Fundação Biblioteca Nacional (FBN) – vinculada ao Ministério da Cultura (MinC) – inaugura nesta terça-feira (06/10), às 10h, a exposição “Entre tempos: 150 anos de um acervo em movimento”. A mostra celebra um século e meio da Divisão de Iconografia da Fundação e traz ao público mais de 150 obras, entre fotografias, gravuras, livros de artista e originais de arte, alguns dos quais inéditos, evidenciando a riqueza e a presença da brasilidade nas coleções da instituição.
Com a curadoria das servidoras Tatiane Cova e Diana Ramos, a exposição celebra a criação da Iconografia, em 1876, e a formação de seu acervo. A mostra percorre a trajetória da Divisão, revisita momentos centrais de sua história e se aproxima das produções mais recentes, propondo um cruzamento entre temporalidades distintas, bem como um diálogo entre o legado constituído e a produção iconográfica dos últimos 50 anos.
A mostra reúne um patrimônio diverso e aberto à incorporação de outros referenciais imagéticos. O percurso reúne desde mestres do passado, como o gravurista e arquiteto italiano Giovanni Battista Piranesi e os fotógrafos Insley Pacheco e Marc Ferrez, até nomes de grande projeção da atualidade, como Cildo Meireles, Vik Muniz e Adriana Varejão.
Um acervo em movimento
A Divisão de Iconografia da Fundação Biblioteca Nacional é um dos mais importantes acervos de imagens da América Latina. Criada no final do século XIX para reunir o já expressivo acervo de estampas, tem como missão preservar, pesquisar e difundir a memória visual do Brasil. O acervo guarda registros fundamentais para a construção da identidade nacional e da história da arte, acompanhando a evolução dos suportes visuais desde os primórdios da reprodução mecânica – como xilogravuras – até a fotografia moderna.
Entre os mais de 250 mil itens do acervo – composto por desenhos, gravuras, fotografias, entre outros itens – pode-se destacar a Coleção Theresa Christina Maria, com registros fotográficos raros doados por D. Pedro II à instituição em 1889; e obras de grandes artistas estrangeiros como Albrecht Dürer e Francisco Goya, e do pintor e desenhista brasileiro Eliseu Visconti.
As doações têm papel fundamental na atualização do acervo, mantendo-o vivo, em movimento e conectado à produção artística de seu tempo. A incorporação de novas obras amplia e renova as possibilidades de pesquisa, preservação e acesso à memória visual brasileira. Nos últimos anos, esse processo se fortaleceu com doações realizadas pelos próprios artistas ou por seus herdeiros, como Fayga Ostrower, Cândido Portinari, Rubem Grilo, Alex Gama e Bruno Liberati, entre outros.
Serviço: “Entre tempos: 150 anos de um acervo em movimento”.
Data: 06/10 a 04/12.
Horário: 10h às 17h.
Local: Biblioteca Nacional, 3º andar.
Endereço: Av. Rio Branco, 219 – Cinelândia, Rio de Janeiro.
Bumba-meu-boi do Maranhão reúne fé, música, dança e saberes tradicionais
Manifestação registrada como Patrimônio Cultural do Brasil articula diferentes formas de expressão e modos de fazer transmitidos entre gerações
Da preparação das indumentárias e dos instrumentos aos ensaios, passando pelo batismo, pelas apresentações e pelo ritual da morte do boi, o Bumba-meu-boi mobiliza comunidades em diferentes regiões do Maranhão. Música, dança, teatro, religiosidade, artesanato e conhecimentos tradicionais se encontram em uma manifestação construída coletivamente e transmitida entre gerações. Esse conjunto de práticas integra o Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão, registrado como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A celebração envolve centenas de grupos, também conhecidos como companhias ou batalhões, e reúne brincantes de diferentes idades e ocupações. Ao longo do ano, homens e mulheres participam da confecção das roupas, do bordado do couro do boi, da preparação de instrumentos, da composição e do ensaio das toadas e da organização das apresentações. São atividades que envolvem artesãos, costureiras, bordadeiras, músicos, cantadores, dançarinos e outros participantes e articulam diferentes conhecimentos e formas de expressão.
A manifestação está presente em diversos municípios maranhenses e ganha maior visibilidade durante o ciclo das festas juninas. A devoção a santos do catolicismo popular, como São João, São Pedro e São Marçal, também se relaciona a práticas de religiões de matriz africana presentes no Maranhão, entre elas o Tambor de Mina e o Terecô.
Um ciclo de nascimento, vida e morte
O boi ocupa o centro da celebração e percorre simbolicamente um ciclo de nascimento, vida e morte. De acordo com o Iphan, a manifestação é organizada em quatro etapas principais: ensaios, batismo do boi, apresentações e ritual da morte. Cada momento reúne práticas, personagens e significados próprios.
Uma das narrativas associadas à manifestação tem como personagens Catirina e Pai Francisco. Grávida, Catirina deseja comer a língua de um boi. Para atender ao pedido, Francisco mata o animal preferido do patrão. O desaparecimento provoca a procura pelo boi e a captura de Francisco, que precisa encontrar uma forma de fazê-lo voltar à vida. O renascimento do animal compõe o desfecho da história encenada por diferentes grupos.
Ao redor da narrativa, entram em cena personagens como cantadores, vaqueiros, cazumbas, caboclos de pena, Catirina e Pai Francisco. Canto, dança, teatralidade e humor se combinam durante as apresentações, enquanto as toadas abordam devoções, situações do cotidiano, experiências das comunidades e transformações vividas por seus integrantes.
A dimensão religiosa acompanha diferentes momentos do ciclo. Há grupos constituídos a partir de promessas ou obrigações espirituais, e o batismo do boi pode reunir referências do catolicismo e de religiões de matriz africana. Ao fim da temporada, o ritual da morte representa o encerramento daquele ciclo e, ao mesmo tempo, antecede a preparação para um novo período de celebrações.
Os sotaques do Bumba-meu-boi
Uma das características do Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão é a diversidade das formas de brincar. Essas variações são conhecidas como sotaques e apresentam diferenças na musicalidade, nos instrumentos, nas coreografias, nos figurinos e nas formas de organização das apresentações.
Entre os mais reconhecidos estão os sotaques de Matraca, Zabumba, Baixada, Costa-de-mão e Orquestra. Além deles, diferentes localidades preservam modos próprios de realizar a brincadeira, ampliando a diversidade de expressões que integram o complexo cultural.
Os saberes envolvidos não se restringem às apresentações. A confecção dos elementos utilizados pelos grupos também faz parte da manifestação. Bordados aplicados ao couro do boi, máscaras, instrumentos musicais, adereços e indumentárias mobilizam técnicas e conhecimentos transmitidos entre gerações. As roupas dos grupos, chamadas de fardas, também carregam elementos relacionados às histórias e referências de cada comunidade.
Patrimônio do Brasil e da Humanidade
O Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão foi registrado em 30 de agosto de 2011 e está inscrito no Livro de Registro das Celebrações. O reconhecimento tem abrangência estadual e contempla a diversidade de grupos e modos de fazer presentes no Maranhão. Em 2025, o título de Patrimônio Cultural do Brasil foi revalidado.
Em 11 de dezembro de 2019, a manifestação também passou a integrar a Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O reconhecimento considera o Complexo Cultural do Bumba-meu-boi uma prática ritual que reúne expressões musicais, coreográficas, cênicas e lúdicas e mantém relação com o universo do sagrado por meio da figura do boi.
Mais do que uma apresentação concentrada no período junino, o Bumba-meu-boi é construído ao longo do ano. Preparar, ensinar, bordar, tocar, cantar, dançar e brincar são práticas que mantêm conhecimentos em circulação e conectam diferentes gerações de detentores do bem cultural.
Inscrições abertas para programa de fortalecimento de coproduções audiovisuais do Mercosul
Chamada é voltado para primeiros ou segundos longas de ficção de produtoras do Brasil, Argentina, Paraguaias e Uruguai
Estão abertas as inscrições para a segunda edição da Chamada para o Programa de Fortalecimento de Projetos de Coprodução Mercosul. Até 23 de outubro, propostas de produtores do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, priorizando aqueles que apresentem primeiro ou segundo longas-metragens de ficção com pelo menos um coprodutor de outro país membro, poderão se inscrever por meio de um formulário on-line.
A Chamada, aberta pelo Reunião Especializada de Autoridades Cinematográficas e Audiovisuais do Mercosul, visa acompanhar e fortalecer projetos de longa-metragem de ficção em estágio de desenvolvimento com potencial de coprodução, oferecendo ferramentas de profissionalização com tutorias virtuais, durante novembro, jornada presencial, bem como pitching e participação no encontro de profissionais do mercado, Ventana Sur, que ocorrerá em Montevideo, no Uruguai, de 30 de novembro a 4 de dezembro.
O foco é a promoção da integração regional, incentivo ao intercâmbio de experiências, compartilhamento de trajetórias e identificação de oportunidades e desafios para a concretização de coproduções no bloco.
A iniciativa, que teve a primeira edição no ano passado, busca facilitar o vínculo entre profissionais, consolidando um espaço comum, como determina o Acordo Mercosul de Coprodução Cinematográfica e Audiovisual.
Serviço:
Chamado para o Programa de Fortalecimento de Projetos de Coprodução Mercosul
Inscrições até 23 de outubro, no formulário
Público: produtoras independentes da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, com projetos de primeiro ou segundo longa-metragem de ficção, em desenvolvimento, com pelo menos um coprodutor de outro país do Mercosul
Biblioteca do Centro Cultural Banco da Amazônia abre ao público a partir de 20 de outubro
Espaço em Belém (PA) reúne 12,5 mil obras, incluindo livros sobre a Amazônia, literatura e exemplares raros; atendimento será de terça a sexta-feira, das 10h às 16h
A capital Belém (PA) passa a contar com um novo espaço dedicado à leitura, à pesquisa e ao conhecimento sobre a Amazônia. A Biblioteca do Centro Cultural Banco da Amazônia inicia o atendimento regular ao público no dia 20 de outubro, com funcionamento de terça a sexta-feira, das 10h às 16h. O acervo reúne 12,5 mil obras, entre livros de literatura, meio ambiente e publicações relacionadas à história e às atividades do Banco da Amazônia.
O espaço foi inaugurado na quinta-feira (15), após a exibição do curta-metragem de animação O Menino Urubu. O evento contou com a presença do cineasta e diretor Fernando Alves, que lançou o livro infantil A Grande Fúria do Pequeno Duende, com sessão de autógrafos. O evento ocorreu a partir das 10h, na sede do Centro Cultural, localizada na Avenida Presidente Vargas, número 800, no bairro Campina, em Belém.
A iniciativa busca ampliar o acesso à leitura, à pesquisa e ao conhecimento, além de contribuir para a preservação da memória e da diversidade cultural da Região Amazônica.
Para a bibliotecária do Banco da Amazônia, Patrícia Cristina Corrêa Costa, a proposta também aproxima o banco da comunidade.
“Ao reunir essa literatura, as produções intelectuais e as obras raras, ela também contribui para preservar e compartilhar a memória da região. Então a iniciativa reforça o papel do Banco da Amazônia no desenvolvimento regional, aproximando a instituição da comunidade e valorizando a educação, a cultura e a produção de conhecimento sobre a Amazônia”, destaca.
Acervo
O acervo da biblioteca contempla obras sobre a Amazônia, literatura, meio ambiente e produções intelectuais de empregados do Banco da Amazônia. O espaço também reúne parte da coleção particular de Afonso Vianna Netto, empregado da instituição que foi presidente do Banpará, doada pela família após seu falecimento.
Entre os destaques do acervo da biblioteca do Centro Cultural estão obras raras, incluindo livros do período da borracha.
Com 183,82 metros quadrados, a biblioteca dispõe de salão de leitura, salas para estudo individual e em grupo e área destinada ao acervo bibliográfico. O ambiente conta ainda com um espaço dedicado à literatura infantojuvenil e aos romances.
Acessibilidade e consulta ao acervo
O espaço possui acesso por elevador para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e disponibiliza recursos de acessibilidade digital, como os programas DOSVOX e VLibras.
A biblioteca é aberta ao público, mediante cadastro na recepção do Centro Cultural. Neste primeiro momento, porém, o empréstimo de livros está disponível apenas para colaboradores do Banco da Amazônia, incluindo terceirizados, estagiários e aprendizes.
O prazo de devolução é de 15 dias. Os demais visitantes podem consultar as obras no próprio local.
Segundo a bibliotecária Patrícia Cristina Corrêa Costa, está em estudo uma proposta para ampliar a possibilidade de empréstimo aos demais usuários, mediante a entrega de um exemplar destinado à doação.
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