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Salão do Turismo: evento em Fortaleza (CE) reuniu cultura, tecnologia e inclusão

10ª edição do Salão do Turismo apresentou iniciativas regionais, novos investimentos e debates sobre o futuro do setor

Salão do Turismo: evento em Fortaleza (CE) reuniu cultura, tecnologia e inclusão

Gastronomia regional, inovação tecnológica, inclusão e manifestações culturais deram o tom da 10ª edição do Salão do Turismo, que reuniu representantes de todo o país em uma programação voltada à promoção de destinos e ao fortalecimento do setor turístico brasileiro.

Ao longo de três dias, o evento concentrou palestras, apresentações culturais, rodadas de negócios e debates sobre sustentabilidade, conectividade aérea, inclusão e turismo comunitário.

A edição deste ano também reforçou o turismo interno como estratégia de desenvolvimento econômico, geração de renda e valorização da diversidade cultural brasileira. Realizado pela primeira vez no Nordeste, o encontro aconteceu em Fortaleza, no Centro de Eventos do Ceará.

Culinária

A diversidade de sabores brasileiros ganhou destaque entre os corredores do evento. Entre os produtos que chamaram atenção do público estava o doce de palma apresentado pela Paraíba, preparado com o cacto tradicionalmente usado na alimentação animal no sertão e transformado em sobremesa típica com a adição de coco.

No estande do Amapá, visitantes encontraram a chamada “culinária do meio do mundo”, baseada em ingredientes amazônicos e modos de preparo tradicionais. O espaço reuniu pratos com tucupi negro, peixes regionais e castanha-do-brasil, além de sobremesas feitas com cumaru, conhecido popularmente como a “baunilha da Amazônia”.

Santa Catarina apostou em referências da imigração europeia para apresentar produtos do Vale Europeu, como salames italianos, geleias artesanais e bala de banana. Uma das curiosidades foi a geleia produzida com torresmo moído, ligada à tradição da agricultura familiar catarinense.

Representando o município de Independência, no Ceará, Katiuce Guerreiro levou ao salão produtos de um grupo voltado ao turismo de base comunitária e à valorização de sítios arqueológicos. “É uma experiência que dá muita visibilidade para o negócio do turismo. O produto deixa de ter só aquele contato com o público do município, o público local, e passa a ser visto a nível nacional”, afirmou.

Tecnologia

A aplicação de inteligência artificial e ferramentas digitais no planejamento turístico também esteve no centro das discussões do evento. Especialistas das áreas de inovação e gestão pública debateram de que forma a tecnologia pode tornar os destinos mais acessíveis, melhorar a circulação de visitantes e aproximar os serviços públicos das demandas de turistas e moradores.

O tema foi abordado na palestra “Tecnologias e IA Aplicadas para as Políticas Públicas de Turismo”. Já na apresentação “Turismo Orientado por Pessoas: tecnologias e transformação das experiências”, Roberto Pereira, da BNP Soluções em TI; Edvaldo de Vasconcelos Vieira da Rocha Filho, diretor-presidente da InovaTech, de João Pessoa (PB); e Ari Melo, pesquisador da Universidade de Brasília (UnB), destacaram que inovação no setor não se resume à digitalização de serviços.

Segundo os participantes, o cruzamento de dados, o uso de inteligência artificial e investimentos em infraestrutura urbana inteligente podem contribuir para melhorar a mobilidade, ampliar a acessibilidade e personalizar experiências para quem visita os destinos turísticos.

Os debatedores também ressaltaram que cidades mais conectadas tendem a gerar impactos positivos tanto para o turismo quanto para a economia local e para a sustentabilidade.

Manifestações culturais

O primeiro dia do evento foi marcado por apresentações culturais que transformaram o espaço em uma vitrine da diversidade brasileira. Festas populares, danças tradicionais e manifestações regionais tomaram conta dos corredores e do palco principal.

A programação começou com um trio paraibano especializado em forró pé de serra, divulgando o Festival de Trios de Forró, realizado anualmente em Queimadas, na Paraíba.

As tradições afro-brasileiras também estiveram presentes na programação cultural com a participação da Comunidade Kalunga Engenho II, de Cavalcante, na Chapada dos Veadeiros (GO). A apresentação levou ao público elementos ligados à ancestralidade, à memória coletiva e às manifestações populares da comunidade.

Outro momento que mobilizou os visitantes foi a passagem dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido, representantes do Festival de Parintins (AM). Com música, dança e cortejos pelos corredores do evento, os grupos transformaram o espaço em um espetáculo marcado pela forte interação com o público.

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A servidora pública e assistente social Selma Nogueira destacou a diversidade cultural apresentada no evento.

“A gente ficou encantada, maravilhada com os estandes, em saber que o nosso país é riquíssimo, tem muitas regiões belíssimas e muitas coisas para serem aproveitadas e vivenciadas. Muitos locais para visitar, muita coisa bonita para a gente ver”, disse.

Linhas de crédito para o turismo

Uma das medidas anunciadas durante o evento foi a criação de uma linha de crédito voltada para microempreendedores individuais (MEIs) que atuam no turismo. Batizado de “Do Lado do Turismo Brasileiro”, o programa prevê financiamento de até R$ 21 mil por operação, juros de 5% ao ano mais INPC e prazo de carência de seis meses.

A proposta, segundo o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, é facilitar o acesso ao crédito para trabalhadores que costumam enfrentar barreiras no sistema financeiro formal.

“[A linha de crédito] é uma condição para aquelas pessoas que, às vezes, ficam à margem do sistema financeiro do nosso país, mas que têm um papel importantíssimo no setor do turismo. São os micro e pequenos empreendedores individuais: a mulher que vende acarajé, o vendedor de coco, o carrinho de picolé”, afirmou.

O ministro também destacou que o programa contará com aporte inicial de R$ 100 milhões, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social.

“Essas pessoas têm muita dificuldade para contratar crédito, se inserir no mercado e melhorar o ambiente de trabalho. Por isso, lançamos, junto ao Ministério do Desenvolvimento Social, um aporte de R$ 100 milhões para oferecer crédito exatamente a essas pessoas que têm essa necessidade, que estão no Cadastur, mas ainda não têm acesso às linhas de financiamento das instituições financeiras do país”, completou.

Investimento

O crescimento do turismo halal também entrou na pauta do evento. O segmento é voltado ao público muçulmano e reúne serviços adaptados aos princípios islâmicos.

O Brasil, já consolidado como maior exportador mundial de proteína animal halal, busca agora ampliar sua participação no turismo voltado a esse mercado, que pode movimentar R$ 1,88 trilhão até 2028, segundo projeção da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.

O tema foi discutido no workshop “Turismo e Hospitalidade para o Mercado Halal”, realizado durante dois dias no Salão do Turismo.

Turismo para neurodivergentes

A acessibilidade para pessoas neurodivergentes também foi debatida no evento com o lançamento do “Guia Para Atender Bem Turistas Neurodivergentes”, apresentado pelo Ministério do Turismo durante a programação do Salão do Turismo.

O material foi elaborado com base em uma pesquisa nacional conduzida pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que ouviu 761 pessoas entre fevereiro e março de 2026, incluindo autistas, pessoas com TDAH, dislexia, familiares e profissionais da área.

O levantamento apontou que fatores sensoriais ainda representam um desafio importante para esse público durante viagens e atividades turísticas. O excesso de barulho, por exemplo, causa desconforto para 72,7% dos entrevistados. Luzes intensas, aglomerações e alterações inesperadas de roteiro também aparecem entre os fatores que afetam a permanência e o bem-estar nos espaços visitados.

Entre as orientações reunidas no guia estão medidas consideradas simples e de baixo custo, como organização de ambientes sensoriais, comunicação mais objetiva, previsibilidade das informações e capacitação das equipes de atendimento.

A pesquisa também mostra que experiências negativas impactam diretamente a imagem dos destinos turísticos: mais de 80% das pessoas neurodivergentes e familiares deixam de recomendar locais após situações de desconforto. Em contrapartida, adaptações como protetores auriculares e estratégias para evitar filas podem melhorar significativamente a experiência dos visitantes.
 

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Senado adia votação de projeto que permite renegociação de dívidas de estados e municípios no fim de mandato

Projeto de Resolução do Senado (PRS) 50/2026 autoriza governadores e prefeitos a contratar operações de crédito para reestruturar dívidas nos últimos 120 dias de gestão; Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) concedeu vista coletiva e retomará a discussão nesta quarta-feira (4)

Senado adia votação de projeto que permite renegociação de dívidas de estados e municípios no fim de mandato

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado adiou a votação do Projeto de Resolução do Senado (PRS) 50/2026, que permite a governadores e prefeitos contratar operações de crédito para reestruturar dívidas nos últimos 120 dias de mandato. O relator, senador Eduardo Braga (MDB-AM), apresentou relatório favorável ao projeto. 

Após debate, foi concedida vista coletiva e a reunião deve ser retomada nesta quarta-feira (4). A previsão da nova reunião consta na agenda legislativa no site oficial do Senado Federal.

De autoria do senador Renan Filho (MDB-AL), a proposta altera a Resolução do Senado 43, de 2001, que proíbe a contratação de operações de crédito nesse período, com algumas exceções.

O projeto acrescenta uma nova possibilidade: operações destinadas exclusivamente à reorganização e à recomposição de dívidas. A medida não poderá resultar em aumento do endividamento nem permitir a liberação de recursos para outras despesas.

Pelo texto, os chefes do Executivo em fim de mandato poderão contratar operações de crédito para reestruturação e recomposição de dívidas nos 120 dias anteriores ao término de seus mandatos.

Relator da proposta, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) destacou a necessidade de cumprir os prazos estabelecidos pela Secretaria do Tesouro Nacional e defendeu a análise rápida do texto.

Durante a discussão, a senadora Leany Lemos (PSB-DF) considerou a proposta importante, especialmente para estados com alto nível de endividamento.

O pedido de vista foi apresentado pela senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL). A reunião foi presidida pelo senador Esperidião Amin (PP-SC).

A reunião de terça-feira (3) foi suspensa e deve ser retomada nesta quarta-feira (4).
 

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Projeto facilita recusa de contribuição sindical pelos trabalhadores

O PL 2.830/2019 prevê que o trabalhador poderá se opor ao pagamento por e-mail ou aplicativos de mensagens; proposta aguarda conclusão de análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)

Projeto facilita recusa de contribuição sindical pelos trabalhadores

A recusa da contribuição sindical pelos trabalhadores poderá ser simplificada, como prevê o projeto de lei (PL 2.830/2019). Pela proposta, os trabalhadores poderão se opor ao pagamento por e-mail ou por aplicativos de mensagens, como o WhatsApp. O texto aguarda conclusão de análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal.

A redação original, apresentada pelo senador Styvenson Valentim (Pode-RN) em 2019, previa redução do prazo para execução de dívidas trabalhistas de 45 para 15 dias. Porém, na CCJ, a proposta ganhou do relator, senador Rogério Marinho (PL-RN), dispositivos para regulamentar a possibilidade de recusa da contribuição assistencial devida a sindicatos.

No parecer, Marinho destacou que a oposição ao pagamento será simplificada, podendo ocorrer até mesmo via e-mail ou mensagem instantânea, como por WhatsApp, além de pessoalmente, desde que por escrito.

O senador Paulo Paim (PT-RS) apresentou um pedido para suprimir as regras sobre a recusa à contribuição assistencial e manter apenas a parte processual das execuções trabalhistas. A emenda apresentada por Paim foi rejeitada na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e agora a CCJ precisa votar o relatório relacionado à emenda para retornar a proposta à pauta do Plenário.

Em Plenário, em votação final, os senadores decidirão o texto que seguirá para a Câmara dos Deputados. 

Ausência de regras claras sobre o direito de recusa

No voto, Marinho ressaltou que o Supremo Tribunal Federal (STF) definiu como constitucional a cobrança até mesmo de não sindicalizados, desde que assegurado o direito de oposição. Apesar disso, o parlamentar salientou no relatório a ausência de regras claras de como exercer esse direito.

O senador tambpem defendeu que as normas propostas no projeto devem propiciar segurança jurídica para que os trabalhadores, inclusive os membros não associados, tenham o direito individual de oposição respeitado.

O texto está pronto para integrar a pauta na CCJ.
 

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Custo da construção sobe 0,35% em outubro, aponta FGV

INCC-M acelera em relação a setembro, quando avançou 0,25%, e acumula alta de 6,75% em 12 meses

Custo da construção sobe 0,35% em outubro, aponta FGV

O custo da construção no país subiu 0,35% em outubro, mais do que os 0,25% de setembro, de acordo com o INCC-M, divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em 27 de outubro. O índice acumula alta de 6,75% em 12 meses e de 6,23% no ano.

Materiais e serviços puxam a alta

O avanço do índice veio dos materiais, equipamentos e serviços, grupo que subiu 0,40% em outubro, ante 0,17% em setembro. Dentro dele, materiais e equipamentos passaram de 0,17% para 0,41%, com destaque para os materiais para estrutura, que saltaram de 0,07% para 0,72%. Os serviços também aceleraram, de 0,15% para 0,31%, com o item projetos subindo de 0,10% para 0,44%.

A mão de obra seguiu caminho contrário e perdeu força: o grupo avançou 0,27% em outubro, depois de 0,37% em setembro.

Itens que mais subiram

Entre os itens de maior impacto de alta no mês estão vidros (2,96%), massa de concreto (2,16%), salário de engenheiro (0,73%), bloco de concreto (0,54%) e salário de pedreiro (0,31%).

Cinco de sete capitais aceleram

Das sete capitais pesquisadas, cinco registraram aumento no custo da construção em outubro: Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo. Recife desacelerou, e o Rio de Janeiro repetiu a taxa do mês anterior, de 0,20%.

Em São Paulo, o custo da construção subiu 0,34% em outubro. A capital paulista acumula alta de 6,88% no ano e de 7,60% em 12 meses, acima da média nacional no período.

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