Os indicadores de desempenho da indústria da Construção apresentaram melhora moderada entre janeiro e fevereiro de 2026. O levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que o índice de nível de atividade avançou 2,6 pontos, enquanto o índice de nível de emprego registrou alta de 1,7 ponto no período.
Apesar do avanço nesses indicadores, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Construçãorecuou 2,1 pontos em março de 2026, alcançando 46,5pontos e permanecendo abaixo da linha de 50 pontos — o que indica falta de confiança no setor. A percepção negativa dos empresários já se estende por 15 mesesconsecutivos.
Além disso, os indicadores de expectativas voltaram a cair pelo segundo mês seguido. Os índices relacionados ao número de empregados e aos novos empreendimentos ficaram abaixo da linha de 50 pontos, sinalizando que os empresários esperam queda nos empregos e redução no lançamento de novos projetos.
Índices de atividade e emprego
Com os avanços registrados de janeiro para fevereiro, o índice de evolução da atividade atingiu 45,7 pontos, enquanto o índice de emprego chegou a 47,0 pontos. Apesar da melhora, ambos permanecem abaixo dos níveis observados no mesmo período de 2025.
Além disso, o aumento no índice de emprego interrompeu uma sequência de três meses consecutivos de quedas. Ainda assim, o resultado não foi suficiente para compensar a retração acumulada de 2,2 pontos entre outubro de 2025 e janeiro de 2026.
O gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo, afirma que o desempenho moderado da indústria da Construção, em comparação com anos anteriores, se deve às incertezas do cenário econômico.
“Há a questão das taxas de juros, que afetam bastante o setor, seja no próprio processo produtivo, como também na demanda. Muitas vezes as pessoas recorrem ao crédito para fazer a aquisição de produtos para a construção, e isso acaba reduzindo a demanda. Ao longo do ano passado também houve uma elevação de custos importantes, sobretudo com relação à mão de obra”, explica.
Confiança dos empresários permanece baixa
A queda do ICEI da Construção em março reforça a persistência do ambiente de desconfiança no setor. O indicador permanece abaixo da linha divisória de 50 pontos, sinalizando avaliação negativa por parte dos empresários.
De acordo com o levantamento, a piora na confiança reflete tanto a avaliação das condições atuais — relacionadas ao próprio negócio e à economia brasileira — quanto as expectativas para os próximos meses.
“Essa falta de confiança prolongada, já há bastante tempo, vem traduzindo-se cada vez mais no setor, que vem reduzindo sua atividade, suas contratações e sua intenção de investir”, destaca Azevedo.
Expectativas voltam a piorar
Todos os índices de expectativa da indústria da Construção registraram queda em março:
Nível de atividade: 51,3 pontos (queda de 0,8 ponto)
Novos empreendimentos e serviços: 49,7 pontos (queda de 1,5 ponto)
Compras de matérias-primas: 50,3 pontos (queda de 0,2 ponto)
Número de empregados: 49,5 pontos (queda de 2,3 pontos)
Os indicadores que ficaram abaixo da linha de 50 pontos significam que os empresários, que anteriormente projetavam crescimento, passaram a esperar quedas nessas variáveis.
Azevedo ressalta que a recente redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros anunciada pelo Banco Central é considerada insuficiente para alterar o cenário atual.
“A taxa de juros ainda é elevadíssima, muito acima do necessário e do que é considerada uma taxa neutra. Ela ainda penaliza demais a atividade, e o setor da construção responde a isso”, afirma.
A Utilização da Capacidade Operacional da indústria da Construção aumentou 1,0 ponto percentual e atingiu 65% em fevereiro de 2026. Ainda assim, o resultado ficou abaixo do registrado no mesmo mês dos dois anos anteriores.
Já o indicador de intenção de investimentos apresentou a segunda queda consecutiva em março, com recuo de 0,8 ponto — passando de 42,9 para 42,1 pontos. Nos últimos dois meses, o recuo acumulado soma 2,5 pontos.
CNI: preferência por produtos nacionais nas compras públicas amplia competitividade da indústria brasileira
Radar da Indústria destaca que mudança em norma do MGI fortalece a Nova Indústria Brasil, gera empregos e aumenta a arrecadação
Índice
A ampliação das chamadas “margens de preferência” nas compras públicas pode fortalecer a competitividade da indústria brasileira e impulsionar a política industrial do país. É o que destaca a 6ª edição do Radar da Indústria, boletim publicado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O analista da CNI, Rodrigo Curi, explica que o mecanismo já existia, mas a nova resolução amplia sua abrangência para todos os produtos credenciados no Catálogo de Credenciamento de Fornecedores Informatizado da Agência Especial de Financiamento Industrial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CFI-FINAME do BNDES). A regra contempla máquinas, equipamentos, veículos e sistemas industriais que atendam aos requisitos mínimos de conteúdo fabricado no país.
“Essa medida potencializa a demanda e cria um potencial de mercado para produtos nacionais de maior complexidade que, por terem cadastro no Finame, já têm uma gama de fornecedores nacionais. Isso estimula a produção nacional“, afirma Curi.
Para o superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, a ampliação das margens de preferência fortalece a implementação da Nova Indústria Brasil (NIB) e reduz os riscos associados aos investimentos produtivos.
“Ao contemplar produtos cadastrados no CFI-FINAME, a medida fortalece capacidades produtivas e tecnológicas nacionais. Ao mesmo tempo em que favorece a NIB, a medida converge com outras iniciativas federais no sentido de promover sinergias entre contratações públicas e políticas nacionais de desenvolvimento, como o Novo PAC e o Plano de Transformação Ecológica”, destaca Silveira.
Compras públicas geram empregos e arrecadação
Segundo estimativas do MGI, cada R$ 1 milhão direcionado à compra de produtos fabricados no Brasil, em substituição às importações, pode gerar entre sete e dez postos de trabalho.
O governo também projeta um aumento da arrecadação tributária decorrente da expansão da produção nacional. A expectativa é recuperar entre 9,83% e 13,5%do valor das compras em impostos, compensando o custo adicional de até 10% permitido pela margem de preferência. Para a compra de produtos tecnológicos nacionais, a margem de preferência pode chegar a 20%.
Na avaliação da CNI, a medida também fortalece as cadeias produtivas nacionais ao oferecer previsibilidade de demanda para a indústria. Quando o governo garante que vai comprar da indústria local, as empresas se sentem seguras para ampliar a produção, beneficiando não apenas os fabricantes contratados pelo governo, mas também fornecedores de peças, componentes e serviços.
“Ao adotar as margens de preferência, o governo deixa de apenas consumir produtos estrangeiros para atuar como um indutor do crescimento, gerando emprego, renda e garantindo a reindustrialização do Brasil”, explica Silveira.
Plano Mais Produção recebe novo aporte de R$ 140 bilhões
O Radar da Indústria também destaca a ampliação dos recursos da Nova Indústria Brasil. O Plano Mais Produção (P+P), principal instrumento de financiamento da política industrial, recebeu um novo aporte de R$ 140 bilhões, elevando para R$ 750 bilhões o volume total de recursos disponibilizados até o fim de 2026.
De acordo com Rodrigo Curi, cerca de R$ 710 bilhões já foram aprovados para aproximadamente 500 mil projetos distribuídos entre as seis missões da NIB, que abrangem áreas estratégicas como inovação, inteligência artificial, mobilidade sustentável, bioeconomia, minerais críticos e saúde.
Embora considere positivo o reforço anunciado pelo BNDES e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o analista ressalta que a consolidação da política industrial depende da continuidade desses investimentos.
“São projetos de longa maturação, que demoram para trazer resultados em termos de produtos industriais e retorno econômico. Então é importante criar um ambiente em que esses recursos possam ser constantemente providos para a indústria, sem haver uma variação muito grande”, afirma.
Coordenação e continuidade da política industrial
Para Curi, o fortalecimento da Nova Indústria Brasil também exige maior articulação entre governo, setor produtivo e demais atores envolvidos na formulação e execução da política industrial.
“Não apenas os participantes diretos, mas todos os entes de governo devem contribuir para a concepção, elaboração e implementaçãoda política industrial“, diz.
O analista também defende que a política seja permanente, independentemente das mudanças de governo.
“Não adianta correr atrás de um resultado e fazer todo um arranjo institucional, toda uma concentração de recursos para um plano que talvez seja descontinuado no próximo governo. Esses projetos exigem um prazo maior para trazer efeitos para a sociedade. A efetividade da política industrial depende de sua perenidade e sua melhoria a cada ciclo de governo”, destaca.
Marco Legal pode dar estabilidade à política industrial
Outro destaque do boletim é o avanço do Projeto de Lei 4.133/2023, que institui o Marco Legal da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados em junho e segue para análise do Senado.
O texto estabelece que cada governo deverá apresentar uma política industrial com objetivos, metas e indicadores mensuráveis.
Segundo Curi, a aprovação do marco legal pode transformar a política industrial em uma política de Estado, reduzindo as descontinuidades que historicamente marcaram o setor.
“Criar um arcabouço normativo que transforme a política industrial em política de Estado é extremamente importante. A expectativa da CNI é de aprovação no Senado, mas o trabalho não acabou. Existem ainda possíveis melhorias a serem feitas no texto, que garantam continuidade, geração de valor, renda, emprego e desenvolvimento para o Brasil”, conclui.
Desenrola 2.0 é prorrogado e consumidores terão até 31 de agosto para renegociar dívidas bancárias
Governo Federal amplia prazo do programa sem alterar as regras; medida busca dar mais tempo para regularização de pendências e acesso ao crédito
Os consumidores que desejam renegociar dívidas bancárias ganharam mais tempo para aderir ao Desenrola 2.0. O Ministério da Fazenda anunciou a prorrogação do programa até o dia 31 de agosto, estendendo em um mês o prazo para que pessoas físicas regularizem pendências financeiras junto às instituições participantes. A medida será formalizada por ato da pasta e não altera as regras já em vigor.
Segundo o governo, a decisão foi tomada para permitir que consumidores que ainda estão em processo de negociação consigam concluir os acordos. A expectativa também é facilitar o acesso ao crédito para quem precisa regularizar a situação financeira antes de contratar financiamentos, como os previstos em programas voltados à aquisição de veículos. De acordo com o Ministério da Fazenda, a prorrogação não exigirá novos recursos públicos, já que o orçamento destinado ao programa continua suficiente para atender à demanda.
Lançado em 2026, o Desenrola 2.0 ampliou o alcance do programa de renegociação de dívidas. Na modalidade voltada às famílias, podem participar pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos que tenham dívidas bancárias contratadas até 31 de janeiro de 2026, nas modalidades de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado, com atraso entre 90 dias e dois anos. As negociações podem oferecer descontos de até 90%, além de condições facilitadas de parcelamento, conforme a política de cada instituição financeira participante.
Os acordos devem ser feitos diretamente pelos canais dos bancos participantes. O governo orienta os consumidores a verificarem as condições disponíveis antes do encerramento do novo prazo, em 31 de agosto.
Diferença entre café arábica e café robusta: características, uso e regiões produtoras
Café arábica e café robusta são as duas principais variedades cultivadas e comercializadas no Brasil, ambas medidas em sacas de 60 kg.
O café arábica (conhecido também como café Conilon, em algumas regiões) tem sabor mais suave, menor teor de cafeína e alta qualidade sensorial, sendo preferido em cafeterias especializadas e nas exportações de cafés premium. Representa cerca de 70% da produção brasileira, com destaque para estados como Minas Gerais e São Paulo.
O café robusta, por sua vez, possui sabor mais amargo, maior concentração de cafeína e corpo mais intenso. É amplamente utilizado na produção de café solúvel e blends comerciais. Seus principais polos produtores são o Espírito Santo e Rondônia, e seu preço costuma ser mais baixo em comparação ao arábica, por conta do perfil mais industrial.
Como é calculada a saca de açúcar cristal?
A saca de açúcar cristal no Brasil é padronizada em 50 quilos, especialmente para comercialização no mercado atacadista e para uso na indústria alimentícia. Essa unidade de medida é adotada pelo Cepea/Esalq-USP, principal fonte de cotações diárias do açúcar cristal no país.
Qual o peso da saca de milho no Brasil?
A saca de milho equivale a 60 kg de grãos, mesmo padrão utilizado para soja e trigo. Essa medida é oficializada por instituições como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Ministério da Agricultura (MAPA) e o Cepea, sendo amplamente usada em negociações e relatórios de preço do milho.
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