Conecte-se conosco

Educação

Inteligência artificial é vetor “inevitável” de mudança nas escolas, diz especialista

Professor Luciano Meira aponta IA como “cisne vermelho” da educação durante o evento CONECTA – Escola do Futuro, promovido pelo SENAI; para ele, docentes devem atuar como curadores de conhecimento e relacionamentos afetivos como centro do processo de aprendizagem

Inteligência artificial é vetor “inevitável” de mudança nas escolas, diz especialista

As tendências e desafios educacionais para os próximos anos foram tema da palestra do professor de Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco e doutor em Educação Matemática, Luciano Meira. Ele destacou a Inteligência Artificial (IA) como um dos grandes vetores de transformação da educação no encerramento do CONECTA – Escola do Futuro, promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), na última quinta-feira (17), em Brasília. 

Para o especialista, a IA é um “cisne vermelho”, expressão usada para descrever fenômenos com impacto “profundo e inevitável” nas estruturas sociais, como a pandemia de Covid-19 ou o próprio surgimento da internet.

O professor apresentou os principais desafios de uma IA para a educação que considera complexos: 

  • Formação docente contínua e estratégias de relacionamento; 
  • Gestão da implementação; 
  • Foco na aprendizagem com qualidade e escala; 
  • Currículos adaptativos; 
  • Experimentação, pesquisa e compartilhamento de práticas; 
  • Desafios éticos e sociais; 
  • Engajamento dos estudantes; e 
  • Metodologia Game Based Learning (GBL) para avaliação, que é o aprendizado baseado em jogos.  

Para Meira, só haverá qualquer transformação na escola que centrar a educação na construção de relacionamentos afetivos e intelectuais entre estudantes e professores. “Para que isso aconteça e a IA, de fato, se torne um ambiente de plataforma transformacional, a gente vai precisar rever toda a formação inicial e contínua dessa força docente, colocando professores e professoras numa posição de curadoria. Então, formação docente contínua e estratégias de relacionamento é a força prioritária de transformação digital, apoiada por um novo ambiente orquestrado a partir de IA generativa”, avaliou.

O professor mostrou também como a IA generativa pode prejudicar a aprendizagem. Ele mencionou um estudo realizado na Turquia com cerca de mil estudantes, divididos em três grupos, semelhantes do ponto de vista de demografia e experiência. Um dos grupos usou um chat GPT tutor, ou seja, treinado com práticas que os estudantes deveriam aprender. Outro grupo usou um chat GPT chamado de puro, ou seja, o da internet. E o terceiro grupo usou apenas livro didático. Segundo Meira, nenhum dos três grupos usava esses apoios para resolver o exame. Durante a performance, comparativamente, os estudantes que usaram o chat GPT tutor apresentaram performance 127% maior do que o grupo controle do livro didático e o grupo com o chat GPT puro, 48% maior.

Ele explicou que, no estudo, chamaram de performance o uso do instrumento e de aprendizagem, o resultado da prova, discordando com as definições. “Conhecimento é uma ‘co-construção’. Não é sequer uma construção, como queriam alguns psicólogos do desenvolvimento. Então, o foco é no desenvolvimento de competências e na produção de sentido. Portanto, a ênfase é no significado, não na lista. A gente tem que ter uma observação sobre como a gente engaja as pessoas, observando seu prazer e o propósito dessa experiência. E, finalmente, construir alguma forma de interação onde a gente promova autonomia, diálogo e a emergência de comunidades de aprendizagem”, analisou.

CONECTA – Escola do Futuro

Com transmissão ao vivo pelo YouTube, o evento reuniu educadores, gestores, startups e representantes da indústria para discutir os caminhos da inovação na educação básica e profissional. O encontro celebrou mais um ano de atuação do Instituto SESI SENAI de Tecnologias Educacionais e ampliou a visão sobre o papel das escolas na formação de jovens para um mundo em constante transformação. 

Entre os temas debatidos, estiveram:

  • O uso ético e pedagógico da IA generativa;
  • A formação docente continuada para lidar com novos recursos digitais;
  • A necessidade de currículos mais flexíveis, com foco em competências e não apenas em conteúdo;
  • A integração entre educação e indústria, preparando os estudantes para os desafios da Indústria 4.0.

O CONECTA faz parte da estratégia do SENAI de aproximar a educação profissional das demandas do mercado de trabalho, por meio da inovação, da tecnologia e do diálogo com diferentes atores sociais.

Para a coordenadora do Instituto SESI SENAI de Tecnologias Educacionais, Juliana Gavini, o evento foi um espaço de construção coletiva e colaborativa sobre o futuro da educação. “O CONECTA – Escola do Futuro foi um momento que reforça e ressalta uma das palavras que a gente mais acredita dentro do instituto, que é a colaboração. Foi um ambiente de construção, discussão de conceitos e avaliação, na perspectiva de vários pilares diferentes, como se dá, como se constrói, a escola do futuro”, afirmou. 

Juliana Gavini explicou que o Instituto trabalha com uma visão integrada e em estágios de amadurecimento das estratégias para essa escola em transformação, sob sete pilares: a educação presencial, a educação digital, o educador do futuro, o aluno do futuro, a infraestrutura da escola do futuro, o gestor da educação do futuro, o líder da educação do futuro e os processos de gestão para a escola do futuro. 

Pixel Brasil 61

Continue Lendo
Publicidade
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Educação

Brasil prepara delegação para disputar a WorldSkills Shanghai 2026

Mais de 200 competidores e integrantes da equipe participaram de encontro técnico antes do embarque para a China

Brasil prepara delegação para disputar a WorldSkills Shanghai 2026

A delegação brasileira que participará da WorldSkills Shanghai 2026 está na reta final de preparação para a maior competição de educação profissional do mundo. A pouco mais de três semanas do início do evento, mais de 200 competidores, experts, intérpretes e outros integrantes da equipe estiveram reunidos em Aracruz (ES), entre 31 de agosto e 4 de setembro, para o 3º Encontro Técnico da Delegação Brasileira

O evento marcou a última etapa de preparação antes do embarque para a China, previsto para 13 de setembro. A competição será realizada em Xangai, de 22 a 27 de setembro

Ao longo dos cinco dias de preparação, os integrantes da delegação participaram de atividades voltadas aos últimos ajustes técnicos e à integração da equipe. Foram apresentadas orientações sobre a viagem e o acesso ao evento, incluindo documentação e aplicativos necessários, itens permitidos e proibidos, organização das bagagens de mão e despachadas, além de outras informações para a chegada e a permanência em Xangai

Os participantes também receberam os kits com os uniformes da nova edição da WorldSkills. A programação contou ainda com dinâmicas de grupo, rodadas de troca de experiências e uma caminhada por trilha, para fortalecer a integração e a convivência entre os integrantes da delegação. 

Durante a abertura do encontro, o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Leone de Andrade, destacou a parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) na composição da delegação brasileira e ressaltou a expectativa para a competição. “A gente sente, a cada dia que passa, que a WorldSkills está perto. Temos orgulho de fazer parte de algo tão relevante”, reforçou.

Para o gerente de Tecnologias Educacionais do SENAI, Luiz Eduardo Leão, o encontro representa o encerramento de um ciclo de preparação que, para muitos competidores, começou há mais de dois anos

“É o momento de unir todo o time, trocar essa energia que existe, fazer os ajustes finos nessa preparação, falar um pouco mais da viagem, descontrair um pouco mais. Isso é importante. Eu acho que a gente leva uma delegação grande, mas que representa a grandiosidade do nosso país. Eu entendo que o SENAI e o SENAC vão fazer um excelente trabalho em Xangai”, afirmou. 

O competidor Luiz Fernando Barbosa também destacou a importância dos encontros presenciais para aproximar os integrantes da equipe, que treinam em diferentes estados. 

“A gente sabe que cada um treina em vários estados diferentes. Então, muitas vezes, a gente não conhece todo mundo da delegação. E, quando a gente tem esses momentos, é muito legal, porque a gente consegue interagir com eles, fazer dinâmicas, conversar bastante e, sem dúvidas, é algo que fortalece muito a nossa confiança na delegação, nossa confiança no Brasil”, disse. 

Maior competição de educação profissional do mundo

Esta será a 48ª edição da WorldSkills. O evento reunirá mais de 1.400 competidores de mais de 70 países, que concorrerão a medalhas em 64 ocupações, em uma competição que reúne profissionais e estudantes considerados referências em suas áreas. 

Brasil e China são os únicos países com delegações completas, participando de todas as ocupações

Após três décadas de participação na WorldSkills, o Brasil chega à edição de Xangai consolidado entre os três melhores países no histórico da competição. Para Leone de Andrade, o desempenho brasileiro é resultado do trabalho desenvolvido ao longo de todo o ciclo de preparação. 

“Nessa etapa final, temos procurado ter o máximo de empenho e dedicação. Não é um encontro apenas de alinhamento técnico, mas também de fortalecer o nosso propósito, nossa união, esse algo maior, que é representar o nosso país”, afirmou. 

Preparação emocional

Além da preparação técnica, os participantes também participaram de atividades voltadas ao preparo emocional para a competição. O psicólogo especializado em performance e competição, Lucas Rosito, explicou que o objetivo é ajudar os competidores a chegarem à reta final mais preparados para lidar com as pressões e os desafios do evento. 

“Nesse momento, existe um misto de excitação, preocupação, mas também muito orgulho de representar o Brasil na maior competição técnica do mundo”, afirmou o psicólogo, que acompanhará a delegação durante a viagem à China. 

As atividades lúdicas realizadas durante o encontro buscaram trabalhar a motivação e, ao mesmo tempo, proporcionar momentos de descontração após meses de preparação intensa

O encerramento da programação contou com uma palestra de Paulo Storani, antropólogo, policial e consultor do filme Tropa de Elite. O especialista abordou temas como missão, trabalho em equipe, desempenho, performance e esforço, além do papel de cada integrante na representação do Brasil durante a competição. 

VEJA MAIS:

Pixel Brasil 61

Continue Lendo

Educação

Falta de mão de obra qualificada desafia varejo e impulsiona parceria para formação profissional

FAC-SP e IDV ampliam acesso a cursos de graduação e pós-graduação para trabalhadores do setor em todo o país

Falta de mão de obra qualificada desafia varejo e impulsiona parceria para formação profissional

A falta de profissionais qualificados é um dos principais desafios para o varejo brasileiro, em um cenário marcado pelo avanço da tecnologia e pela necessidade das empresas ampliarem operações e contratarem trabalhadores preparados para novas funções. Para reduzir essa defasagem, a Faculdade do Comércio de São Paulo (FAC-SP) e o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) firmaram uma parceria com o objetivo de ampliar o acesso à formação de profissionais que atuam no setor.

 

O problema acompanha uma preocupação mais ampla do mercado de trabalho. Segundo a 28ª Global CEO Survey, da PwC, 41% dos CEOs apontaram a falta de profissionais qualificados como a maior ameaça aos negócios em 2025, superando riscos cibernéticos, inflação e instabilidade macroeconômica.

 

No comércio, o desafio também passa pela necessidade de acompanhar as transformações nas formas de vender, atender e administrar os negócios. Para o diretor-geral da Faculdade do Comércio de São Paulo, Wilson Victorio Rodrigues, a digitalização tem provocado mudanças em praticamente todas as etapas da atividade varejista.

 

“Talvez o varejo seja o setor mais impactado por essas transformações digitais, na própria captação de clientes, na venda em si, no pós-venda, na logística, na gestão de insumos de estoque, de tudo. Então, toda essa revolução digital, incluindo IA, vendas digitais, e-commerce, marketing digital, tudo isso impacta muito o varejo. A FAC prepara o indivíduo para dominar essas habilidades. Então, com essa parceria que nós firmamos com o IDV, o nosso grande intuito é trazer essas grandes empresas e preparar os colaboradores, o corpo de pessoal dessas grandes companhias varejistas”, destacou Rodrigues.

 

A FAC é uma iniciativa e uma instituição de ensino ligada diretamente à Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Ela foi criada para qualificar profissionais para os setores de comércio, varejo e serviços, com foco nas demandas do mercado digital e de gestão empresarial. Segundo Alfredo Cotait Neto, presidente da ACSP, da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP), a educação é um dos principais pilares para construir uma cidade mais organizada, especialmente entre as pequenas e médias empresas.

 

A faculdade oferece atualmente 15 cursos de graduação e 30 de pós-graduação, voltados à gestão e aos negócios. De acordo com Rodrigues, formações como Gestão Comercial, Gestão Financeira, Logística e Marketing estão entre as áreas estratégicas para atender à demanda por profissionais mais preparados no varejo.

 

Os cursos estão disponíveis nas modalidades presencial, a distância e híbrida. As graduações têm duração média de dois anos, enquanto as pós-graduações podem ser concluídas em aproximadamente seis meses.

 

Parceria pode alcançar quase um milhão de trabalhadores

 

As empresas associadas ao IDV poderão divulgar os cursos da FAC-SP entre seus funcionários ou patrocinar bolsas de estudo para os colaboradores. O instituto reúne alguns dos principais grupos varejistas brasileiros, que, juntos, somam quase um milhão de trabalhadores.

 

Segundo o presidente do IDV, Jorge Gonçalves Filho, a expectativa é que o acesso à formação contribua tanto para o desenvolvimento profissional dos trabalhadores quanto para o desempenho das empresas, com reflexos na produtividade, no atendimento aos consumidores e nas operações. Para ele, a escassez de mão de obra preparada já limita a capacidade de expansão do setor.

 

“A falta de mão de obra qualificada tem impactado de forma muito forte o varejo brasileiro. A tecnologia tem evoluído, tem sido aplicada no varejo, as empresas precisam ampliar seus quadros, precisam ampliar sua rede de lojas e a falta de mão de obra qualificada é um dos pontos que dificultam essa evolução”, frisou o presidente.

 

Qualificação também abre caminho para construir carreira no varejo

 

Além de atender às novas demandas das empresas, a formação profissional pode ampliar as possibilidades de crescimento de quem já trabalha no comércio. A proposta é permitir que profissionais que ingressaram no varejo em funções iniciais desenvolvam novas competências e encontrem oportunidades de avançar dentro do próprio setor.

 

Nesse sentido, a parceria busca aproximar duas necessidades: trabalhadores interessados em ampliar a formação e as possibilidades de carreira, e empresas que precisam de profissionais preparados para acompanhar as mudanças do varejo.

 

Como participar

 

Os profissionais vinculados às empresas associadas ao IDV poderão acessar os cursos oferecidos pela FAC-SP, enquanto as empresas também terão a possibilidade de patrocinar bolsas de estudo para seus colaboradores.

 

As inscrições serão realizadas diretamente pela plataforma da Faculdade, em FAC-SP — parceria com o IDV. Há opções de graduação e pós-graduação nas modalidades presencial, híbrida e a distância.

 

Pixel Brasil 61

Continue Lendo

Educação

Prouni: pré-selecionados têm até sexta-feira (14) para comprovar informações

Candidatos da segunda chamada precisam apresentar documentos à instituição de ensino para garantir a concessão da bolsa

Prouni: pré-selecionados têm até sexta-feira (14) para comprovar informações

Os estudantes convocados na segunda chamada do Programa Universidade para Todos (Prouni) têm até esta sexta-feira, 14 de agosto, para apresentar os documentos que confirmam os dados informados durante a inscrição. A comprovação é obrigatória para a concessão da bolsa no segundo semestre de 2026

A documentação deve ser apresentada diretamente à instituição de ensino superior para a qual o candidato foi pré-selecionado. O procedimento pode ser realizado presencialmente ou por plataforma eletrônica, conforme as regras estabelecidas por cada instituição.

O Ministério da Educação (MEC) orienta os estudantes a verificarem antecipadamente os horários de atendimento, os canais digitais disponíveis e o local indicado para a entrega

A relação dos pré-selecionados pode ser consultada no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior.
 

Documentação exigida 

Entre os documentos previstos estão identificação oficial com foto, comprovante de residência, comprovantes de renda e documentos de escolaridade. O candidato também deve apresentar a documentação correspondente aos integrantes do grupo familiar informado na inscrição de acordo com as exigências previstas no edital do processo seletivo.

Cabe à instituição analisar as informações e emitir o termo de concessão da bolsa ou de reprovação. O candidato que não apresentar a documentação ou perder o prazo deixa de ter direito à bolsa nesta chamada. 

 

Lista de espera

Os estudantes que não foram pré-selecionados nas chamadas regulares ainda poderão participar da lista de espera do Prouni. Para concorrer, será necessário manifestar interesse nos dias 26 e 27 de agosto.

O resultado da lista será divulgado em 1º de setembro. Os candidatos pré-selecionados nessa etapa deverão comprovar as informações da inscrição entre 1º e 14 de setembro
 

Sobre o Prouni

Criado em 2004 e instituído pela Lei nº 11.096/2005, o Prouni oferece bolsas integrais e parciais em instituições privadas de ensino superior. O programa realiza processos seletivos duas vezes ao ano e é voltado a estudantes brasileiros sem diploma de nível superior
 

 

Pixel Brasil 61

Continue Lendo

Destaques