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Em Atalaia do Norte, população convive com desemprego e violência

Apenas 7% da população de 15 mil habitantes estava ocupada em 2020

Em Atalaia do Norte, população convive com desemprego e violência

Para ingressar no Vale do Javari, o visitante precisa percorrer algumas cidades do Amazonas. Depois de chegar a Tabatinga, onde fica o aeroporto mais próximo, é preciso pegar uma embarcação para Benjamin Constant e, de lá, um carro para Atalaia do Norte. Tudo isso em meio à imensidão da maior floresta tropical do mundo e próximo à Tríplice Fronteira Amazônica, região de intensos conflitos por conta do tráfico de drogas e de interesses fundiários.

A distância entre os municípios de Benjamin Constant e Atalaia do Norte, onde fica a sede da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), é de cerca de meia hora de carro, quando não há chuva para atrasar a viagem.

Nos arredores e na estrada que liga as duas cidades o que não faltam são símbolos de quem detém o poder: loja maçônica, unidade da Igreja Universal do Reino de Deus, da Assembleia de Deus e de outras congregações religiosas estão sempre presentes na paisagem.

Ainda na estrada, um tuk-tuk, espécie de triciclo motorizado, esmaga latinhas de refrigerante e cerveja, na pista de sentido contrário. Uma escavadeira revolve lixo jogado sobre a grama, a céu aberto, em meio a urubus. No extremo Norte do país, é possível constatar que Atalaia divide alguns dos problemas vistos em grandes centros urbanos.

A paisagem muda pouco, na comparação com Tabatinga, aonde chegam e de onde partem catraias, pequenas embarcações que parecem lanchas, rasgando o rio. Em Atalaia, a maioria de casas é de madeira. Algumas são de palafita, que ficam sobre uma água escura. Perto do porto, quando o comércio vai dando as caras, há mais imóveis com vidros nas janelas, o que, depois de uma caminhada para o interior da cidade, mostra-se uma raridade. Não há bueiros por onde se pode escoar a água das chuvas. E é grande o número de imóveis com construção pela metade.

Atalaia do Norte é a cidade natal das irmãs Karla* e Patrícia*, que vivem na pele alguns dos dramas que atingem o município. Karla é vítima de violência doméstica e conta que, quando convivia com o marido, era agredida de forma constante e impedida de trabalhar por ciúmes excessivos.

Depois de diversos episódios, ela decidiu denunciar o companheiro, que foi levado pela polícia à delegacia. Na unidade, ele cometeu suicídio. Karla conta que tem dificuldade de aceitar o fato e que sentiu um julgamento, por parte da sociedade local, pela morte do marido.

“No dia em que aconteceu, ele estava quebrando tudo dentro de casa, e as minhas duas crianças presenciando tudo. Foi quando eu falei que ia ligar para a polícia, porque ele não estava nem ouvindo a mãe dele, que tentou acalmá-lo. Foi quando vieram, ele estava detido”, relembra.

“Quando voltaram, me deram a notícia de que ele tinha se suicidado, sendo que ninguém viu. A gente saiu daqui [da cidade de Atalaia]. É como se eu tivesse matado ele. À noite, os policiais me levaram pra Benjamin, pelo rio, porque falaram que algumas famílias estavam atrás de mim, para me matar. Quando cheguei, minha tia me escondeu, como se eu realmente tivesse feito aquilo. Já iam me mandar para o Peru. Eu vi pouca coisa do velório dele”, relata.

Karla comenta que tinha intenções de se separar do marido, quando fez a denúncia, e que as agressões tiveram início durante a gravidez do primeiro filho, que tem 8 anos de idade, quatro de diferença do mais novo. Ela afirma também que, na época, não tinha noção da dimensão da violência a que o marido a sujeitava.

“Minha mãe sabia, mas eu ligava e ela falava que isso só ia aumentando. A gente se separava, eu acabava voltando. Ela falava que aquilo ali, uma hora, ia dar em tragédia”, acrescenta. “Aqui ainda acontece muito esse tipo de violência, por mais que seja inacreditável.”

Depois da morte do marido, que completou 3 anos, Karla decidiu fazer um curso técnico de enfermagem. Contudo, ainda enfrenta obstáculos para conseguir um emprego – que ela atribui, em parte, ao imaginário da sociedade local de que ela seria a culpada pela trágica morte do companheiro. Pesam também fatores como o índice de desemprego da região e a ocupação de vagas por indicações políticas.

No currículo de Karla, constam apenas bicos, nada de carteira assinada. Um retrato que também é visto nos dados oficiais do país. Em 2022, o número de pessoas sem carteira de trabalho assinada aumentou 14,9% em relação a 2021 e chegou a 12,9 milhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em Atalaia do Norte, apenas 7% da população de 15 mil habitantes estava ocupada em 2020, segundo o IBGE.

Para garantir comida na mesa aos dois filhos, ela recebe auxílio estadual. “Vontade de sair daqui, já tive”, desabafa. “Aqui é muito sobre política.”

Violência sexual

Enquanto aguarda um emprego para garantir autonomia financeira, Karla conta com o apoio da família. Sua irmã, um ano mais nova, é uma das pessoas que garantem esse suporte, mas que também enfrenta dificuldades para conseguir espaço no mercado formal de trabalho.

Patrícia foi para o Peru duas vezes em busca de oportunidades de emprego.

A primeira vez, em 2014, durou pouco, por falta de uma rede de contatos no país vizinho. Na segunda tentativa, em 2019, ela conheceu o atual marido. Juntos, abriram uma confecção de roupas que foi à falência. Para tentar salvar o negócio, pegaram dinheiro emprestado de um agiota, mas não conseguiram ter sucesso.

Hoje, Patrícia tem como fonte de renda o dinheiro que junta com a venda de bolos. “É difícil ele [o marido] conseguir emprego aqui, ele não fala o idioma”, conta.

Além da semelhança com relação à falta de perspectiva profissional, as irmãs dividem um triste histórico: são vítimas de violência de gênero. Patrícia conta que começou a sofrer abuso sexual, por parte de um vizinho, aos 8 anos. Mas não consegue se lembrar de quando as agressões terminaram. Seu único filho, de 11 anos, é fruto de estupro.

Hoje, Patrícia faz acompanhamento psicológico. “Eu procurei ajuda porque chegou um tempo em que eu pensei em tirar a minha vida, por conta desse assunto, porque as pessoas sempre me fazem sentir culpada por isso.”

Para ela, políticas públicas de proteção a crianças e adolescentes são fundamentais para evitar que casos como o seu se repitam. “Às vezes, a pessoa não é presa, por falta de provas. Mas que provas? A pessoa está ali contando a história dela. Ninguém vai inventar isso”, acrescenta.

Ao longo da última década (2012 a 2021), 583,1 mil pessoas foram vítimas de estupro e estupro de vulnerável no Brasil, segundo os registros das polícias. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, apenas em 2021, 66.020 boletins de ocorrência de estupro e estupro de vulnerável foram registrados no Brasil, taxa de 30,9 por 100 mil e crescimento de 4,2% em relação ao ano anterior.

A violência sexual no Brasil é, na maioria das vezes, um crime perpetrado por algum conhecido da vítima, parente, colega ou mesmo o parceiro íntimo: 8 em cada 10 casos registrados no ano passado foram de autoria de um conhecido, segundo o Anuário. O fato de o autor ser conhecido da vítima torna o crime ainda mais complexo e a denúncia, um desafio para as vítimas.

No Brasil, 9 em cada 10 vítimas de estupro tinham no máximo 29 anos quando sofreram a violência sexual. Há ainda forte concentração desse crime na infância: 61,3% de todas as vítimas eram crianças e adolescentes entre 0 e 13 anos.

Depois da publicação desta reportagem pela Agência Brasil, a prefeitura de Atalaia do Norte emitiu nota na qual repudia a matéria afirmando que utiliza “dados obsoletos e imprecisos e situações pontuais para criar uma realidade que não é verdadeira”. A nota, entretanto, não fornece dados atuais.

“Todos sabem que Atalaia do Norte tem avançado significativamente nos últimos anos, desde que a atual gestão assumiu a administração do município em janeiro de 2021. Atalaia do Norte foi recebida pelos gestores em situação de abandono e paralisação dos serviços públicos mais básicos, tomada pelo lixo nas ruas, vias esburacadas e sem pavimentação, sem iluminação pública de qualidade, segurança pública precária, obras inacabadas, salários em constante atraso, baixo investimento em cultura e turismo, sem políticas públicas para os indígenas, dentre outras áreas desassistidas totalmente pelas gestões anteriores. Vale ressaltar que os dados utilizados na matéria sobre desemprego se referem ao período anterior a atual gestão”, afirma a nota.

*Nomes trocados para preservar a identidade das entrevistadas. // *Matéria atualizada às 17h15 do dia 6 de março para inclusão de posicionamento do município de Atalaia do Norte.

Edição: Lílian Beraldo

Fonte: EBC

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CNI: tarifas dos EUA derrubam exportações de 20 estados brasileiros

Entidade aponta queda de 8,7% nas vendas de produtos industriais aos Estados Unidos e alerta para perdas industriais decorrentes da nova tarifa adicional

CNI: tarifas dos EUA derrubam exportações de 20 estados brasileiros

No primeiro semestre de 2026, 20 dos 27 estados brasileiros registraram queda nas exportações para os Estados Unidos, reflexo das tarifas adicionais impostas pelo governo norte-americano desde o ano passado. A retração foi impulsionada pela redução de 8,7% nas vendas de produtos industriais, sobretudo de semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e semimanufaturados de outras ligas de aço. Os dados são da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

Na última quarta-feira (15), o governo dos Estados Unidos anunciou uma nova tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, que passa a valer a partir do próximo dia 22 de julho, decorre de uma investigação iniciada em julho de 2025 com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana

Em junho deste ano, o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu que práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao etanol e combate ao desmatamento seriam restritivas ao comércio estadunidense. 

Com base nessa avaliação, o governo norte-americano decidiu aplicar a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, preservando uma lista de 2.126 códigos tarifários. Entre os itens isentos da medida estão café, suco de laranja e carne

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos já são percebidos pela indústria brasileira e tendem a se intensificar com a nova sobretaxa.

“Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram”, afirma.

Estados mais afetados pela tarifa adicional

Apesar da queda nas exportações, os Estados Unidos seguem como o principal destino dos produtos da indústria de transformação brasileira no primeiro semestre de 2026. Por isso, a CNI avalia com preocupação o anúncio da nova tarifa de 25%, que tende a ampliar os impactos sobre a competitividade da indústria nacional e sobre os estados mais dependentes do mercado norte-americano. 

Confira as unidades federativas mais afetadas pela tarifa adicional de 25% e a parcela das exportações do setor sujeito à nova tarifa:

Estado Valor exportado aos EUA de Jan a Jun de 2026 (US$) Variação 26-25 % dos EUA nas exportações do estado
São Paulo 6,0 bi -4,3% 17,1%
Rio de Janeiro 2,9 bi 15,4% 10,3%
Minas Gerais 1,9 bi -18,9% 8,6%
Espírito Santo 1,4 bi -19,2% 27,5%
Rio Grande do Sul 744,3 mi -22,6% 7,6%
Santa Catarina 582,9 mi -32,9% 9,5%
Paraná 499,6 mi -32,9% 4,2%
Goiás 462,5 mi 42,1% 6,6%
Pará 416,7 mi -31,4% 3,2%
Bahia 373,2 mi -14,0% 6,3%
Mato Grosso do Sul 371,0 mi 13,7% 6,3%
Ceará 349,8 mi -36,9% 33,4%
Maranhão 332,9 mi -0,6% 14,8%
Mato Grosso 209,6 mi 25,8% 1,1%
Rondônia 127,9 mi 49,1% 6,2%
Sergipe 94,3 mi -35,9% 52,3%
Pernambuco 35,9 mi -33,4% 3,6%
Amazonas 35,8 mi -2,6% 6,1%
Rio Grande do Norte 27,0 mi -72,0% 4,2%
Tocantins 19,0 mi -52,1% 1,0%
Alagoas 15,5 mi -64,9% 4,4%
Piauí 11,6 mi -17,7% 2,4%
Paraíba 10,3 mi 5,9% 15,8%
Distrito Federal 5,5 mi 34,2% 3,0%
Amapá 2,8 mi -41,2% 4,0%
Acre 1,5 mi -62,8% 2,4%
Roraima 0,2 mi -33,7% 0,2%

Intensificação do diálogo

A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, afirma que a ampliação da lista de produtos isentos da tarifa adicional reflete o trabalho conjunto realizado pelos setores privados brasileiro e norte-americano ao longo da investigação conduzida pelos Estados Unidos. 

“Por um lado, a ampliação das isenções trouxe alívio para os setores contemplados. Mas do ponto de vista geral da indústria, ainda está longe do cenário ideal, porque uma série de setores continuarão sendo taxados com uma alíquota adicional bem maior do que eles enfrentam hoje em dia”, diz.

Segundo Negri, mais de 50% das exportações brasileiras dos setores de madeira, minerais não metálicos e produtos químicos, por exemplo, passaram a enfrentar tarifas adicionais de, no mínimo, 25%

A especialista alerta que os impactos vão além do comércio exterior. “Se levarmos em consideração que as exportações brasileiras para os Estados Unidos são aquelas que mais geram emprego no Brasil, estamos diante de um cenário no qual a competitividade da indústria brasileira será colocada em risco e sob uma pressão adicional”, avalia.

Para a gerente da CNI, a prioridade deve ser intensificar o diálogo entre os dois países para buscar uma solução negociada. “É necessário intensificar o diálogo para se atingir um consenso com os Estados Unidos, para que possa ser revertido esse cenário atual, onde são gerados prejuízos para o lado brasileiro e os Estados Unidos”, orienta.

Negri acrescenta que a indústria brasileira segue atuando em parceria com o governo federal, fornecendo análises técnicas sobre os impactos das tarifas e discutindo alternativas para reduzir os efeitos da medida sobre a competitividade das exportações brasileiras

Governo brasileiro repudia tarifa

O governo brasileiro repudiou a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, o governo afirma que não reconhece a legitimidade da investigação que embasou a medida e argumenta que o processo não encontra respaldo nas regras do sistema multilateral de comércio. O texto também sustenta que não há justificativa para a adoção de medidas unilaterais contra o Brasil

“O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”, afirma a nota.

O comunicado informa ainda que o Brasil recorrerá aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica e voltará a acionar o mecanismo de solução de conflitos da Organização Mundial do Comércio (OMC)

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Mais de 4 mil produtos brasileiros podem sofrer tarifa de até 37,5% para entrar nos EUA

Estudo da CNI estima impacto sobre US$ 14,9 bilhões em exportações e alerta para prejuízos às cadeias produtivas dos dois países

Mais de 4 mil produtos brasileiros podem sofrer tarifa de até 37,5% para entrar nos EUA

Um total de 4.187 produtos brasileiros, equivalentes a US$ 14,9 bilhões em exportações, poderão ser afetados, caso o governo dos Estados Unidos confirme novas tarifas de importação sobre o Brasil. A estimativa é da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Atualmente, esses produtos já estão sujeitos a uma tarifa adicional de 10%, aplicada com base na Seção 122 da legislação comercial norte-americana e válida até 24 de julho

Antes de decidir sobre novas medidas, o governo dos Estados Unidos realizará, nesta semana, audiências públicas para discutir duas propostas que podem ampliar a tributação sobre produtos brasileiros. A primeira decorre da investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da legislação comercial americana e prevê uma tarifa adicional de 25%. A segunda faz parte de uma investigação sobre trabalho forçado, que abrange diversos países, incluindo o Brasil, e propõe uma sobretaxa de 12,5%

Se ambas forem implementadas, os produtos sujeitos às duas medidas passarão a enfrentar uma tarifa total de 37,5% — um acréscimo de 27,5 pontos percentuais em relação à alíquota atualmente em vigor. Dos itens potencialmente atingidos, 62% são bens intermediários utilizados como insumos em cadeias produtivas

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que a medida atingirá principalmente produtos manufaturados, com impactos sobre a indústria brasileira e também sobre empresas norte-americanas que utilizam esses bens

Repor produtos manufaturados sempre é muito mais complexo do que repor commodities no mercado internacional, porque tem especificações de cada país, de cada região e de cada demanda. Isso nos preocupa bastante e, por isso, estamos colocando todos os esforços possíveis para termos o melhor resultado”, afirma. 

Segundo Alban, a expectativa da indústria é reverter as propostas ou ampliar a lista de exceções para reduzir significativamente o universo de mais de 4 mil produtos afetados. 

Prejuízo para Brasil e Estados Unidos 

Entre os 13 principais produtos brasileiros que poderão ser atingidos pela tarifa acumulada de 37,5%, o Brasil é o principal fornecedor do mercado norte-americano em 11 deles

Produto sujeito a sobretaxa de até 37,5% Principais exportadores para os EUA (Market Share)
Ferro-gusa não ligado 1 – Brasil (73,3%)
2 – Ucrânia (17,9%)
3 – África do Sul (2,9%)
Açúcar de cana em forma sólida, bruto 1 – Brasil (52,9%)
2 – México (31,6%)
3 – El Salvador (5,5%)
Sebo não comestível 1 – Brasil (37,5%)
2 – Canadá (21,3%)
3 – Austrália (19,1%)
Álcool etílico não desnaturado 1 – Brasil (72,3%)
2 – Canadá (18,5%)
3 – África do Sul (6,9%)
Molduras de madeira padrão de pinho 1 – Brasil (59,4%)
2 – México (13,5%)
3 – Vietnã (8,6%)
Tabaco curado por fumaça ou processado 1 – Brasil (72,0%)
2 – Zimbábue (17,6%)
3 – Filipinas (3,2%)
Peptonas e seus derivados 1 – Brasil (33,1%)
2 – União Europeia (23,2%)
3 – China (20,5%)
Compensado de pinus 1 – Brasil (99,6%)
2 – Chile (0,4%)
Granito monumental ou de construção 1 – Brasil (48,9%)
2 – Índia (23,9%)
3 – União Europeia (15,7%)
Estacas, paliças, postes e trilhos de madeira 1 – Brasil (57,8%)
2 – China (30,9%)
3 – Canadá (5,3%)
Hidróxido de alumínio 1 – Brasil (47,5%)
2 – União Europeia (18,0%)
3 – Canadá (17,0%)

Fonte: elaborado pela CNI com base em estatísticas da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC). A análise utiliza dados de 2024 como ano-base para capturar a estrutura das exportações brasileiras aos EUA antes das alterações nos fluxos comerciais decorrentes das medidas tarifárias. 

Para Alban, isso demonstra que as medidas também poderão prejudicar a economia dos Estados Unidos.

O Brasil é deficitário na balança comercial com os Estados Unidos. Nós temos uma relação de complementaridade importante para ambos os lados. Em 11 dos 13 maiores produtos de exportação que serão afetados, o Brasil é o principal fornecedor para os Estados Unidos. Ou seja, a medida também afeta os interesses norte-americanos”, destaca.

CNI acompanha audiências em Washington

O embaixador brasileiro Roberto Azevêdo representará a CNI na audiência pública marcada para esta terça-feira (7), em Washington (EUA), sobre a proposta de tarifa adicional de 25%. Dos 80 inscritos para participar, 66 deverão se manifestar contra a medida. 

A investigação foi aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. Em junho deste ano, o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu que práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao etanol e combate ao desmatamento seriam restritivas ao comércio dos Estados Unidos.

Como resultado, foi proposta uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções para 1.698 códigos tarifários, entre eles, café, suco de laranja e carne

Alban contesta os fundamentos da investigação e afirma que não há evidências de discriminação contra os Estados Unidos

“Um dos pontos levantados é o desmatamento. Em 2025, o Brasil registrou uma redução de cerca de 61% no desmatamento. É óbvio que, lamentavelmente, poderá ter um contexto geopolítico envolvido nessa decisão. Por isso, esperamos que nossos representantes consigam sensibilizar [as autoridades americanas] com argumentos técnicos”, diz. 

Paralelamente, o USTR concluiu uma investigação sobre trabalho forçado envolvendo quase 90 países. O Brasil foi incluído entre as nações que, segundo o órgão, não adotam ou não aplicam de forma efetiva restrições à importação de produtos fabricados com trabalho forçado

Nesse caso, a proposta é aplicar uma tarifa adicional de 12,5%, com isenção para 1.655 códigos tarifários. Quando as duas medidas incidem simultaneamente sobre determinados produtos, a sobretaxa pode chegar a 37,5%

Alban defende que o governo brasileiro conduza as negociações de forma técnica, sem politizar o debate

“Queremos que o governo brasileiro faça sua parte de forma competente e técnica, sem envolver aspectos políticos, para que possamos manter uma relação comercial normal, estável e crescente com os Estados Unidos.” 

A expectativa é de que a decisão final seja anunciada até 15 de julho. Mesmo em caso de resultado desfavorável, Alban afirma que a CNI continuará atuando junto ao governo brasileiro e às autoridades americanas para revisar as medidas e ampliar a lista de produtos isentos das tarifas

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Fórum Brasil-União Europeia fortalece agenda de investimentos e cooperação econômica

Transição energética, infraestrutura digital, minerais críticos e economia de dados estiveram no centro dos debates promovido pela ApexBrasil

Fórum Brasil-União Europeia fortalece agenda de investimentos e cooperação econômica

A transformação do Brasil de exportador bruto de matérias-primas em um polo de processamento industrial sustentável, com maior valor agregado, esteve no centro dos debates do II Fórum de Investimentos Brasil-União Europeia, realizado na última semana pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a União Europeia, em colaboração com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI).

O encontro reuniu autoridades, empresários e especialistas para discutir os desafios e as oportunidades da cooperação entre Brasil e União Europeia em áreas estratégicas, como transição energética, infraestrutura digital e inteligente, minerais críticos, economia de dados e cadeias de valor sustentáveis. Os debates seguiram as diretrizes da agenda Global Gateway, estratégia da União Europeia que prevê mobilizar até 300 bilhões de euros em investimentos sustentáveis em infraestrutura entre 2021 e 2027

A cerimônia de abertura contou com a participação do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Fernando Elias Rosa; da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; do comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela; do presidente da ApexBrasil, Laudemir André Müller; além de outros ministros de Estado e integrantes da comitiva diplomática europeia. 

Na ocasião, Jozef Síkela afirmou que o fórum simboliza uma parceria baseada em benefícios mútuos, prioridades compartilhadas e impactos de longo prazo

“Estou aqui por um motivo: fortalecer a parceria entre a União Europeia e o Brasil. Nesta sala estão inovadores e líderes, tanto do Brasil quanto da União Europeia, capazes de transformar ideias em oportunidades e investimentos em crescimento, segurança e empregos. Considerem este fórum um espaço onde acordos concretos podem acontecer”, disse. 

Acordo Mercosul-União Europeia

Um dos destaques da programação foi a análise técnica do Acordo Mercosul-União Europeia. Especialistas apresentaram estudos sobre os impactos macroeconômicos da parceria e as oportunidades de redução tarifária para produtos brasileiros, reforçando o potencial do acordo para ampliar a integração comercial entre os blocos

Durante o fórum, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou o papel da agência na atração de investimentos estrangeiros, especialmente de origem europeia, e ressaltou o desempenho recente do Brasil no comércio internacional. 

“No ano passado, o Brasil exportou US$ 348 bilhões, um recorde de exportação. Atraímos US$ 77 bilhões em investimentos estrangeiros. Com a Europa, inclusive, o Brasil teve um recorde no fluxo de comércio de US$ 100 bilhões, mesmo em um momento dos mais complexos do mercado internacional”, afirmou. 

A programação também incluiu painéis sobre Indústria Verde e o programa Global Gateway. Os debates abordaram o potencial brasileiro para atrair recursos destinados à bioeconomia e aos projetos sustentáveis, além das oportunidades de investimentos na modernização da infraestrutura de transportes, dos complexos portuários e da infraestrutura digital do país

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