, o circuito oferece feira de economia criativa, apresentações artísticas, exibição de filmes e atividades educativas.
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