Brasil se torna líder na exportação de bovinos vivos pelo mar; atividade gera críticas por sofrimento animal e riscos socioambientais
Más condições de higiene e bem-estar animal nos navios também oferecem riscos à saúde pública e ao meio ambiente, alerta a ONG Mercy For Animals (MFA); propostas de restrição tramitam no Congresso Nacional e pesquisa aponta que este tipo de comércio é rejeitado pela maioria da população brasileira
O Brasil se tornou o maior exportador de bovinos vivos por via marítima do mundo: foram mais de 960 mil animais embarcados vivos de navio para o abate no exterior em 2024. O país ultrapassou a Austrália, que liderava o ranking do mercado até então. Os dados foram apurados pela ONG Mercy For Animals (MFA), a partir de informações de sistemas de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Este ano, apenas de janeiro a abril de 2025, o Brasil já exportou 298,2 mil bois vivos dessa maneira. Segundo a MFA, o montante é superior ao total anual de anos anteriores, como 2013, 2014, 2015, 2016, 2021 e 2022.
Paradoxalmente, a organização aponta que a maior parte da população condena a atividade. Segundo uma pesquisa da Ipsos, 84% dos brasileiros concordam, totalmente ou em parte, que a exportação de animais vivos por via marítima deveria ser proibida no Brasil.
Os críticos da atividade avaliam que transportar animais vivos por mar é uma das práticas de maior impacto negativo da pecuária. Dentro dos navios, os bois viajam em condições precárias, mantidos em espaços pequenos – quase do tamanho de uma porta – e são submetidos a más condições de higiene, usualmente com acúmulo de dejetos, e de bem-estar, como superlotação e calor elevado. Eles são obrigados a viajar entre as próprias fezes e urina. Durante o trajeto, muitos animais morrem por conta do calor elevado e doenças respiratórias. Nos países importadores, eles podem ser abatidos com procedimentos que não seriam permitidos aqui no Brasil. Investigações mostram o uso de práticas como corte de tendões das pernas, perfuração dos olhos e torção do rabo para imobilizar os animais.
Vanessa Garbini, vice-presidente de Relações Institucionais e Governamentais da Mercy For Animals no Brasil, aponta que além do sofrimento animal, tal atividade ainda oferece riscos à saúde pública: “A exportação de animais vivos por mar também representa um risco para a saúde pública global. O transporte de animais vivos através de fronteiras nacionais é um vetor para a transmissão de doenças zoonóticas e a eclosão de novas pandemias”, afirma
Prejuízos ambientais
Vanessa Garbini explica que a exportação de bovinos vivos por via marítima também impacta negativamente o meio ambiente, a qualidade do ar, os ecossistemas marinhos e propicia a propagação de doenças. “A exportação de animais vivos gera riscos para os ecossistemas marinhos, para a segurança da navegação e a segurança portuária. Ela também impacta a qualidade do ar nas cidades onde ocorrem os embarques. Além disso, é um potencial vetor de transmissão de doenças de origem zoonótica”, elenca Sturaro.
Segundo o jornal britânico The Guardian, estima-se que a chance de um navio que transporta animais vivos naufragar e causar um acidente ambiental ou marítimo é duas vezes maior do que a de outros navios mercantes, como já aconteceu anteriormente em diferentes locais do mundo, inclusive no Brasil.
Em 2015, um navio com mais de 5 mil bois tombou e afundou no porto de Vila do Conde, em Barcarena, no Pará. A maior parte dos animais embarcados morreu afogada e seus corpos em decomposição e o óleo que vazou do navio poluíram rios e praias, o que causou sérios prejuízos para a subsistência e para a saúde das comunidades locais. A tragédia, que completa 10 anos em 2025, comprometeu a operação do porto, resultando na queda de 70% nas exportações no primeiro ano após o acidente. Um dos berços de atracação segue bloqueado com a carcaça do navio e dois berços adjacentes tiveram a sua capacidade operacional prejudicada. Segundo o relatório Exportação Vergonha, estima-se que o prejuízo causado pelo naufrágio chegue a mais de 200 milhões de reais.
Tema em debate no país
Hoje, quatro projetos de lei que visam proibir ou restringir a exportação de animais vivos no Brasil tramitam no Congresso Nacional. Para a MFA, as propostas refletem a pressão da sociedade civil e de organizações de defesa animal sobre o tema.
Confira o que cada projeto prevê e a tramitação de cada um:
PL 3093/2021: proíbe a exportação de animais vivos para abate no exterior, de autoria da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado. Situação: aguardando inclusão em Ordem do Dia dos Requerimentos;
PLP 23/2024: veta a isenção tributária para exportação de animais vivos. Situação: pronta para pauta na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara (CMADS), já que possui parecer pela aprovação do relator, deputado Duda Salabert (PDT-MG), desde 29/05/2025;
PL 786/2024: aumenta a alíquota mínima do imposto de exportação de animais vivos para 50% (cinquenta por cento). Situação: Aguardando Parecer do(a) Relator(a) na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara (CMADS);
PL 2627/2025: projeto apresentado em 28/05/2025 que institui o Programa para a Redução Progressiva da Exportação de Animais Vivos para Abate, com o objetivo de eliminar progressivamente a exportação de animais vivos para fins de abate, com cronograma e plano de diminuição para pôr fim à prática no Brasil. Situação: Aguardando Despacho do Presidente da Câmara dos Deputados
Além dos projetos, uma ação civil pública movida pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal também tramita na justiça desde 2017. A entidade alegou que a atividade para o abate em países no exterior é feita de modo inerentemente cruel.
Na primeira instância, a Justiça acatou o pedido do Fórum para suspender a exportação de animais vivos em todos os portos do Brasil. Porém, a decisão só valeria se fosse acatada em segundo grau – o que não ocorreu. O Fórum Animal vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Países como o Reino Unido, Alemanha, Luxemburgo, Nova Zelândia e Índia já adotaram medidas para acabar ou restringir a atividade em seus territórios.
Insegurança patrimonial encarece produção da indústria e piora competitividade, diz CNI
Segundo pesquisa, 62% dos industriais apontam aumento dos custos finais devido às despesas com segurança no transporte e 45% com investimentos gerais em proteção
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Empresários da indústria brasileira afirmam que aviolência e os gastos com proteção patrimonial têm elevado os custos de operação no país. Segundo pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 62% das empresas do setor apontam aumento dos custos finais devido às despesas com segurança no transporte, enquanto 45% afirmam que os investimentos gerais em segurança encarecem o preço dos produtos.
Além disso, 81% dos industriais consideram que a insegurança contribui para agravar o chamado Custo Brasil — conjunto de entraves burocráticos, estruturais e econômicos que elevam os custos de produção e reduzem a competitividade do país.
Segundo o assessor especial da CNI, Cássio Borges, os recursos destinados à proteção patrimonial acabam substituindo investimentos na indústria.
“Ao invés de fazer investimentos em tecnologia e inovação, o empresário brasileiro precisa destinar parte de seus recursos para a prevenção de ilícitos, como contratação de seguros, segurança armada privada, escoltas. Além disso, há a própria perda da mercadoria e dos insumos que são utilizados na produção”, destaca.
De acordo com o especialista, os gastos adicionais com segurança comprometem a competitividade da indústria nacional no mercado internacional.
“Isso acaba por onerar demasiadamente o produto nacional, tornando pouco competitivo frente a produtos estrangeiros, além de dificultar a inserção das empresas brasileiras no mercado internacional”, avalia.
Os resultados do levantamento foram apresentados nesta terça-feira (9), durante audiência pública da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e de Combate à Pirataria, na Câmara dos Deputados.
Mercado ilegal
Além de elevar os custos operacionais e o preço final dos produtos, a insegurança patrimonial também fortalece o mercado ilegal. Para 53% dos empresários entrevistados, ameaças ao patrimônio das empresas impulsiona significativamente a circulação de mercadorias roubadas e a expansão da economia informal. Como consequência, 32% avaliam que os impactos negativos sobre a competitividade são muito elevados.
“O roubo de cargas só acontece porque há quem compre mercadoria ilegal decorrente do ilícito. E, a partir dessa compra, há necessariamente uma revenda gerando esse mercado ilegal”, afirma Borges.
“No final das contas, há uma concorrência desleal, porque esses produtos são colocados no mercado com preços reduzidos, obviamente, porque não pagam impostos, taxas, contribuiçõese todos os encargos que são típicos de produtos vendidos regularmente”, acrescenta.
Perigo nas estradas
O estudo também revela que uma em cada cinco indústrias (20%) foi vítima de roubo ou furto de cargas rodoviárias nos últimos cinco anos. As rodovias concentram a maior parte das ocorrências: 68% dos casos aconteceram nas estradas, percentual muito superior ao registrado em áreas urbanas ou em armazéns.
Entre os itens mais visados pelos criminosos estão:
fios e cabos (60%);
ferramentas (31%);
máquinas e equipamentos de produção (23%).
Segurança cibernética
A pesquisa também acende um alerta para a segurança digital. Um em cada seis empresários industriais relatou ter sofrido algum incidente cibernético — como vazamento de dados ou ataques de ransomware (sequestro de dados) — nos últimos cinco anos. Entre as empresas afetadas, 30% registraram prejuízos financeiros decorrentes de fraudes ou do pagamento de resgates de dados.
Para proteger dados sensíveis e reforçar a segurança digital, as empresas têm adotado diferentes medidas. Entre elas:
75% realizam backups periódicos dos dados;
67% investem em softwares de segurança;
45% adotam políticas de controle de acesso e senhas mais robustas;
38% promovem treinamento para funcionários;
34% contratam equipes internas ou externas especializadas em cibersegurança
Para Cássio Borges, a segurança cibernética deixou de ser apenas uma questão tecnológica e passou a ocupar posição estratégica dentro dos negócios.
“Diante de sistemas de produção inovadores e tecnológicos, que podem ser paralisados a partir do ataque de hackers e o furto de dados pessoais, a questão deixou de ser vista meramente sob o ponto de vista técnico e passou a ser estratégico”, afirma.
Percepção sobre insegurança
A pesquisa também investigou a percepção dos industriais em relação às políticas públicas voltadas para a segurança. Apenas 4% dos entrevistados afirmaram ter percebido melhora no cenário de segurança nos últimos cinco anos.
Diante desse contexto, 54% dos empresários defendem o aumento do policiamento em áreas industriais como principal medida governamental, enquanto 53% cobram reforço da segurança ostensiva em rodovias e no transporte de cargas.
Resultado da lotofácil 3706 de terça-feira (09/06/2026)
O sorteio da Lotofácil 3706 ocorre na noite desta terça-feira (09), no ESPAÇO DA SORTE em São Paulo (SP)
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O concurso 3706 da Lotofácil foi realizado nesta terça-feira (09/06/2026), no Espaço da Sorte, em São Paulo, e divulgado pela Caixa Econômica Federal. 5 apostadores acertaram as 15 dezenas e levaram para casa o prêmio de R$ 341.029,77. Os bilhetes premiados foram adquiridos em Senador Canedo (GO), Luisburgo (MG), Rondonópolis (MT), Curitiba (PR) e Ibiuna (SP).
O prêmio estimado para o próximo concurso da Lotofácil, de número 3707, que será realizado na quarta-feira, 10 de junho de 2026, está estimado em R$ 2.000.000,00. Aproveite a oportunidade e faça sua aposta para concorrer!
A aposta mínima, de 15 números, custa R$ 3,50 com chance de 1 em 3.268.760 e a máxima custa R$ 46.512 com chance de 1 em 211.
Quantidade de números jogados
Valor da aposta
15
R$ 3,50
16
R$ 48,00
17
R$ 408,00
18
R$ 2.448,00
19
R$ 11.628,00
20
R$ 46.512,00
Quando acontecem os sorteios da Lotofácil
De segunda-feira a sábado, às 21h.
Facilite sua aposta na loteria com Surpresinha e Teimosinha
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Prefere insistir nos seus números da sorte? Aposte com a Teimosinha e concorra com a mesma combinação por 3, 6, 12, 18 ou 24 concursos seguidos, aumentando suas chances de ganhar sem precisar refazer a aposta a cada sorteio.
Confira aqui o resultado do sorteio que ocorre nesta terça-feira (09), no Espaço da Sorte, em São Paulo (SP)
Índice
O sorteio da Mega-Sena concurso 3016 acontece nesta terça-feira, 09 de junho de 2026, a partir das 21h (horário de Brasília). Realizado pela Caixa Econômica Federal, o evento será transmitido ao vivo pelas redes oficiais. Acompanhe aqui a cobertura completa e confira os números assim que forem divulgados oficialmente.
Números sorteados Mega-Sena 3016
55 – 52 – 19 – 33 – 11 – 60
Como jogar na Mega-Sena
Para participar, basta escolher de 6 a 15 números entre os 60 disponíveis no volante. A aposta mínima custa R$ 5,00, e quanto mais números você marcar, maior o preço — mas também maiores as chances de ganhar. Os sorteios acontecem três vezes por semana, às terças, quintas e sábados, sempre às 21h (horário de Brasília).
Probabilidades de acerto
Números apostados
Probabilidade de acertar 6 dezenas
6 números
1 em 50.063.860
7 números
1 em 7.151.980
8 números
1 em 1.787.995
9 números
1 em 595.998
10 números
1 em 238.399
15 números
1 em 10.003
Bolão
Para aumentar as chances de ganhar, é possível participar de bolões organizados pelas lotéricas ou formar um grupo de apostas. O valor mínimo por cota é de R$ 6,00, e o bolão pode ter de 2 a 100 cotas.
Facilite sua aposta na loteria com Surpresinha e Teimosinha
Quer apostar sem complicação? Use a Surpresinha e deixe o sistema escolher os números para você — uma forma prática e rápida de participar dos sorteios.
Prefere insistir nos seus números da sorte? Aposte com a Teimosinha e concorra com a mesma combinação por 2, 3, 4, 6, 8, 9 ou até 12 concursos seguidos, aumentando suas chances de ganhar sem precisar refazer a aposta a cada sorteio.
Curiosidade: para onde vai o dinheiro arrecadado?
Parte da arrecadação das apostas da Mega-Sena é destinada a programas sociais do governo federal, como:
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