O estado de São Paulo registrou, no primeiro bimestre de 2026, o menor número de roubos desde o começo da série histórica da Secretaria da Segurança Pública (SSP), iniciada em 2001. Ao todo, foram 26.462 ocorrências em janeiro e fevereiro, uma queda de 24% em relação ao mesmo período de 2025.
A redução foi observada em diferentes modalidades. Os roubos de veículos caíram de 4.562 para 2.743 casos, recuo de 39,9%. Já os roubos de carga diminuíram 32,7%, passando de 669 para 450 registros. No caso de roubos a bancos, não houve nenhuma ocorrência no período.
A queda generalizada dos indicadores criminais em São Paulo no início de 2026 levanta discussões sobre a efetividade das estratégias adotadas na área de segurança pública. Para o especialista em segurança pública Antônio Flávio Testa, os dados apontam para um cenário de redução consistente, sem sinais claros de deslocamento entre diferentes tipos de crime.
“Pelos dados apresentados. houve queda em praticamente todas as práticas ilícitas. Não deve ter tido migração de um tido para outro. A ação do estado parece ter sido efetiva”, considerou.
Segundo Testa, os resultados estão diretamente relacionados à forma como as forças de segurança têm integrado recursos tecnológicos e atuação operacional, ampliando a capacidade de prevenção e resposta.
“Tecnologia e a inteligência policial atuando em conjunto, com treinamento; e a prontidão para antecipar e atender demandas da população, são realmente capazes de produzir resultados concretos”, pontuou.
O especialista também chama atenção para a complexidade das dinâmicas criminais contemporâneas, que vão além do ambiente digital e exigem preparo contínuo por parte das instituições.
“A violência do “novo crime” também é física, e o caráter digital dá a impressão de que o estado anda atrás dos avanços dos criminosos. Mas, na verdade, vários setores do estado estão bem preparados para agir”, afirmou.
Apesar dos avanços apontados pelos dados, Testa avalia que ainda existem obstáculos institucionais que dificultam uma resposta mais abrangente no combate à criminalidade.
“A política e setores do judiciário impedem esse correto enfrentamento. O resultado é esse caos generalizado, enquanto existem pequenas ilhas de excelência no combate ao crime”, completou.
Queda em outros indicadores de criminalidade
Outros indicadores também apresentaram queda. Os homicídios dolosos recuaram 11,3%, passando de 416 para 369 ocorrências. Já os latrocínios — roubos seguidos de morte — caíram 57%, de 28 para 12 casos, atingindo mínimos históricos para o período.
“A redução consistente dos índices criminais em São Paulo é resultado direto de uma atuação firme e orientada por dados. Intensificamos o combate ao crime organizado em todas as regiões, ampliamos o uso de tecnologia e fortalecemos o trabalho integrado das polícias”, disse o secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.
Queda em todas as regiões
A diminuição dos crimes foi registrada de forma generalizada na capital, na Grande São Paulo e no interior.
Na capital paulista, houve o menor número de roubos para o período já registrado, com destaque para a queda de 20% nos roubos de celulares. Foram 8.430 ocorrências em 2026, contra 10.587 no ano anterior — o que representa 2.157 vítimas a menos.
Na região metropolitana, os roubos atingiram o menor patamar em mais de duas décadas. Em fevereiro, não houve registros de latrocínio.
Já no interior do estado, os roubos de carga caíram 44%, alcançando o menor nível desde 2001. Também houve redução nos roubos e furtos de veículos, com índices históricos para o período.
Os furtos acompanharam a tendência de queda, ainda que em ritmo menor. O furto de veículos caiu 13,6%, totalizando 13.014 ocorrências — o segundo menor número da série histórica. No geral, os furtos diminuíram 6,9%, com 86.567 registros.
Estratégia combina policiamento e tecnologia
Segundo a SSP, os resultados são atribuídos a uma estratégia que combina patrulhamento ostensivo da Polícia Militar em áreas com maior incidência criminal e investigações da Polícia Civil focadas na desarticulação de quadrilhas.
Entre as ações recentes, está a quarta fase da Operação Big Mobile, realizada em novembro do ano passado, voltada ao combate à receptação de celulares roubados e furtados. Apenas nessa etapa, 36 pessoas foram presas e mais de 10,8 mil aparelhos apreendidos. Considerando todas as fases da operação, o total supera 38 mil celulares recuperados.
No mesmo mês, a Operação Mobile Strike cumpriu 28 mandados contra outra quadrilha de receptação em seis cidades, incluindo a capital, Guarulhos e Suzano.
No combate ao roubo de cargas, uma ação da Polícia Militar Rodoviária, realizada em setembro de 2025, resultou na prisão de 28 pessoas e no cumprimento de 84 mandados em 19 municípios. Já em dezembro, a Polícia Civil realizou uma operação contra grupos especializados no roubo de cigarros, com participação de prestadores de serviço no esquema.
A base tecnológica dessas ações inclui o programa Muralha Paulista, que integra cerca de 94 mil câmeras públicas e privadas ao banco de dados da SSP. O sistema conta com 20 mil leitores de placas, 7 mil equipamentos de reconhecimento facial e 66 mil dispositivos de monitoramento em tempo real.
Desde sua implantação, a plataforma já gerou mais de 100 mil alertas por leitura de placas e 3,1 mil por reconhecimento facial, cobrindo aproximadamente 61% da população do estado.
Combate ao crime organizado exige mais execução do que novas leis, avaliam especialistas
Programa federal prevê investimentos bilionários e integração nacional, mas delegado e jurista alertam para desafios operacionais
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O Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado na última terça-feira (12) com previsão de R$ 11 bilhões em investimentos, é considerado juridicamente consistente e operacionalmente relevante por especialistas. No entanto, advogados alertam que, sem execução efetiva e integração entre os órgãos de segurança e Justiça, as medidas podem acabar restritas ao discurso político.
A estratégia nacional tem como foco ampliar ações de inteligência, fortalecer o sistema prisional e integrar a atuação da União, estados e municípios no enfrentamento à criminalidade organizada.
A previsão é de cerca de R$ 11,1 bilhões em investimentos, sendo que R$ 1 bilhão virá do orçamento deste ano, enquanto outros R$ 10 bilhões serão disponibilizados por meio de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Com o financiamento, a ideia é ampliar a capacidade de estados e municípios de investir em segurança pública e no sistema prisional.
O especialista em processo penal e em organizações criminosas e maxiprocessos, William Pimentel, avalia que as medidas anunciadas pelo governo possuem densidade operacional. No entanto, alerta que o pacote só produzirá efeitos concretos se houver execução coordenada entre União, estados e demais órgãos do sistema de Justiça.
Segundo o especialista, o programa acerta ao atingir estruturas centrais das facções criminosas, mas ainda corre o risco de se transformar apenas em discurso político sem resultados práticos.
“Tem substância, mas ainda pode virar retórica se não houver execução federal real. O pacote não é vazio, ele acerta quando ataca os quatro pilares materiais de facções criminosas – lucro, arma, homicídio e comando prisional”, diz Pimentel.
“Falta uma legislação que trate a evolução de uma gangue para uma facção, para uma máfia, de uma organização criminosa, até mesmo de um cartel criminoso. Com a legislação atual passa-se a enfrentar parte desse vácuo ao instituir um marco legal para organizações criminosas ultra-violentas, que poderíamos entender aqui como organizações criminosas, sui generis, que têm atos de terrorismo, como a doutrina chama, do tipo mafioso, seria muito mais interessante do que apenas defini-las como ultra violentas. Para mim parece muito mais retórica legislativa”, completa.
Já o delegado de Polícia do Estado de São Paulo, especialista em Inteligência Policial e Segurança Pública e presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP), André Santos Pereira, pondera que a legislação atual do país já dispõe de instrumentos suficientes para o enfrentamento ao crime organizado.
Para o delegado, o principal desafio está na aplicação prática das medidas já previstas em lei – mais do que na criação de novas normas que, sem a execução eficaz, podem ser ineficazes.
“A legislação brasileira já é bastante robusta, mas certamente precisa de alguns aperfeiçoamentos. No entanto, na nossa visão, o que precisamos para enfrentar as organizações, o crime organizado de âmbito transnacional, é muito mais no campo da execução, ou seja, da realização daquilo que já está previsto na lei, do que em alterações legislativas que, realizadas apenas no campo da tese, sem a execução, são medidas inócuas”, destaca André.
Ele pondera, ainda, que tanto o diagnóstico sobre o avanço das organizações criminosas quanto as possíveis soluções para o problema já são conhecidos há anos. Na avaliação do delegado, o momento do anúncio também abre espaço para interpretações políticas sobre a iniciativa do governo.
“Fica registrada essa observação técnica e a leitura no campo político pode ser feita por diversos vieses nesse sentido em relação ao anúncio e ao momento do anúncio desse programa”, avalia André.
Programa Brasil Contra o Crime Organizado
A medida foi formalizada por decreto presidencial e quatro portarias que estruturam os eixos de atuação. A proposta estabelece, ainda, que a adesão dos estados será condição para acesso aos recursos de fundos federais destinados à área e implementação das medidas.
Confira os quatro eixos estratégicos que estruturam o programa:
asfixia financeira das organizações criminosas;
fortalecimento da segurança no sistema prisional;
qualificação da investigação e do esclarecimento de homicídios; e
combate ao tráfico de armas.
As ações contam com medidas operacionais, integração institucional e cronograma de execução ao longo de 2026.
A proposta prevê que o eixo de asfixia financeira fortalecerá as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficcos) nos estados. Também será criada uma unidade nacional para operações interestaduais.
O plano prevê, ainda, a expansão dos Centros Integrados de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos (Cifras), com participação da Receita Federal (RF), do Banco Central (BC), do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e de órgãos estaduais.
Entre as medidas previstas estão o uso de novas tecnologias para análise de fluxos ilícitos e a ampliação da alienação antecipada de bens apreendidos por meio de leilões centralizados.
No sistema prisional, o foco é retomar o controle das unidades. Além disso, o governo espera interromper a atuação de lideranças criminosas.
O eixo de esclarecimento de homicídios focará no endurecimento das polícias científicas e dos institutos médico-legais.
Já em relação ao enfrentamento ao tráfico de armas, será criada a Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Armas (Renarme). A rede contará com operações integradas, mobilizações periódicas e investimentos em tecnologia para rastreamento e análise de fluxos ilícitos.
Eficácia depende de execução
Para André Santos Pereira, o pacote está juridicamente alinhado às normas já existentes no país. “As medidas anunciadas estão resguardadas pela Constituição Federal, bem como podem encontrar também fundamento na lei do Sistema Único de Segurança Pública (Susp). Portanto, no campo jurídico, a gente pode dizer que as medidas anunciadas estão compatíveis com a legislação brasileira”, afirma o delegado.
O especialista em processo penal, William Pimentel, avalia que após três a seis meses de implementação será possível observar efeitos operacionais do pacote do governo e medidas cautelares, além do aumento das fiscalizações. Na avaliação dele, os reflexos mais profundos só poderão ser percebidos no período de três a cinco anos – caso o pacote seja mantido como o anunciado.
“A leitura é uma só: o pacote só será vitorioso se deixar de ser operação de governo e se converter em doutrina permanente de estado contra a soberania criminosa paralela”, pontua Pimentel.
Marco legal do transporte público: prefeituras poderão usar Cide Combustíveis para baixar passagens de ônibus
Texto aprovado pela Câmara também estabelece licitação obrigatória e isenção de pedágio para ônibus do transporte coletivo; projeto vai à sanção
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A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 3278/21 que institui o marco legal do transporte público coletivo urbano. O texto também autoriza o uso de recursos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide-Combustíveis) para subsidiar tarifas do transporte público. A matéria segue agora para sanção presidencial.
A proposta prevê a gratuidade no transporte coletivo para grupos específicos, como idosos e estudantes. Para garantir o benefício sem impacto no valor das passagens pagas pelos demais usuários, União, estados, Distrito Federal e municípios terão prazo de até cinco anos para adequar suas legislações e prever fontes de custeio.
Os recursos deverão vir de subsídios e só poderão ser aplicados após previsão no orçamento público do ente responsável pela concessão do serviço.
Uso da Cide-Combustíveis
A Cide-Combustíveis é uma contribuição incidente sobre atividades de importação e comercialização de petróleo e derivados, gás natural e álcool etílico combustível.
Pelo texto aprovado, a União poderá disponibilizar os recursos arrecadados com a contribuição para subsidiar tarifas do transporte coletivo urbano, auxiliando municípios na manutenção de passagens com preços mais acessíveis para a população.
Entre as diretrizes previstas no projeto estão:
destinação mínima de 60% dos recursos para áreas urbanas;
prioridade de aplicação dos valores arrecadados sobre a gasolina em municípios que adotem programas de modicidade tarifária;
caráter discricionário do subsídio federal, ou seja, cabe ao governo decidir sobre a concessão dos recursos.
O projeto também estabelece isenção de pedágio para ônibus do transporte público coletivo urbano em rodovias administradas por qualquer ente federativo, incluindo serviços intermunicipais, interestaduais e internacionais.
Outras fontes de financiamento
No caso do financiamento da infraestrutura do transporte público coletivo, a União poderá se utilizar de:
contrapartidas de empreendimentos imobiliários e organizadores de eventos em razão de impactos na mobilidade urbana;
benefícios e incentivos tributários;
operações estruturadas de financiamento com recursos públicos, privados e instrumentos do mercado de capitais;
recursos provenientes de bancos de desenvolvimento, créditos de carbono, compensações ambientais e fundos voltados à sustentabilidade e adaptação climática.
Para concessão de benefícios fiscais ou tributários pela União, o beneficiário deverá cumprir critérios ambientais, sociais e de governança (ESG), conforme regulamentação futura.
Licitação obrigatória
O marco legal determina que a exploração do serviço de transporte público coletivo deverá ocorrer obrigatoriamente por meio de licitação. No entanto, o ente federativo responsável poderá contratar serviços complementares de transporte sob demanda, conforme regulamentação local.
O texto ainda proíbe formas consideradas precárias de delegação do serviço, como contratos de programa, convênios, termos de parceria ou autorizações para empresas não estatais.
Tarifa e remuneração
Outro ponto previsto no PL 3278/21 é o fim da relação direta entre a tarifa paga pelo usuário e a remuneração das empresas operadoras. Caso as receitas alternativas previstas em contrato superem o valor necessário para remunerar o operador, o excedente deverá ser revertido em melhorias no serviço.
Os contratos também poderão prever metas de redução de custos operacionais com base em ganhos de produtividade. Mas o retorno financeiro adicional das empresas ficará condicionado à manutenção dos padrões de qualidade e desempenho estabelecidos.
Combate ao transporte ilegal
Em relação ao transporte clandestino de passageiros, o projeto autoriza o poder público a aplicar multas e apreender veículos utilizados irregularmente.
As multas poderão chegar a R$ 15 mil. O recolhimento dos veículos deverá seguir as normas do Código de Trânsito Brasileiro, e a perda poderá ocorrer em casos de reincidência no período de um ano.
Outros detalhes sobre o marco legal do transporte público coletivo urbano, que segue agora para sanção presidencial, estão disponíveis no site da Agência Câmara de Notícias.
Resultado da lotofácil 3685 de quinta-feira (14/05/2026)
O sorteio da Lotofácil 3685 ocorre na noite desta quinta-feira (14), no ESPAÇO DA SORTE em São Paulo (SP)
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Oconcurso 3685 da Lotofácil foi realizado nesta quinta-feira (14/05/2026), no Espaço da Sorte, em São Paulo, e divulgado pela Caixa Econômica Federal. 3 apostadores acertaram as 15 dezenas e levaram para casa o prêmio de R$ 459.970,95.
O prêmio estimado para o próximo concurso da Lotofácil, de número3686, que será realizado na sexta-feira, 15 de abril de 2026, está estimado em R$ 2.000.000,00. Aproveite a oportunidade e faça sua aposta para concorrer!
A aposta mínima, de 15 números, custa R$ 3,50 com chance de 1 em 3.268.760 e a máxima custa R$ 46.512 com chance de 1 em 211.
Quantidade de números jogados
Valor da aposta
15
R$ 3,50
16
R$ 48,00
17
R$ 408,00
18
R$ 2.448,00
19
R$ 11.628,00
20
R$ 46.512,00
Quando acontecem os sorteios da Lotofácil
De segunda-feira a sábado, às 21h.
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