O Ministério da Cultura e a Sudene acabam de lançar o Edital Inova Cultura. O programa vai investir 2 milhões de reais em projetos de inovação e economia criativa nos estados do Nordeste. Também serão beneficiados o norte de Minas Gerais e o norte do Espírito Santo. A ideia é impulsionar negócios culturais e criativos, estimular startups, e fortalecer o desenvolvimento sustentável da região.
Serão selecionadas 10 empresas ou startups com projetos inovadores nos campos da cultura, tecnologia e sustentabilidade. Cada uma poderá receber até 200 mil reais para colocar as ideias em prática.
Segundo a secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura, Cláudia Leitão, o objetivo da parceria é fruto de um acordo de cooperação técnica entre as instituições. “Esse acordo contempla o lançamento de um edital que vai se voltar diretamente aos segmentos culturais e criativos, a uma série de eventos que vamos realizar juntos, a disseminação de informações, de boas práticas para consolidação de políticas públicas, para a economia criativa e para a inovação.”
O Inova Cultura é um passo importante para conectar cultura, tecnologia e economia criativa, valorizando os saberes locais e o talento de quem produz no Nordeste. “A importância é muito grande, porque nós não temos instituições de fomento que reconheçam a economia criativa como um campo de desenvolvimento sustentável, como uma outra, um outro modelo de desenvolvimento para o Brasil. Nós temos tudo no Nordeste para transformarmos o Nordeste no Nordeste criativo”, reitera a secretária.
O edital Inova Cultura faz parte de um acordo entre o Ministério da Cultura e a Sudene, com duração até 2028. A expectativa do MinC é ajudar a transformar ideias criativas em oportunidades reais de trabalho, renda e inovação.
Centro Cultural Banco da Amazônia exibe exposição de Hiromi Nagakura com curadoria de Ailton Krenak, em Belém (PA)
Mostra reúne 82 fotografias inéditas no Brasil registradas pela dupla entre 1993 e 1998; programação é gratuita a partir de 19 de dezembro e contará com visitas, oficinas e rodas de conversas em janeiro de 2026
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No dia 19 de dezembro, o Centro Cultural Banco da Amazônia inaugura a exposição “Hiromi Nagakura até a Amazônia com Ailton Krenak”, em Belém (PA). A mostra reúne 82 fotografias inéditas no Brasil registradas pelo fotógrafo japonês Hiromi Nagakura em viagens realizadas pela Amazônia ao lado do líder indígena, escritor e ambientalista Ailton Krenak entre 1993 e 1998.
Grande parte das fotografias foi feita em viagens de Nagakura e Krenak por aldeias e comunidades indígenas da Amazônia brasileira – como Ashaninka, Xavante, Krikati, Gavião, Yawanawá, Huni Kuin – e ribeirinhas do Rio Juruá, além da região do lavrado, em Roraima. Nas viagens, a dupla percorreu estados como Acre, Roraima, Mato Grosso, Maranhão, São Paulo e Amazonas.
A mostra fotográfica propõe um encontro entre imagem e memória, arte e resistência, território e ancestralidade, como destaca o analista de patrocínio do Banco da Amazônia, Geraldo Monteiro Júnior.
“Ao patrocinar a exposição Hiromi Nagakura até a Amazônia, com Ailton Krenak, o Banco da Amazônia reafirma seu compromisso com o incentivo às diversas expressões artísticas e culturais do nosso país. A exposição convida o público a conhecer de forma sensível e profunda a riqueza e a memória dos povos originários, a partir do olhar de Nagakura e da voz do ativista indígena, Ailton Krenak”, ressalta Geraldo Monteiro Júnior.
Para Ruth Helena Lima, gerente executiva de Marketing, Comunicação e Promoção do Banco da Amazônia, a mostra reforça o compromisso da instituição em aproximar o público da floresta, em consonância com as diretrizes do Centro Cultural Banco da Amazônia.
“A mostra fotográfica oferece uma experiência que não se limita ao campo da arte. É uma oportunidade rara de enxergar a Amazônia não como paisagem distante, mas como presença viva”, diz a gerente.
Diálogos e atividades além da exposição
Entre 12 e 14 de janeiro de 2026, o Centro Cultural Banco da Amazônia promoverá uma programação especial com visitas, oficinas e rodas de conversa com a presença de Krenak, Nagakura e lideranças indígenas. As atividades integram as comemorações do aniversário de Belém, celebrado em 12 de janeiro.
Além do acervo fotográfico, o público conhecerá a obra “Território imemorial ou Hiromi Nagakura até a Amazônia com Ailton Krenak” (2023), criada especialmente pelo artista Gustavo Caboco. A obra apresenta um mapa dos territórios percorridos pela dupla ao longo das expedições.
A exibição permanece aberta ao público até 22 de fevereiro de 2026, com entrada gratuita, no Centro Cultural Banco da Amazônia – localizado no prédio matriz do Banco.
Com curadoria de Ailton Krenak e das curadoras adjuntas Angela Pappiani, Eliza Otsuka e Priscyla Gomes, a exposição já passou por diversas capitais brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Fortaleza.
A mostra é uma realização do Instituto Tomie Ohtake, com patrocínio do Banco da Amazônia e do Governo Federal.
SERVIÇO
Exposição “Hiromi Nagakura até a Amazônia com Ailton Krenak”.
Visitação pública: 19 de dezembro de 2025 a 22 de fevereiro de 2026.
Local: Centro Cultural Banco da Amazônia. Avenida Presidente Vargas, 800 — Campina, Belém (PA).
Horário: De terça a sexta, das 10h às 19h. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 14h.
MinC realiza em Fortaleza o MICBR, um dos maiores mercados de economia criativa do país
Com abertura no dia 3/12, evento do MinC reúne empreendedores de todo o país, recebe a Ibero-América, se une ao Festival Elos e ocupa os equipamentos culturais com programação gratuita
A cidade de Fortaleza vai receber um dos maiores eventos voltados à economia criativa do Brasil. Entre os dias 3 e 7 de dezembro, o Ministério da Cultura realiza na capital cearense a nova edição do Mercado das Indústrias Criativas do Brasil, o MICBR. Neste ano, a região Ibero-América é a convidada de honra.
A abertura oficial será no dia 3, às sete da noite, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes. O evento é totalmente gratuito e aberto ao público.
O MICBR vai reunir 350 empreendedores criativos de todos os estados e do Distrito Federal. Além de expor produtos e serviços, eles vão participar de rodadas de negócios, cursos, mentorias, palestras, show cases e apresentações artísticas.
“O mercado das indústrias criativas do Brasil é um grande evento de negócios do setor produtivo cultural e um dos eixos centrais da política do Ministério da Cultura para impulsionar os mercados criativos”, explica a coordenadora geral de Estratégia Produtiva, da Secretaria de Economia Criativa do Ministério da Cultura, Patrícia Albernaz..
A economia criativa movimenta cerca de 230 bilhões de reais e emprega mais de sete milhões e meio de pessoas no Brasil. São mais de 130 mil empresas formais, representando 7% da força de trabalho do país.
Com isso, o MICBR Ibero-América se consolida como o maior mercado público do setor no Brasil, fortalecendo oportunidades, circulação, profissionalização e internacionalização.
Quinze setores da economia criativa estarão presentes no evento: artesanato, dança, circo, audiovisual e animação, design, teatro, editorial e artes visuais. E também hip-hop, jogos eletrônicos, moda, museus e patrimônio, música, áreas técnicas e gastronomia, com cozinha show.
De acordo com Patrícia Albernaz, “mais do que expressar a diversidade e a identidade do nosso país, esses segmentos movimentam a economia, geram empregos, movem a inclusão e posicionam o Brasil no cenário global da inovação”.
Neste ano, o MICBR Ibero-América se une ao Festival Elos. Entre os dias 4 e 7 de dezembro, a Praia de Iracema será palco para os shows, com atrações musicais de diversos estilos.
Esta edição é uma realização do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, em parceria com a Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI), Governo do Ceará e Prefeitura de Fortaleza.
Seminário em Belém (PA) debate igualdade racial e inclusão social
Encontro reuniu no Centro Cultural Banco da Amazônia pesquisadores, ativistas e lideranças negras para discutir Cabanagem, titulação quilombola e equidade na Amazônia
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O Dia Nacional de Combate ao Racismo, celebrado em 18 de novembro, promoveu reflexões e trocas de saberes em Belém (PA) – com o I Seminário Igualdade Racial, realizado no Centro Cultural Banco da Amazônia. O evento reuniu professores, pesquisadoras e militantes dos movimentos negros para discutir memória, território e identidade negra na Região Amazônica, em meio à exposição internacional Mandela – Ícone Mundial de Reconciliação.
O diretor Corporativo do Banco da Amazônia, Diego Lima, abriu o evento e compartilhou sua trajetória de homem negro, destacando a importância de discutir desigualdades estruturais.
Para Diego, a promoção da equidade é crucial para o respeito à diversidade. “Esse tem sido um trabalho do Banco da Amazônia: promover a mudança social e o respeito às diferenças. O Banco, hoje, oferece crédito, soluções e valorização da cultura, para um caminho mais justo e inclusivo”, afirmou.
Cabanagem além do registro oficial
O primeiro painel teve como tema “Revolução da Cabanagem e protagonismo quilombola – resistência popular e luta por igualdade”. A revolução popular aconteceu entre 1835 e 1840 na Amazônia e os especialistas analisaram o contexto histórico da Cabanagem e seus reflexos na luta quilombola, destacando a participação de negros, indígenas e mestiços na revolução amazônica.
A professora da Universidade Federal do Pará, Magda Ricci, estuda o tema há mais de três décadas e chamou atenção para a diversidade dos cabanos e a necessidade de romper a invisibilidade dentro do movimento. “Estudar a Cabanagem não pode se limitar à visão do Império. Deve-se ir além das fronteiras amazônicas. A invisibilidade provoca grandes distorções na compreensão da natureza dos cabanos”, disse.
Ela destacou, ainda, a importância da semana da consciência negra para fomentar o respeito e a reflexão sobre a diversidade de povos. “Então, é essencial que isso seja mais do que relevante nesta semana. Uma semana que é inclusiva, tem muitos pretos na cabanagem, mas o mais bonito dela é que tem muita diversidade”, afirmou Ricci.
Já o historiador, professor, estudioso do patrimônio histórico, Michel Pinho, salientou que a Cabanagem evidencia os traços da história de Belém, que vão além da cultura indígena. Para ele, os vestígios culturais do período cabano, espalhados por ruas, prédios e espaços públicos, ajudam a compor uma identidade documentada.
Na avaliação do especialista, o debate no Centro Cultural Banco da Amazônia tem papel relevante em destacar a identidade cultural dos cabanos em Belém.
“Abrir esse espaço para uma discussão entre história e cabanagem é fundamental para a gente pensar na participação cidadã. O Banco da Amazônia tem um papel importante em relação a isso, que é garantir às pessoas a pensarem sobre a sua identidade”, ressaltou Pinho.
Titulação quilombola e justiça racial
O segundo painel mostrou a trajetória de Zélia Amador de Deus, uma das principais referências da militância negra no Pará e no Brasil. O tema da apresentação foi “A luta de Zélia Amador de Deus – titulação das terras quilombolas e justiça racial”.
A especialista em direitos quilombolas, Isabel Cabral, destacou o papel da educadora na articulação pela titulação de terras quilombolas e da movimentação popular em prol de melhores condições de vida em todas as esferas.
“A principal importância é mostrar que a organização social é que conquista esses direitos, porque a gente sempre fala que os governantes não acordam do dia para a noite e resolvem atender esses clamores. Não, é a sociedade organizada quem conquista esses direitos. Rever essa história da professora Zélia mostra, principalmente para os jovens que estão hoje se organizando, que esse é o caminho mesmo – é a intercessão também dos direitos à moradia, à terra, à educação”, pontuou.
A advogada e pesquisadora quilombola da comunidade Genipaúba, em Abaetetuba, Flávia Santos, apontou entraves que ainda persistem nos processos de regularização fundiária. Segundo ela, apenas em Santarém e Belém há cerca de 80 processos de titulação parados.
Flávia salientou, ainda, que a titulação contribui para a proteção da floresta e das comunidades. “Território quilombola não titulado é território violado. A titulação é solução para a crise climática”, afirmou.
Resistência, memória e equidade
Já o painel abordou o tema: “Resistência e liderança – Dandara dos Palmares e Nelson Mandela: lutas por liberdade e igualdade” – nomes de peso que atuaram na defesa da liberdade e igualdade.
A ativista do coletivo Sapato Preto, Juliana Miranda, destacou o papel pedagógico dos movimentos negros. “O movimento negro é educador. Mostra o genocídio da população negra e a luta contra o apagamento social. O racismo não é um inimigo distante”, disse.
Para a professora e ativista Sabrina Figueiredo Souza, resistir também é transmitir memória e afirmar identidades. “Não falamos de igualdade, mas de equidade. Não somos todos iguais. Nem queremos ser. Queremos ser respeitados nas nossas diferenças”, afirmou.
Exposição
Em meio à exposição sobre Mandela, o seminário reforçou que as lutas por justiça racial — locais e globais — seguem conectadas.
A mostra “Mandela – Ícone Mundial de Reconciliação”, reúne 50 painéis de fotografias e uma instalação audiovisual para mostrar a trajetória de vida de Mandela desde a infância, passando pela luta contra o apartheid, os 27 anos de prisão e a histórica eleição como o primeiro presidente negro da África do Sul.
A exposição vai até 30 de novembro, com entrada gratuita, no Centro Cultural Banco da Amazônia – localizado no prédio matriz do Banco.
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