Retomada do Aeroporto Salgado Filho impulsiona turismo e economia no Rio Grande do Sul
Entre 16 de outubro e 29 de dezembro de 2024, o estado recebeu 281.583 turistas pelo modal aéreo, representando um aumento de 16,33% em relação ao período em que o aeroporto esteve fechado
Prestes a completar um mês desde a retomada da capacidade total das operações de voo, o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre (RS), já impulsiona a retomada do turismo e da economia no Rio Grande do Sul. A base voltou a operar 24 horas por dia em 16 de dezembro de 2024, após quase cinco meses de fechamento devido aos danos causados pelas fortes chuvas que atingiram o estado, em maio do ano passado.
Claudia Mara Borges, Diretora de Planejamento e Competitividade da Secretaria de Turismo (Setur) do estado, informa que o número de turistas ao Rio Grande do Sul cresceu após a reabertura do Aeroporto Internacional Salgado Filho. Entre 16 de outubro e 29 de dezembro de 2024, o estado recebeu 281.583 turistas pelo modal aéreo, representando um aumento de 16,33% em relação ao período em que o aeroporto esteve fechado.
Ela explica que o aumento reflete uma recuperação acelerada no fluxo de turistas, especialmente no final do ano, quando historicamente o evento Natal Luz, em Gramado (RS), se mostra um produto turístico consolidado nacionalmente. A expectativa agora é que o estado receba cada vez mais turistas.
“E lembrando que temos agora outro ponto forte, que são as vindimas [colheita da safra da uva] e a Páscoa. Gramado é a capital nacional do chocolate artesanal, e logo em seguida vem Torres, Canela e Bento. E Porto Alegre também apresenta uma forte demanda. Agora nós vamos trabalhar muito a questão das vindimas, que começa fortemente a partir da semana que vem e vai até março, então teremos um período muito bacana para receber todos que querem fazer a experiência da colheita da uva, da pisa, e depois degustar um bom vinho gaúcho”, afirma.
Turismo internacional
Em 2024, o Rio Grande do Sul foi a quarta principal porta de entrada de turistas estrangeiros no Brasil, com 879.412 visitantes, atrás apenas de São Paulo (2.207.015), Rio de Janeiro (1.513.235) e Paraná (894.536).
Esse desempenho contribuiu para que o Brasil registrasse o melhor ano da história para o turismo internacional, com 6.657.377 turistas estrangeiros, um aumento de 12,6% em relação ao ano anterior. Somente em dezembro, 690.236 estrangeiros visitaram o país, 11,1% a mais que no mesmo mês de 2023. Os dados foram divulgados pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) e Polícia Federal.
Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, a retomada da capacidade total do Aeroporto Salgado Filho é “fundamental” para impulsionar ainda mais a economia do estado gaúcho. “Apesar das dificuldades enfrentadas com as enchentes, o estado, que possui mais de 11 milhões de habitantes, registrou um crescimento de 4,5% no PIB em 2023. O aeroporto desempenha um papel estratégico, não só para o turismo de lazer e negócios, mas também para o transporte de cargas”, afirmou o ministro.
Comércio
A expansão das operações comerciais do Aeroporto Salgado Filho começou em 21 de outubro, com a retomada parcial das operações. Os voos internacionais voltaram a ocorrer em dezembro. Em três meses, o aeroporto de Porto Alegre inaugurou dez lojas novas e ampliou a carta de experiências e serviços oferecidos aos passageiros que utilizam o Terminal de Passageiros. Com as novidades, o aeroporto chega à marca de 101 operações comerciais, entre varejo, serviços e operações gastronômicas.
A gerente da Loft — uma das lojas do aeroporto — Juliana Camargo, afirma que a expectativa é de que o movimento de passageiros retorne com a normalização das operações. “Nós estamos muito contentes com a reabertura. Estou aqui organizando a loja muito contente, com a gente podendo abrir novamente. Foi um baque muito grande, essa questão da enchente, muito triste também, com a questão dos colaboradores também, todo mundo que perdeu suas coisas nessa tragédia. Mas agora estamos muito felizes”, afirma.
Voos
Segundo a Fraport Brasil, as companhias aéreas Gol, Azul e Latam estão operando voos domésticos no aeroporto. No segmento internacional, a Copa Airlines e a Latam também retomaram as operações. Além disso, a Aerolíneas Argentinas, Tap e Sky são companhias com voos programados para retomar operação no Aeroporto Salgado Filho.
Confira o calendário completo de voos operantes:
Voos domésticos operando atualmente:
Brasília (DF)
Campinas (SP)
Confins (MG)
Guarulhos (SP)
Pelotas (RS)
Porto Seguro (BA)
Recife (PE)
Rio de Janeiro (RJ)
Salvador (BA)
Santa Maria (RS)
Santo Ângelo (RS)
São José dos Pinhais (PR)
São Paulo (SP)
Uruguaiana (RS)
Voos internacionais operando atualmente:
Latam: Lima (Peru) e Santiago (Chile)
Copa Airlines: Cidade do Panamá
Voos internacionais previstos:
Aerolíneas Argentinas: Porto Alegre – Buenos Aires – Março de 2025
TAP: Porto Alegre – Lisboa (Portugal) – 1º de abril de 2025
Sky: Retorno de voos internacionais – Junho de 2025
Gasto Brasil: Sudeste já registra R$ 322,4 bilhões em despesas públicas em 2026
Com informações sobre despesas primárias da União, estados, Distrito Federal e municípios, plataforma da CACB e da ACSP busca ampliar a transparência das contas públicas
As despesas públicas primárias dos estados da região Sudeste somaram R$ 322,4 bilhões entre 1º de janeiro e 22 de julho de 2026, segundo a plataforma Gasto Brasil, desenvolvida pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) em parceria com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
No Espírito Santo, as despesas públicas alcançaram R$ 18,4 bilhões no período. O total corresponde a 8,76% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual de 2025, estimado em R$ 209,8 bilhões, e equivale a uma despesa per capita de aproximadamente R$ 4,8 mil, considerando uma população de 3,8 milhões de habitantes.
Em Minas Gerais, as despesas somaram R$ 72,9 bilhões, o equivalente a 7,5% do PIB estadual de 2025 (R$ 972 bilhões). A despesa per capita foi de aproximadamente R$ 3,5 mil, com base em uma população de 20,5 milhões de habitantes.
No Rio de Janeiro, os gastos alcançaram R$ 65,9 bilhões, valor equivalente a 5,6% do PIB estadual de 2025 (R$ 1,17 trilhão). A despesa per capita foi de cerca de R$ 4,1 mil, considerando uma população de 16 milhões de habitantes.
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Em São Paulo, as despesas públicas chegaram a R$ 165,2 bilhões entre janeiro e julho de 2026. O montante corresponde a 4,8% do PIB estadual de 2025 (R$ 3,4 trilhões) e representa uma despesa per capita de aproximadamente R$ 3,7 mil, com base em uma população de 44,4 milhões de habitantes.
Para o presidente da CACB, ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP), Alfredo Cotait Neto, acompanhar as despesas públicas é fundamental para aprimorar a gestão. Segundo ele, o país precisa avançar em medidas como reforma administrativa, planejamento, controle fiscal e definição de critérios para investimentos públicos.
“Há 20 anos criamos o Impostômetro, que é uma forma de você mostrar para a sociedade quanto estamos pagando de impostos. Então criamos o Gasto Brasil, que é uma ferramenta para que a população tomasse conhecimento de onde e como estavam sendo gastas as despesas da União, estados e municípios.”
O diretor financeiro da CACB e presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Minas Gerais (Federaminas), Valmir Rodrigues, afirma que a plataforma amplia a transparência das contas públicas. “Essa iniciativa da CACB, de mostrar de forma clara, através do Gasto Brasil, é muito importante, porque nós precisamos ter transparência, nós precisamos informar, porque a informação de qualidade faz com que as pessoas tenham mais preparo para analisar e entender os rumos que elas querem para o país.”
De acordo com a presidente da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp), Sandra Brandani, é preciso gestão pública, foco na eficiência para que o Brasil ande melhor. “Para que o país promova um gasto público com maior eficiência, o Brasil já gasta muito. O problema é que ele gasta mal. E para virar essa chave, precisa de três pilares: transparência, mais regra e mais gestão. Se tivermos total transparência, o cidadão consegue ver e consegue cobrar. Então, se não tem transparência, não consegue cobrar.”
Painel ganha novas funcionalidades
A CACB e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) lançam, no dia 11 de agosto, na Câmara dos Deputados, novas funcionalidades do Painel Gasto Brasil. A atualização incluirá recortes econômicos, detalhamento dos gastos por população, índice de qualidade das informações e novos indicadores para ampliar a transparência das despesas públicas.
Governo e CNI discutem nova missão da NIB para reduzir impactos do tarifaço
Proposta busca acelerar a internacionalização da indústria brasileira e apoiar empresas afetadas pelas tarifas dos Estados Unidos
Índice
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, se reuniu nesta segunda-feira (27) com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para discutir medidas que possam reduzir os impactos das tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos sobre exportações brasileiras.
Durante o encontro, ambos defenderam o avanço das negociações entre os dois países e definiram que o governo federal, em parceria com o setor produtivo, vai acelerar a criação de uma nova missão da Nova Indústria Brasil (NIB), voltada à internacionalização da cadeia produtiva nacional.
Ações emergenciais e estratégia de longo prazo
Alckmin reforçou que o governo dará suporte às empresas afetadas pelas tarifas por meio de um pacote de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito.
“Conversamos sobre a necessidade de manter o diálogo e a negociação. De outro lado, diversificar e buscar novos mercados e atender as empresas afetadas [que vão precisar de crédito]. São R$ 18,5 bilhões para capital de giro, bens de capital e investimentos”, destacou.
No curto prazo, a proposta é oferecer apoio imediato às empresas prejudicadas, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a CNI.
Já a frente de longo prazo prevê a criação de uma nova missão do programa Nova Indústria Brasil (NIB) para fortalecer a inserção internacional da indústria brasileira e mitigar os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Segundo Ricardo Alban, a CNI atuará em conjunto com o MDIC na formulação da iniciativa, que contará com a participação do Serviço Social da Indústria (SESI), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e das federações estaduais da indústria para apoiar a internacionalização das empresas brasileiras.
“O vice-presidente Alckmin, juntamente com o MDIC, acha bastante interessante essa revisitação das missões da NIB para a discussão de uma sétima missão para programas vinculados. Assim como temos o Brasil Mais Produtivo, talvez possamos ter um Brasil Mais Exportador”, pontuou.
Sétima missão
Atualmente, a Nova Indústria Brasil está estruturada em seis missões estratégicas, voltadas para:
cadeias agroindustriais sustentáveis;
complexo econômico-industrial da saúde;
infraestrutura, saneamento, habitação e mobilidade;
transformação digital da indústria;
bioeconomia e transição energética;
tecnologias para soberania e defesa.
A proposta da CNI é criar uma sétima missão, de caráter transitório, destinada a apoiar os setores industriais afetados pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos e fortalecer a competitividade da indústria brasileira nos mercados internacionais.
Para Alckmin, as medidas precisam ser implementadas o mais rápido possível, uma vez que o comércio exterior está diretamente ligado à geração de empregos e investimentos no país.
“No ano passado, mesmo com esse quadro geopolítico mais difícil, o Brasil bateu recorde de exportação: US$ 348,7 bilhões. E neste ano, no primeiro semestre, mesmo com toda a dificuldade e duas guerras, batemos outro recorde: US$ 184 bilhões de dólares. Precisamos continuar esse trabalho e avançar. A missão 7 da NIB fará diferença para o comércio exterior”, reforçou.
Ricardo Alban ressalta que em breve será criado um grupo de trabalho coordenado pela CNI, reunindo os setores industriais mais impactados e as federações estaduais da indústria com atuação no comércio exterior. O MDIC ficará responsável por articular os órgãos públicos que participarão da iniciativa.
Entenda como a Lei da Reciprocidade permite ao Brasil responder às tarifas dos EUA
Na avaliação de assessor técnico da São Paulo Chamber of Commerce e da CACB, a legislação oferece mecanismos para reagir a medidas unilaterais, embora a implementação envolva desafios
O governo brasileiro informou que poderá acionar a Lei da Reciprocidade Econômicaem resposta às novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A decisão foi anunciada após o governo norte-americano aplicar, no último dia 23, uma sobretaxa adicional de 12,5%, que, somada à tarifa de 25% em vigor desde o dia anterior, pode elevar para 37,5% a tributação incidente sobre parte das exportações brasileiras. O Brasil também informou que pretende levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
A Lei da Reciprocidade Econômica prevê instrumentos para que o Brasil responda a medidas comerciais unilaterais adotadas por outros países que afetem a competitividade nacional. Entre as possibilidades estão a aplicação de tarifas adicionais, a suspensão de concessões comerciais e outras contramedidas relacionadas a serviços, investimentos e propriedade intelectual.
Segundo o assessor técnico de Relações Comerciais Internacionais da São Paulo Chamber of Commerce (SP Chamber/ACSP) e da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Maurício Manfré, a legislação oferece ao país mecanismos para responder às medidas adotadas pelos Estados Unidos.
“A Lei da Reciprocidade oferece ao Brasil instrumentos para responder a medidas comerciais unilaterais que prejudicam a competitividade das empresas brasileiras. Entre os possíveis desdobramentos estão a aplicação de tarifas adicionais sobre determinados produtos norte-americanos, como a suspensão de concessões comerciais e outras contramedidas relacionadas a serviços, investimentos e até propriedade intelectual. Mas existe uma dificuldade”, ponderou.
A nova sobretaxa norte-americana foi justificada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) com a alegação de que o Brasil falhou em proibir e fiscalizar a importação de produtos produzidos total ou parcialmente com trabalho forçado em outros países. Diferentemente da tarifa anterior, a alíquota de 12,5% foi aplicada de forma linear, sem lista de exceções.
Para o professor da Faculdade do Comércio da Associação Comercial de São Paulo (FAC), que também atua como despachante aduaneiro e árbitro de comércio internacional, Laércio Munhoz, as novas tarifas atingem principalmente produtos manufaturados e de maior valor agregado.
“Evidente que os Estados Unidos não taxaram aqueles produtos que precisam muito de nós – café, petróleo, aeronaves, celulose, suco de laranja, ferro e aço. Taxaram o outro lado, de calçados, de máquinas industriais, pneu, papel, madeira, tabaco e outros produtos de alumínio. Então, é o primeiro embate que temos, esses 25%. Só que somado a isso tem uma tarifa adicional de 12,5%, chamada de tarifa sobre o trabalho forçado. Saímos dos 25% de aumento para 37,5%”, frisou Munhoz.
Segundo o governo brasileiro, as medidas adotadas pelos Estados Unidos são consideradas “arbitrárias e injustificadas”. A eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica seguirá os procedimentos previstos na legislação, enquanto o Brasil também buscará discutir o tema no âmbito da OMC.
O que prevê a Lei da Reciprocidade?
A Lei da Reciprocidade Econômica autoriza o governo brasileiro a adotar medidas em resposta a barreiras comerciais impostas por outros países quando elas forem consideradas prejudiciais aos interesses nacionais. Entre os instrumentos previstos na legislação estão:
Aplicação de tarifas adicionais sobre produtos importados;
Suspensão de concessões comerciais concedidas ao país que adotou a medida;
Restrições relacionadas à prestação de serviços;
Medidas envolvendo investimentos estrangeiros;
Contramedidas na área de propriedade intelectual, quando cabíveis.
A adoção dessas medidas não é automática. A legislação prevê que a resposta brasileira seja precedida de análise técnica e da avaliação dos impactos econômicos, podendo ser utilizada como instrumento de negociação e defesa dos interesses comerciais do país.
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