A predominância das cesarianas contrasta com a preferência declarada pelas gestantes. Segundo levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a maioria das mulheres inicia a gravidez optando pelo parto normal. Ainda assim, o Brasil permanece entre os três países que mais realizam cesarianas no mundo. Em âmbito global, a taxa desse procedimento gira em torno de 21%, e, na maior parte dos países, os nascimentos por via vaginal são maioria.
Diante desse cenário, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) recomenda o parto normal. Para a organização, o procedimento acelera a recuperação, facilita a amamentação e traz benefícios comprovados para a mãe e bebê.
“O parto normal tem muitas vantagens, tanto para a gestante, para a mãe, quanto para o bebê. A recuperação materna é muito mais rápida, a mulher não passou por uma cirurgia, ela passou por um procedimento normal. Então, com isso, a recuperação é bem mais rápida e isso, muitas vezes, é um fator extremamente importante para mulheres que não possam ter uma rede de apoio muito grande e precisam rapidamente estar ali, inclusive, para o cuidado do seu bebê”, explica a chefe de Saúde e Nutrição do UNICEF no Brasil, Luciana Phebo.
Campanha busca combater mitos e pressões externas
Para ampliar o acesso à informação sobre o tema, o UNICEF lançou em junho a campanha “Parto normal. Uma escolha que merece respeito”. A iniciativa procura valorizar o parto normal e incentivar decisões baseadas em evidências, informação qualificada e orientação profissional.
Com o conceito “Opinião não é informação”, a campanha é veiculada na televisão, rádio, redes sociais, internet e em telas digitais instaladas em espaços públicos.
“O que nós queremos alcançar é que partos normais, quando indicados, deve ser a preferência no Brasil. E nós queremos que isso aconteça a partir de uma maior autonomia da gestante. E que essa autonomia não seja interferida por opiniões, por mitos, por pressões sociais, por pressões institucionais. Mas, sempre levando em conta que a alternativa, ou seja, a cesariana, se coloca como uma alternativa muito importante, que salva vidas, que tem seu espaço para acontecer, mas ela deve acontecer sempre com indicação médica, baseada na clínica, em evidências”, destaca Luciana Phebo.
A campanha é composta por filmes, spot de rádio e peças para TV, redes sociais e internet. Os filmes são ambientados em situações cotidianas, como um supermercado e um salão de beleza. Nas peças, mulheres grávidas recebem opiniões e julgamentos de desconhecidos sobre a escolha pelo parto normal.
Os vídeos retratam uma situação comum para muitas gestantes: a pressão externa em torno da forma de nascimento do bebê. “Mais do que falar sobre parto, a campanha fala sobre escuta, respeito e autonomia. É resultado de um estudo do UNICEF, a ser lançado em breve, que mostra que quando a gestante está mais informada, participa de uma preparação ativa e tem maior clareza sobre seus direitos, a influência de fatores externos diminui sobre a decisão do parto”, afirma Sonia Yeo, Chefe de Comunicação e de Mudança Social e de Comportamento do UNICEF no Brasil.
De acordo com o UNICEF, os filmes mostram como comentários considerados corriqueiros podem provocar insegurança, dúvidas e constrangimento durante a gestação.
As peças também contam com recursos de acessibilidade, incluindo intérprete de Libras.
Com veiculação nacional, a iniciativa pretende ampliar o debate sobre o nascimento e reforçar que as decisões relacionadas ao parto devem ser tomadas com base em evidências científicas, orientação profissional e respeito à mulher.
A ação conta com apoio da farmacêutica MSD, por meio da iniciativa global MSD para Mães. Desde 2023, a empresa mantém parceria com o UNICEF Brasil em ações voltadas à saúde da mulher durante o pré-natal, parto e puerpério.
Benefícios do parto normal
De acordo com o UNICEF, para a maioria das gestações de risco habitual, o parto normal é considerado seguro e recomendado. O procedimento respeita o processo fisiológico do nascimento e está associado a uma recuperação mais rápida da mulher e à melhor adaptação do bebê após o nascimento.
Luciana Phebo reforça que a cesariana é fundamental quando há necessidade clínica. O problema, segundo ela, está na realização do procedimento sem indicação médica.
“Segundo uma busca de literatura que o UNICEF realizou, vimos que a grande maioria das mulheres, quando iniciam a gestação, tem como preferência o parto normal. E, ao longo da gestação, elas mudam de ideia e acabam tendo o seu filho por cesariana. Entendemos que isso ocorre por causa de opiniões que outros não especialistas, não profissionais de saúde, induzem a essa mudança. Opiniões muitas vezes baseadas em mitos, baseadas em experiências que podem não ter sido tão boas, mas que são experiências pessoais e que acabam mudando a decisão da gestante pelo parto normal”, explica.
O UNICEF também destaca que o parto normal não significa necessariamente enfrentar a dor sem assistência. Conforme avaliação da equipe de saúde e desejo da gestante, é possível recorrer à analgesia durante o trabalho de parto.
A analgesia pode contribuir para o alívio da dor e ajudar a mulher a descansar e recuperar energia para a continuidade do trabalho de parto.
Luciana Phebo ressalta ainda a importância da preparação durante a gestação e da adoção de métodos de apoio antes, durante e após o nascimento.
“Parto está relacionado à dor. Não dá para dizer que não existe, porque em um parto normal há contração uterina. Mas, isso pode ser contornado, pode ser diminuído perfeitamente sempre com um preparo antes do parto. Existem manobras, exercícios durante o parto, existe também a analgesia farmacológica para o parto normal. Agora, o que talvez seja o mais importante é o preparo do conhecimento sobre o parto”, pontua.
São João da Resistência: Mossoró celebra cultura e história no maior arraiá do Rio Grande do Norte
Terceiro episódio da série do Ministério do Turismo destaca o espetáculo “Chuva de Bala” e a força da tradição que atrai milhares de visitantes e movimenta a economia local
O arraiá do Ministério do Turismo continua! Nas duas primeiras reportagens especiais do “Destino: Festas Juninas”, passamos por Paraíba e Pernambuco. Agora, a nossa viagem desembarca no Rio Grande do Norte, direto para a festa de Mossoró, trazendo a arte que brota nesse período junino!
É lá que a história ganha vida no espetáculo “Chuva de Bala no País de Mossoró”. A superprodução ao ar livre recria um episódio épico: a resistência da cidade contra o bando do temido cangaceiro Lampião, no ano de mil novecentos e vinte e sete. São cerca de setenta artistas em cena e uma plateia de quatro mil pessoas por noite!
A diretora da peça, Joriana Pontes, resume o sentimento de colocar esse marco histórico no palco:
“Esse espetáculo, para mim, fala sobretudo sobre identidade, resistência e sobre uma cidade aguerrida. Um povo que é resistente, que luta pela sua existência e sobrevivência. É muito importante que as pessoas também consigam transferir o que aconteceu em Mossoró para os seus próprios territórios. Acho que é um belo exemplo de cidadania, de liberdade, de amor à sua cidade, amor aos seus cidadãos e às suas cidadãs. Para mim, o espetáculo é isso. O país inteiro, o mundo, deveria se espelhar no ‘país de Mossoró’ e assistir ao Chuva de Bala”
E não é só no palco que a história resiste. Durante o dia, a pedida é visitar o Museu Histórico Lauro da Escóssia, que funciona na antiga cadeia pública — o mesmíssimo prédio onde a batalha contra Lampião aconteceu!
O historiador e guia turístico Fábio Vinicius confirma que o clima junino atrai muita gente querendo conhecer esse passado de perto.
“No início do ano, de fevereiro até meados de junho, temos um aumento expressivo na visitação de escolas. Com o início do período letivo, as instituições buscam trazer os alunos para conhecer o local, gerando esse fluxo maior de estudantes. Quando chega o mês de junho, o cenário muda. Como as escolas entram em recesso de meio de ano, há uma pausa nas visitas escolares. Em contrapartida, registramos um aumento significativo de outros grupos turísticos, sejam excursões agendadas ou visitantes espontâneos, impulsionado pelas festividades juninas que se estendem até julho. As pessoas vêm para aproveitar as festas e, nos períodos da manhã e da tarde, quem está com um tempo livre busca conhecer mais sobre a história, a cidade e os espaços culturais. É justamente nesse momento que ocorre o grande pico de visitas de turistas de fora de Mossoró”
Essa mistura de festa com história encanta quem vem de longe. A turista de Minas Gerais, Aparecida Ravani, viaja de carro com o marido pelo interior do Nordeste só para curtir o São João. Ela conta que viver a tradição de Mossoró é uma experiência que vai muito além das praias, e deixa um convite:
“Olha a venha, venha porque a gente só entende como é essa festa, como é o sentimento que a gente tem, participando dessas festas. As imagens que a gente vê, as reportagens que a gente vê, elas mostram no ponto, mas o sentimento é só estando aqui, é um sentimento de emoção mesmo, de resgate da tradição”.
Com uma expectativa de receber mais de um milhão e duzentos mil visitantes, e contribuir com cerca de trezentos e sessenta milhões de reais na economia, Mossoró prova que transformar memória em cultura é um dos maiores atrativos do Nordeste brasileiro.
No próximo episódio da nossa série especial, a viagem segue para Petrolina, às margens do Rio São Francisco. Não perca!
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“Esse espetáculo, para mim, fala sobretudo sobre identidade, resistência e sobre uma cidade aguerrida. Um povo que é resistente, que luta pela sua existência e sobrevivência. É muito importante que as pessoas também consigam transferir o que aconteceu em Mossoró para os seus próprios territórios. Acho que é um belo exemplo de cidadania, de liberdade, de amor à sua cidade, amor aos seus cidadãos e às suas cidadãs. Para mim, o espetáculo é isso. O país inteiro, o mundo, deveria se espelhar no ‘país de Mossoró’ e assistir ao Chuva de Bala”
E não é só no palco que a história resiste. Durante o dia, a pedida é visitar o Museu Histórico Lauro da Escóssia, que funciona na antiga cadeia pública — o mesmíssimo prédio onde a batalha contra Lampião aconteceu!
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Trabalhadores da pesca têm até 30 de junho para realizar entrevista obrigatória do Seguro-Defeso
Convocação do Ministério do Trabalho e Emprego abrange pescadores artesanais de 132 municípios do Pará, Amazonas, Bahia, Maranhão e Piauí
Os pescadores artesanais convocados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) têm até o dia 30 de junho para participar da entrevista presencial obrigatória relacionada ao Seguro-Desempregodo Pescador Artesanal, conhecido como Seguro-Defeso. A ação acontece em 132 municípios dos estados do Pará, Amazonas, Bahia, Maranhão e Piauí.
Confiraaqui as localidades e horários de atendimento
A entrevista faz parte da coleta complementar de informações utilizada para confirmar a elegibilidade dos requerentes e verificar a veracidade dos dados apresentados durante a solicitação do benefício. O atendimento é realizado por agentes que aplicam questionários e prestam orientações aos pescadores.
De acordo com o MTE, os trabalhadores que receberam, por meio do Portal Emprega Brasil ou do aplicativo Carteira de Trabalho Digital, a mensagem “Aguardando fase presencial obrigatória e/ou confirmação do pescador na CTPS/Portal” devem procurar o ponto de atendimento indicado antes do encerramento do prazo.
O ministério alerta que a ausência na entrevista poderá resultar na suspensão da análise do pedido e na não habilitação ao benefício, conforme prevê a regulamentação vigente.
Desde o início da ação, entre novembro de 2025 e junho de 2026, mais de 666 mil atendimentos já foram realizados nos cinco estados participantes. A iniciativa é conduzida pelo MTE em parceria com a Fundacentro.
Seguro-Desemprego do Pescador Artesanal: quem tem direito
O pescador profissional artesanal que:
Esteja inscrito(a) no RGP por, no mínimo, 1 ano contado da data de requerimento do benefício;
Não disponha de outra fonte de renda além daquela relacionada à atividade pesqueira;
Se dedicou à pesca durante o período compreendido entre o defeso anterior e o em curso, ou nos 12 (doze) meses imediatamente anteriores ao do defeso em curso, o que for menor;
Não esteja recebendo um benefício previdenciário ou assistencial contínuo, exceto pensão por morte, auxílio-acidente e programas de transferência de renda;
Comprove residência em municípios abrangidos pelas portarias que estabelecem os períodos do defeso;
Comprove com notas fiscais a comercialização da sua produção ou com os comprovantes de recolhimento da contribuição previdenciária.
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