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Tecnologia

SENAI e BNDES destinam R$ 22,2 milhões para impulsionar a inovação industrial em 12 UFs brasileiras

Chamada Smart Factory seleciona 50 projetos de tecnologias industriais voltados ao aumento da produtividade de micro, pequenas e médias indústrias

SENAI e BNDES destinam R$ 22,2 milhões para impulsionar a inovação industrial em 12 UFs brasileiras

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovaram 50 projetos de desenvolvimento de tecnologias industriais (veja lista abaixo) que receberão um aporte total de R$ 22,2 milhões por meio da chamada Smart Factory. 

A iniciativa integra o programa Brasil Mais Produtivo (B+P), na modalidade de transformação digital, e tem como objetivo oferecer apoio técnico e financeiro a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) que contribuam para o aumento da produtividade de micro, pequenas e médias indústrias (MPMEs). 

Os R$ 22,2 milhões disponibilizados pelo BNDES e o SENAI correspondem a 70% dos custos dos projetos, enquanto os outros 30% serão financiados pelas empresas desenvolvedoras de tecnologia. Além dos recursos não reembolsáveis, o SENAI também disponibilizará especialistas dos Institutos SENAI de Inovação e Tecnologia, que irão apoiar o desenvolvimento e a implementação das soluções em 1.290 MPMEs industriais. 

Para a gerente de Operações de Inovação e Tecnologia do SENAI, Patricia Garcia Martins, a iniciativa permite que as empresas validem projetos tecnológicos diretamente em seus processos produtivos.

“Isso permite que essas empresas modernizem as suas operações, aumentem a sua produtividade e que elas tenham acesso a tecnologias que elas não tinham conhecimento ou que achavam que poderia ser muito distante da realidade delas”, ressalta.

Os projetos terão duração de até 12 meses, com possibilidade de prorrogação por mais seis meses. 

Projetos e empresas aprovadas

Segundo a gerente do SENAI, a ideia é que as empresas mantenham as tecnologias desenvolvidas em seus processos produtivos e estejam cada vez mais inseridas na transformação digital. 

“Tem tecnologias de inteligência artificial e machine learning que são usadas para fazer diagnóstico de manutenção, otimizar processo, planejar produção, fazer análise preditiva e qualquer tipo de sistema que seja mais inteligente em geral. Tecnologia de visão computacional aplicada para controle de qualidade, monitoramento de instrumentação, classificação automática de produtos. Tecnologias de automação e robótica que são mais voltadas para fazer automação de processo, como robôs”, detalha.

Confira os projetos e as empresas aprovadas

Ceará – 11 projetos

  • LegalAI Industrial: Inteligência Jurídica para a Indústria – Klisi Digitais Inovacoes Ltda
  • Sistema Inteligente de Acionamento E Monitoramento de Periféricos Industriais – Romazi Comercio E Industria De Plasticos Ltda
  • Metaltrack 4.0 – Galvao Construtora Ltda
  • Smart Flow AI – Frota Inteligente – Ocalco Systems Ltda
  • Ortusolis 4.0 – Ortusolis – Tecnologia, Industria E Comercio Ltda
  • Vertere Mind: Automação Da Execução De Planos De Melhoria Industrial – Vertere Inteligencia Artificial E Consultoria Empresarial Ltda
  • Supportdesk Pro – Josinaldo Da Silva Batista
  • Stoqfy – Lightkorp Servicos Em Consultoria E Projetos Ltda
  • Lubconsulta Inteligente – Inovauto Info Startup Ltda
  • Smartkitchen – Lucas & Braga Promocoes De Eventos Ltda
  • Quality Vision – Molidax Tecnologia E Inovacao Ltda

Distrito Federal – 7 projetos

  • Inteligência Energética Para A Indústria – Energia Digital LTDA
  • Manu – Agente De Diagnóstico Para Manutenção – CLICAR.Ai Inova Simples (I.S.)
  • Poliborda 4.0 – Polimento De Bordas De Rochas Naturais E Superfícies – Pedra Nobre Mármores E Granito Ltda
  • Creditshield Brasil – Investdrive Ltda
  • Taurus Ai – Thora Construção E Premoldados Ltda
  • Marceneiro Moderno – Lc7 Ambientes Planejados Ltda
  • Bizz – Sistema Inteligente De Apoio À Administração Industrial – Spin Engenharia De Automação

Espírito Santo – 1 projeto

  • Maximização Da Produtividade Industrial Via Monitoramento Energético Ubíquo – Zaruc Tecnologia S.A

Goiás – 9 projetos

  • Despacho Energético Inteligente Para Mpmes Com Biogás – Mwe Bioenergia Ltda
  • Biodigestão Em Rota Seca Com Automação Digital Para Agroindústrias – Ynni Bioenergia Ltda
  • Avyra Platform – Moove Service Ltda
  • Transformação Digital Na Calibração De Válvulas De Segurança Para MPMEs – Competec Maquinas Industria E Comercio Ltda
  • BITLOG: Monitoramento Inteligente De Condições Ambientais Logísticas Para Mpmes – Bit Eletronics
  • Plataforma Lis – Hd Editar E Inovar Ltda 
  • Rurax: A Sua Plataforma De Agronegócios – RX Plataforma Tecnologica Ltda
  • Smartstability: Predição Inteligente De Estabilidade Em Suplementos Alimentares – Predict Ai For Industry Ltda
  • Sistema De Gerenciamento E Decisão Automatizada Da Produção Industrial – 3R Indústria Ltda

Mato Grosso – 2 projetos

  • Data Hub Industrial – Futurai
  • Vision Box Para Aplicação Em Mpmes Industriais – TCX CREATIVE SOLUTIONS S.A.

Pará – 1 projeto

  • Robô Construtor – Raic – Rapid Artificial Intelligence Construction Ltda

Paraíba – 2 ´projetos

  • Jollity – Revigoradamente Tecnologia E Servicos Ltda
  • Medsyn Industrial: Saúde Inteligente Para Produtividade Industrial – Medsyn

Paraná – 5 projetos

  • Plataforma Inteligente Para Otimização Energética Na Intralogística Industrial – Cobe Tecnologia Ltda
  • Oxímetro Inteligente – Trevisan Equipamentos Agro-industriais LTDA
  • Genossensor Integrado À IA Para Detecção De Contaminação Microbiológica – Resiquant Industria Quimica Ltda 
  • Processos Na Indústria Alimentícia Com Bioinsumos De Arroz E Algoritmos – Big Brasil Innovation Global Pesquisa E Desenvolvimento Industria Comercio Serviços Importação E Exportação LTDA
  • Sistema Supervisório Para Gestão De Recursos E Parâmetros Em Processos De Sol. – Qs Engenharia E Gestão

Rio de Janeiro – 1 projeto

  • Fluviex: Monitoramento Não Invasivo De Instrumentação Por Visão Computacional – Controlar – Engenharia E Automacao Ltda

Rio Grande do Sul – 1 projeto

  • Sistema P&F De Controle De Produtividade – PEF Industria Eletronica Ltda

Santa Catarina – 3 projetos

  • Sistema Inteligente E Autônomo Para O Planejamento Da Produção Nas Indústrias – OPTIMIZA TECNOLOGIA LTDA
  • Tegra Sistema De Classificação Automática De Carcaças Bovinas – MONTINI TECNOLOGIA LTDA
  • Método Rápido Para Detecção De Salmonella Spp – DUO PHADEDX XAP LTDA

São Paulo – 7 projetos

  • Quality Global Sense – Sistema De Monitoramento – Quality Global Peças E Serviços Ltda
  • Embrastec – Smartshield Energy – Embrastec Industria E Comercio De Equipamentos Eletronicos Ltda 
  • Datawake – Sistema De Localização Indoor Em Tempo Real – Datawake Digital Ltda 
  • Gholias – Dispositivo IOT Multiprotocolos – Gholias Tecnologia Industrial S.A
  • NCAM – Motor De Cálculo Para Estimativa De Custos Em Manufatura Sob Demanda – NCAM – Neo Consulting Servicos De Engenharia E Em Manufatura Avancada Ltda 
  • FESTOR PRO – Plataforma Digital Para Rastreamento Operacional De Equipes De Campo – Spedroso Soluções
  • Iotnest – Modelo De IA Para Sugestão Otimização De Processos De Injeção Plástico – Qoobo Tecnologia Ltda

Histórico de chamadas e alcance nacional

O SENAI já conduziu 10 chamadas Smart Factory, sendo cinco delas com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o BNDES, três com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e duas com o BNDES.

Ao todo, foram aprovados 302 projetos de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias industriais, com 7,3 mil validações em MPMEs, em 16 Unidades da Federação.

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Tecnologia

SENAI e Finep destinam R$ 47,5 milhões a projetos de transformação digital

Nova chamada do Smart Factory apoiará soluções em áreas como inteligência artificial, robótica, IoT e sistemas de monitoramento industrial

SENAI e Finep destinam R$ 47,5 milhões a projetos de transformação digital

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), lançou uma nova chamada do Smart Factory. A iniciativa oferece apoio técnico e financeiro para projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) voltados ao aumento da produtividade e da eficiência de micro, pequenas e médias indústrias (MPMEs). 

Ao todo, serão disponibilizados mais de R$ 47,5 milhões em recursos não reembolsáveis para o desenvolvimento de tecnologias destinadas à indústria. O edital poderá financiar até 70% do valor dos projetos. Os 30% restantes deverão ser investidos pelas empresas participantes como contrapartida, conforme as regras estabelecidas no regulamento. 

Segundo o especialista em Desenvolvimento Industrial do SENAI Inovação, Gabriel Bertholdo Vargas, os recursos poderão ser utilizados para custear horas de desenvolvimento, máquinas, softwares e equipamentos. 

“Muitas empresas têm dificuldade de encontrar especialistas nas áreas de automação e robótica para apoiá-las até formar sua equipe. E o SENAI disponibiliza especialistas de seus Institutos de Tecnologia e Inovação para atuarem no desenvolvimento desses projetos em conjunto com essas empresas”, afirma. 

Esta é a 11ª chamada do Smart Factory, iniciativa que integra o programa Brasil Mais Produtivo (B+P), na modalidade de transformação digital. A principal novidade desta edição é a divisão dos projetos em três categorias: software, hardware e soluções integradas. 

Entre as tecnologias que poderão ser contempladas estão: 

  • inteligência artificial (IA);
  • internet das coisas (IoT);
  • robótica;
  • big data;
  • sensores;
  • sistemas de monitoramento industrial;
  • outras tecnologias associadas à Indústria 4.0.

Segundo Vargas, a expectativa é que a chamada resulte na estruturação de mais de 90 projetos de soluções de transformação digital. 

Inscrições

As inscrições podem ser feitas pela Plataforma Inovação para a Indústria. Pela primeira vez, a chamada poderá contar com quatro janelas de avaliação de propostas, previstas até março de 2027, condicionadas à disponibilidade de recursos. A primeira janela está aberta e recebe inscrições até 16 de outubro. 

As propostas devem apresentar soluções em estágio avançado de maturidade tecnológica e demonstrar potencial para aprimorar processos produtivos. Além disso, cada projeto deverá ser apresentado em parceria com um Instituto SENAI coordenador. 

Os projetos também deverão passar por uma etapa de validação da solução em desenvolvimento em pelo menos oito micro, pequenas e médias indústrias. 

“A empresa poderá levar essa solução, instalar em um chão de fábrica real, testar, medir indicadores e, a partir disso, eventualmente gerar negócios, tanto para essas empresas que estão validando, quanto para essa empresa que detém a solução e que agora está levando ela para o mercado”, explica Vargas. 

Smart Factory  

O Smart Factory conecta empresas fornecedoras de tecnologia aos Institutos SENAI de Inovação e Institutos SENAI de Tecnologia para desenvolver soluções voltadas às necessidades da indústria. 

Na prática, o programa apoia empresas de tecnologia no desenvolvimento e na validação de soluções, com acesso a especialistas e à infraestrutura dos laboratórios do SENAI, com o objetivo de levá-las ao mercado. 

Entre as tecnologias que já integram o portfólio do Smart Factory estão sistemas de monitoramento de máquinas, soluções de inteligência artificial para controle de qualidade, ferramentas para segurança do trabalho e equipamentos destinados à automação de processos industriais.  

O programa tem como meta desenvolver 360 novos fornecedores de tecnologia e alcançar 8.400 indústrias até o fim de 2027. Atualmente, contabiliza 279 projetos, dos quais mais de 80 já foram concluídos. A expectativa é que as iniciativas desenvolvidas alcancem 7.098 indústrias.

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Inova Talentos oferece 312 bolsas de até R$ 12 mil para pesquisadores

Programa do IEL conecta acadêmicos a projetos de inovação em empresas e indústrias nacionais e multinacionais

Inova Talentos oferece 312 bolsas de até R$ 12 mil para pesquisadores

O programa Inova Talentos, do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), está com 312 bolsas de até R$ 12 mil para pesquisadores interessados em desenvolver projetos estratégicos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) em empresas e indústrias nacionais e multinacionais.

As oportunidades são destinadas a profissionais com diferentes níveis de formação, de graduandos a doutores, e abrangem diversas áreas do conhecimento. As bolsas têm duração de até 12 meses, com possibilidade de prorrogação por igual período, e contemplam vagas nos formatos presencial, híbrido e remoto, em diferentes estados do país. 

Entre as áreas com oportunidades estão engenharias, desenvolvimento de inteligência artificial (IA), farmácia, química, tecnologia da informação, ciência da computação, análise de sistemas, administração, cosmetologia, agronomia e estatística, entre outras. 

Os interessados devem entrar em contato com o IEL do próprio estado para verificar as etapas dos processos seletivos e as vagas disponíveis na região. Todas as informações e outras oportunidades podem ser consultadas no site de vagas do IEL – Inova Talentos.

Confira algumas oportunidades

  • Instituto Itaú de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICT Itaú)  

O instituto oferece mais de 50 oportunidades para pesquisadores com graduação, mestrado ou doutorado, em andamento ou concluídos. As vagas são remotas e oferecem bolsas entre R$ 7 mil e R$ 12 mil. 

As oportunidades abrangem áreas como ciências exatas, engenharias, ciência da computação, sistemas de informação, ciência de dados, estatística, matemática aplicada, tecnologia da informação e inteligência artificial. 

  • Vale  

A empresa busca pesquisadores das áreas de engenharia de minas, de materiais, metalúrgica, química, e áreas correlatas para atuação híbrida no Rio de Janeiro. Há oportunidades para especialista 2, com bolsa de R$ 10 mil; especialista 3, de R$ 12 mil; e mestre, de R$ 5,6 mil. Todas têm carga horária de 40 horas semanais e duração de 12 meses. 

Também estão disponíveis seis vagas para automação de testes de controles SOX — quatro destinadas a mestres, com bolsas de R$ 9 mil, e duas para doutores, com bolsas de R$ 11 mil. 

Outra oportunidade é o Projeto Cora, voltado ao desenvolvimento de um agente de IA generativa, com uma vaga para graduado, com bolsa de R$ 7 mil, e outra para mestre, com bolsa de R$ 9 mil. As vagas têm carga horária de 40 horas semanais e duração de 12 meses. 

  • Siemens Energy  

A empresa procura pesquisadores graduados em ciência da computação, engenharia da computação, sistemas de informação, engenharia de software, engenharia elétrica e áreas correlatas para atuar em um projeto de inteligência artificial aplicada a transformadores. 

A vaga é híbrida, em Jundiaí (SP), e oferece bolsa de R$ 7 mil, com carga horária de 40 horas semanais e duração de 12 meses. 

  • MAHLE Metal Leve  

A empresa busca pesquisadores graduados em administração, logística, engenharia e áreas correlatas para atuação presencial ou híbrida. São duas oportunidades: uma voltada ao uso de machine learning para a predição de emissões gasosas e particuladas, com bolsa de R$ 4 mil, e outra para o desenvolvimento de uma control tower logística, com bolsa de R$ 3,5 mil.

Ambas têm carga horária de 40 horas semanais e duração de 12 meses.

Inova Talentos

O Inova Talentos é uma iniciativa do IEL em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que auxiliam na seleção e capacitação dos profissionais.

A superintendente do IEL, Sarah Saldanha, explica que o objetivo do Inova Talentos é fazer a ponte entre a academia e o setor produtivo.

“Se há um desafio de inovação de um lado, e de outro, um profissional capacitado, nós do IEL somos a ponte que conecta a indústria a esses talentos. Sua empresa recebe talentos preparados com formação adequada para desenvolver projetos de inovação dentro da sua empresa. É o IEL trabalhando na aproximação do conhecimento que está na academia, nas universidades, nos centros de conhecimento da própria indústria brasileira”, afirma.

Segundo o gerente de Inovação do Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú (ICTi), Enzo Scivittaro, o programa aproxima os bolsistas aos desafios reais das empresas. 

“Iniciativas como o Inova Talentos contribuem para fortalecer a capacidade de inovação nacional ao criar oportunidades para pesquisadores atuarem em projetos de alto impacto no setor produtivo. E é uma forma de transformar conhecimento científico em resultados concretos para a sociedade e para a competitividade nas empresas brasileiras”, destaca.

Scivittaro ressalta que, embora a bolsa não tenha vínculo empregatício, o programa permite que os participantes demonstrem suas competências e construam relações profissionais com equipes altamente especializadas. “Na prática, muitos bolsistas passam a ser reconhecidos pelo valor que geram ao longo do programa e podem, posteriormente, ser considerados para futuras oportunidades profissionais”, pontua. 

O diretor de Operações do Ceará Tech Park SENAI/CE e bolsista expert do IEL, Rodrigo Pastl Pontes, destaca que a atuação dos pesquisadores também envolve conectar diferentes atores do ecossistema de inovação — como empresas, universidades, institutos de pesquisa, governo e ambientes de inovação — e transformar essas conexões em projetos, parcerias e oportunidades concretas. 

“Muitas vezes, inovar não significa apenas desenvolver uma nova tecnologia, mas saber onde está o conhecimento, quem possui determinada competência e como transformar essas capacidades em soluções para o mercado”, enfatiza. 

Conexão com as tendências globais de inovação

Para Rodrigo Pastl Pontes, o Inova Talentos está alinhado às tendências globais da inovação industrial ao promover uma conexão direta entre conhecimento científico, desenvolvimento tecnológico e demandas do mercado. 

“Na minha atuação, vejo justamente o papel de ajudar a construir essas conexões. Em um ecossistema de alta tecnologia, não basta ter boas universidades, bons institutos de pesquisa ou boas empresas de forma isolada. É preciso criar os mecanismos para que esses atores trabalhem juntos e consigam transformar ciência e tecnologia em novos produtos, empresas e oportunidades para o Brasil”, afirma. 

Enzo Scivittaro afirma que, no ICTi, os bolsistas atuam em frentes relacionadas à inteligência artificial, à computação quântica, à experiência do usuário, à prevenção a fraudes e a outras tecnologias emergentes — áreas que ocupam posição central nas agendas globais de inovação e competitividade. 

Segundo ele, além de acelerar o desenvolvimento de projetos estratégicos, o Inova Talentos também contribui para o fortalecimento da soberania tecnológica brasileira ao formar profissionais qualificados, estimular a retenção de conhecimento no país e ampliar a capacidade nacional de desenvolver soluções próprias para desafios complexos. 

“Quanto mais fortalecemos esse elo entre ciência e mercado, maior a capacidade do Brasil de gerar inovação, propriedade intelectual e vantagens competitivas sustentáveis”, conclui.

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CNI lança estudos sobre futuro da indústria de defesa brasileira

Publicação reúne oito estudos sobre setores estratégicos e aponta competências que serão necessárias para acompanhar mudanças

CNI lança estudos sobre futuro da indústria de defesa brasileira

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Fundação Instituto de Administração, da Universidade de São Paulo (USP), lançaram nesta semana os Cadernos Prospectivos da Base Industrial de Defesa (BID).

A publicação reúne oito estudos que mapeiam as principais transformações tecnológicas, organizacionais e ocupacionais que devem impactar segmentos estratégicos da indústria de defesa nos próximos anos. 

O material também identifica as competências que serão exigidas dos profissionais nesse novo cenário e apresenta recomendações para aproximar a formação profissional das demandas da indústria. 

Segundo a CNI, os cadernos devem servir de referência para empresas, instituições de ensino, formuladores de políticas públicas e outros integrantes do ecossistema de defesa na preparação para as transformações previstas para a próxima década. 

Além da fabricação de armas 

O gerente do Observatório Nacional da Indústria, Rafael Sousa, destaca que a indústria de defesa vai muito além da fabricação de armas. 

“Estamos nos referindo a um amplo ecossistema formado por empresas, universidades, centros de pesquisa, órgãos públicos e profissionais que desenvolvem equipamentos, tecnologias e serviços voltados para a proteção e segurança de um país. Os produtos desenvolvidos por essa indústria envolvem aeronaves, navios, veículos, satélites, radares, drones e uma série de equipamentos de proteção e soluções de segurança digital”, afirma.

Segundo ele, muitas das tecnologias desenvolvidas para o setor também têm aplicações civis e estão presentes no cotidiano da população. 

“Os satélites, por exemplo, podem apoiar na agricultura e no monitoramento de queimadas. Os drones podem ser usados na logística. Sistemas de comunicação e radares podem contribuir para a prevenção de desastres. E a própria inteligência artificial, que está cada vez mais presente no nosso dia-a-dia, também é uma iniciativa desenvolvida a partir do setor de defesa”, destaca.

Ao todo, os estudos identificaram mais de 120 tecnologias emergentes, além dos novos perfis profissionais que devem ganhar protagonismo nos próximos anos para acompanhar sua incorporação à indústria. 

Para Rafael Sousa, o desafio não está apenas em acompanhar a evolução tecnológica, mas em transformar esse conhecimento em capacidade profissional e industrial. 

“Para que o Brasil consiga ter profissionais preparados para essa mudança, é necessário traduzir essas tecnologias em competências e perfis profissionais, identificando quais ocupações serão transformadas e quais conhecimentos vão precisar ser desenvolvidos para a absorção dessas tecnologias”, aponta.

A partir disso, ele defende a atualização dos currículos, a criação de novos cursos e programas de especialização e requalificação, além do fortalecimento da formação prática em ambientes tecnológicos. 

“Isso vai demandar uma grande articulação entre as Forças Armadas, a indústria de defesa e instituições como o SENAI, universidades e centros de pesquisa. Todo esse processo precisa ser contínuo e manter sempre esse olhar prospectivo”, afirma. 

Transformação da Base Industrial de Defesa

Os estudos mostram que a transformação da Base Industrial de Defesa é impulsionada por um conjunto de tecnologias que atravessa praticamente todos os segmentos analisados, entre eles:

  • aeroespacial;
  • munições, propelentes, explosivos, mísseis e foguetes; 
  • armas e equipamentos de controle de tiro;
  • plataformas militares marítimas e fluviais; 
  • plataformas veiculares militares terrestres; 
  • defesa cibernética; 
  • sistemas C4ISTAR — rede integrada de comando, controle, comunicações, computadores, inteligência, vigilância e reconhecimento; 
  • uniformes militares. 
Tecnologias transversais Presença nos segmentos analisados
Inteligência artificial 100%
Cibersegurança 100%
Engenharia digital 87,5%
Integração digital do ciclo de vida 87,5%
Sensores inteligentes 87,5%
Gêmeos digitais 87,5%
Sistemas autônomos 75%
Arquiteturas abertas 75%
Manufatura aditiva 75%
Novos materiais 75%

Segundo as pesquisas, a disseminação de tecnologias emergentes e os eventos de impacto previstos para os próximos anos devem provocar uma reconfiguração na organização do trabalho. 

Dessa forma, atividades tradicionalmente concentradas em processos operacionais tendem a evoluir para funções mais voltadas à integração de sistemas, à análise de dados, à tomada de decisões e à gestão de ambientes cada vez mais complexos e conectados. 

Essa transformação deve ampliar a demanda por profissionais com visão sistêmica, competências digitais e capacidade de integrar diferentes conhecimentos e áreas de atuação. 

Confira alguns conhecimentos, habilidades e aptidões que devem ganhar importância nos próximos anos: 

Conhecimentos:

  • Engenharia de Sistemas
  • Tecnologias digitais
  • Cibersegurança
  • Confiabilidade
  • Gestão do ciclo de vida
  • Governança e gestão

Habilidades:

  • Analisar sistemas
  • Integrar sistemas
  • Analisar dados
  • Monitorar sistemas
  • Validar sistemas
  • Resolver problemas complexos
  • Tomar decisões baseadas em evidências
  • Aprender continuamente

Aptidões:

  • Pensamento analítico
  • Pensamento sistêmico
  • Adaptabilidade
  • Atenção seletiva
  • Percepção de problemas
  • Responsabilidade
  • Estabilidade emocional

Desafios e oportunidades

A publicação também chama atenção para os desafios que o país deverá enfrentar diante dessa nova realidade. Entre eles estão a dependência tecnológica externa, o financiamento insuficiente e irregular, a fragmentação da cadeia produtiva, a escassez de competências profissionais e as vulnerabilidades cibernéticas. 

Por outro lado, os estudos apontam oportunidades para o país. O acompanhamento dessas tendências pode impulsionar a inovação tecnológica, fortalecer a soberania nacional em áreas estratégicas, ampliar a cooperação entre empresas, governo e instituições de ensino, desenvolver talentos e reforçar a defesa cibernética. 

Indústria de defesa brasileira amplia presença internacional

Dados do Ministério da Defesa compilados pela CNI apontam que as exportações da Base Industrial de Defesa cresceram 29% no primeiro semestre deste ano, alcançando US$ 1,8 bilhão em autorizações para exportação. Produtos brasileiros do setor já chegaram a 150 países por meio de 130 empresas exportadoras. 

Entre os principais itens vendidos ao exterior estão aeronaves e componentes, explosivos, bombas, armamentos leves, munições e serviços de engenharia relacionados a produtos de defesa de alto valor agregado. 

A Base Industrial de Defesa e Segurança representa atualmente 3,41% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. 

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