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TJ-SP isenta ex-casais de pagar ITBI na partilha igualitária de imóveis no divórcio

O entendimento leva em consideração que não houve transmissão onerosa; entenda

TJ-SP isenta ex-casais de pagar ITBI na partilha igualitária de imóveis no divórcio

Decisões recentes do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) têm livrado ex-casais de pagar o Imposto sobre a transmissão de bens imóveis (ITBI) quando há partilha igualitária de um imóvel no processo de divórcio. Apesar da interpretação do TJ-SP, pode haver outro entendimento por parte dos demais tribunais, cartórios e prefeituras do país, estas últimas, as mais afetadas por não arrecadar esse imposto.

A especialista em direito imobiliário pela FGV/SP e sócia do escritório Lara Martins, Maria Reis, explica que a incidência do ITBI depende de dois fatores principais: o regime de bens adotado pelo casal e a existência do excesso de meação dos imóveis.

“Se um casal optou pelo regime de comunhão parcial ou regime de comunhão total de bens, entende-se que ambos os cônjuges possuem uma participação proporcional sobre o patrimônio adquirido durante o casamento; ou até mesmo antes do casamento, em caso de comunhão total. Nesse caso, se a partilha do imóvel for realizada de forma que cada cônjuge receba exatamente a sua parte correspondente à comunhão de bens, não haverá a incidência do ITBI. Contudo, se houver excesso de meação, ou seja, um dos cônjuges receber mais do que ele deveria ter recebido, o ITBI será cobrado sobre o valor excedente.”

Os casos mais comuns de excesso de meação é quando um dos cônjuges fica com a totalidade do imóvel que era do casal, enquanto o outro recebe uma compensação em dinheiro ou em outros bens em valor inferior ao imóvel. Nesse caso, segundo a especialista, o ITBI vai incidir sobre o valor excedente, pois configura uma transferência de propriedade.

“Um outro caso em que o ITBI também poderá ser cobrado é se um casal optou pela separação total de bens e, mesmo assim, houver a transferência de um imóvel para o cônjuge que não era proprietário do imóvel. Dessa forma, o ITBI será cobrado, pois caracteriza uma transmissão patrimonial entre as partes.”

A discussão que tramita no TJ-SP é em relação a casais que optaram pelo regime de comunhão parcial ou total de bens, mas um dos cônjuges recebe a totalidade ou uma parte maior do imóvel, enquanto o outro recebe dinheiro ou outros bens como compensação no mesmo valor da parte que ficou para esse cônjuge.

“Mesmo que um cônjuge fique com a totalidade de um imóvel, o ponto principal é que nós não podemos considerar que há uma transmissão onerosa de bens entre as partes, fato gerador do ITBI, pois os cônjuges estão apenas dividindo um patrimônio que já era deles, sem que ocorra a redução patrimonial efetiva de nenhuma das partes. Dessa forma, não se pode falar em uma incidência de ITBI.”

Arrecadação municipal

O ITBI é uma das principais fontes de arrecadação dos municípios. Com esse entendimento da não incidência do imposto sobre a transmissão não onerosa de bens, pode haver uma queda nos recolhimentos. 

Na avaliação da especialista em direito imobiliário, o Código Tributário Nacional e a Constituição Federal já deixam bem claro o entendimento da isenção do ITBI em casos de partilhas de imóveis no divórcio igualitário.

“Embora esse entendimento ainda não seja aceito por todos os juízes, principalmente de instâncias inferiores, ele está ganhando força. E se essa posição se consolidar, os municípios deverão buscar outras formas de arrecadação, pois a cobrança do ITBI em partilhas justas serão cada vez mais contestadas pelos cidadãos”, avalia.

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Saúde Mental, Alcoolismo e Dependência Química: Informação e Orientação

Conheça os principais aspectos da saúde mental, os impactos do alcoolismo e da dependência química e a importância do acolhimento e do acompanhamento profissional.

A saúde mental tem recebido cada vez mais atenção nas discussões sobre qualidade de vida, prevenção de doenças e bem-estar social. Questões como ansiedade, depressão, alcoolismo e dependência química fazem parte de uma realidade que afeta pessoas de diferentes idades e contextos familiares. Apesar da maior circulação de informações, ainda existem dúvidas sobre como reconhecer situações que exigem atenção e quais caminhos podem ser considerados para buscar ajuda.

O acesso à informação confiável é uma etapa importante para compreender esses problemas. A orientação adequada permite identificar sinais de alerta, reduzir preconceitos e conhecer as possibilidades de acompanhamento profissional. Mais do que procurar soluções imediatas, é necessário entender que cada situação apresenta características próprias e pode exigir diferentes formas de cuidado.

Por que a saúde mental precisa de atenção?

A saúde mental está relacionada à maneira como cada indivíduo enfrenta desafios, administra emoções, estabelece relacionamentos e participa das atividades cotidianas. Alterações persistentes no comportamento, no sono, na disposição e na capacidade de concentração podem indicar a necessidade de uma avaliação especializada.

Essas mudanças nem sempre aparecem de forma evidente. Em algumas situações, a pessoa continua trabalhando, estudando e mantendo compromissos, mesmo enfrentando dificuldades emocionais significativas. Por esse motivo, a observação cuidadosa e o diálogo respeitoso são importantes.

O acompanhamento pode envolver profissionais de diferentes áreas, conforme as necessidades identificadas. Psicólogos, médicos e outros especialistas podem contribuir para a avaliação e a organização de estratégias de cuidado.

Dependência química: compreender para buscar orientação

A dependência química é uma condição de saúde que pode provocar consequências físicas, emocionais, familiares e sociais. O uso problemático de substâncias pode comprometer a rotina, prejudicar relacionamentos e dificultar o cumprimento de responsabilidades pessoais e profissionais.

Entre os aspectos que podem indicar a necessidade de avaliação estão a dificuldade de controlar o consumo, a continuidade do uso apesar dos prejuízos e o afastamento progressivo de atividades importantes. Esses sinais não devem ser utilizados isoladamente para estabelecer um diagnóstico, mas podem representar motivos para procurar orientação profissional.

O tratamento precisa considerar o histórico de saúde, a substância envolvida, o contexto social e as condições individuais. Não existe uma única abordagem adequada para todos os casos, razão pela qual a avaliação especializada é fundamental.

Alcoolismo e seus impactos na vida cotidiana

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas pode afetar diferentes áreas da vida. Além dos possíveis danos à saúde, o uso problemático pode contribuir para conflitos familiares, dificuldades no trabalho, alterações comportamentais e situações de risco.

Uma das dificuldades relacionadas ao alcoolismo é reconhecer quando o consumo deixou de ser ocasional e passou a produzir prejuízos recorrentes. A tentativa de reduzir a ingestão sem conseguir manter o controle também pode indicar a necessidade de avaliação.

Em pessoas com consumo intenso e prolongado, a interrupção do álcool pode provocar sintomas de abstinência que exigem atenção médica. Por isso, a orientação profissional é importante antes de mudanças bruscas no padrão de consumo.

O papel da família na identificação do problema

Familiares e pessoas próximas frequentemente percebem mudanças de comportamento antes que o próprio indivíduo reconheça a necessidade de ajuda. Alterações na convivência, dificuldades financeiras, isolamento e conflitos frequentes podem gerar preocupação.

Entretanto, abordar o assunto exige cuidado. Acusações, ameaças e exposição podem aumentar os conflitos e dificultar o diálogo. Uma conversa respeitosa, acompanhada de informações confiáveis e orientação profissional, pode contribuir para que a pessoa considere procurar atendimento.

A família também precisa de apoio. Conviver com alguém que enfrenta dependência química ou problemas relacionados ao álcool pode provocar desgaste emocional. Buscar orientação para os próprios familiares ajuda a compreender limites e formas mais adequadas de participação.

Onde encontrar informações sobre tratamento e recuperação?

A pesquisa por serviços especializados costuma ser uma das etapas iniciais para familiares que desejam compreender as possibilidades de atendimento. Nesse processo, é importante consultar fontes que apresentem informações claras sobre modalidades de cuidado, estrutura institucional e acompanhamento profissional.

O portal Clínica Casoto pode ser consultado por pessoas interessadas em conhecer informações relacionadas à recuperação e ao atendimento de indivíduos que enfrentam problemas com álcool e outras substâncias.

Outra fonte de consulta é o site Casas de Recuperação, que reúne conteúdos relacionados ao universo das instituições de acolhimento e às possibilidades de acompanhamento.

Para quem deseja ampliar a pesquisa sobre serviços e modalidades de atendimento, o endereço Rede Clínicas de Recuperação também apresenta informações relacionadas ao segmento de recuperação e reabilitação.

Já o site Clínica Help Life é outra referência institucional que pode ser consultada durante a busca por informações sobre dependência química, alcoolismo e acompanhamento especializado.

A consulta a páginas institucionais deve ser acompanhada de uma verificação cuidadosa. É importante confirmar diretamente os serviços oferecidos, a qualificação dos profissionais, a regularidade da instituição e as condições de atendimento. A presença de informações na internet, por si só, não comprova credenciamento ou disponibilidade de vagas.

Quais são as possibilidades de acompanhamento?

As estratégias de cuidado variam de acordo com a avaliação clínica e as necessidades de cada pessoa. Dependendo do quadro, podem ser considerados atendimentos individuais, acompanhamento psicológico, assistência médica, atividades terapêuticas e participação em grupos de apoio.

Em determinadas situações, o atendimento ambulatorial pode ser suficiente. Em outras, pode existir indicação de acompanhamento intensivo ou internação em estabelecimento adequado. A decisão deve considerar os aspectos clínicos, os riscos envolvidos e os critérios profissionais e legais aplicáveis.

Entre os aspectos importantes na avaliação de um serviço estão:

  • Existência de avaliação individual e planejamento terapêutico.
  • Identificação dos profissionais responsáveis pelo atendimento.
  • Transparência sobre a estrutura e as atividades oferecidas.
  • Informações claras sobre custos, documentos e condições contratuais.
  • Respeito à dignidade, à privacidade e aos direitos da pessoa atendida.
  • Orientações sobre a participação familiar e a continuidade do cuidado.

Internação e direitos da pessoa atendida

A internação é uma modalidade de atendimento que pode ser considerada em situações específicas, conforme avaliação profissional e requisitos legais. No Brasil, a Lei nº 10.216/2001 estabelece diretrizes para a proteção dos direitos das pessoas com transtornos mentais, enquanto a Lei nº 13.840/2019 trouxe disposições relacionadas à política sobre drogas e às modalidades de internação.

A internação voluntária, involuntária e compulsória possui características e requisitos próprios. A modalidade indicada depende das circunstâncias do caso e não deve ser definida exclusivamente por conveniência familiar ou comercial.

Qualquer serviço de atendimento deve respeitar os direitos da pessoa, fornecer informações transparentes e observar as normas aplicáveis. A avaliação individual é indispensável para compreender se a internação é necessária ou se outras formas de acompanhamento podem atender às necessidades identificadas.

A importância da prevenção e da informação responsável

A prevenção envolve educação, diálogo e acesso a informações confiáveis. Conversas sobre saúde mental, consumo de álcool e outras substâncias podem ajudar a reduzir o preconceito e facilitar o reconhecimento de situações que precisam de atenção.

Escolas, famílias, profissionais de saúde e veículos de comunicação podem contribuir para a disseminação de orientações responsáveis. É importante evitar conteúdos que apresentem soluções milagrosas, garantias de recuperação ou diagnósticos sem avaliação profissional.

Informar também significa reconhecer que a dependência química e os problemas relacionados ao álcool não devem ser tratados com discriminação. O acolhimento e a orientação adequada podem facilitar o acesso ao cuidado e contribuir para decisões mais conscientes.

Recuperação exige acompanhamento e continuidade

O processo de recuperação pode envolver diferentes etapas e necessidades ao longo do tempo. A continuidade do acompanhamento, a participação familiar quando apropriada e a construção de uma rede de apoio podem fazer parte da trajetória de cuidado.

Também é importante compreender que cada pessoa apresenta um ritmo próprio. A evolução deve ser acompanhada por profissionais, com reavaliações e ajustes sempre que necessários. O objetivo é favorecer a saúde, a autonomia e a retomada progressiva das atividades cotidianas.

Ampliar o acesso à informação sobre saúde mental, alcoolismo e dependência química é uma iniciativa importante para uma sociedade mais consciente. Reconhecer as dificuldades, combater o preconceito e procurar orientação qualificada são atitudes que ajudam a aproximar pessoas e famílias dos caminhos adequados de cuidado.

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Radar Geopolítico da Indústria: Tarifas dos EUA e concorrência chinesa estão entre os desafios do setor até 2027

Novo levantamento da CNI reúne 17 riscos e oportunidades para orientar decisões sobre comércio exterior, investimentos e competitividade

Radar Geopolítico da Indústria: Tarifas dos EUA e concorrência chinesa estão entre os desafios do setor até 2027

Uma publicação inédita para auxiliar o setor produtivo brasileiro a encontrar oportunidades no mercado global em um cenário repleto de turbulências geopolíticas. É isso o que promete o Radar Geopolítico da Indústria, lançado nesta quarta-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

A publicação inédita funciona como um guia estratégico na tomada de decisão empresarial até 2027, conectando análises da CNI a levantamentos globais de referência, como o Global Risks Report 2026 do Fórum Econômico Mundial, dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), do McKinsey Global Institute e do Centro de Estudos Globais da Universidade de Brasília (CEG/UnB). 

O objetivo é munir líderes empresariais com uma visão macro diante de um cenário dinâmico, auxiliando na priorização de ações, no monitoramento de riscos e na identificação de oportunidades estratégicas, com medidas esperadas tanto das empresas quanto de entidades representativas e governos. A análise já leva em conta o resultado da eleição presidencial brasileira.

De acordo com o presidente da CNI, Ricardo Alban, o mapeamento inédito feito pela indústria reforça a importância de que as variáveis geopolíticas estejam nas mesas de discussão do setor produtivo. “A geopolítica global vive um momento de profundas reconfigurações que passaram a orientar o ritmo do comércio internacional. O Radar Geopolítico da Indústria nasce para entregar aos empresários brasileiros inteligência antecipatória, permitindo transformar incertezas em estratégias concretas de negócios, diversificação de mercados e atração de investimentos para o Brasil”, afirma o executivo.

O painel resume os principais riscos e oportunidades geoeconômicos para a indústria brasileira no horizonte 2026–2027. São 17 itens (veja lista abaixo), organizados por grau de urgência (verde, amarelo e vermelho) e de impacto sobre comércio, investimentos, cadeias produtivas e competitividade. 

Os temas vão desde medidas nacionais, como a projeção da taxa básica de juros, passa por iniciativas comerciais e regulatórias, como as tarifas dos EUA e o Mecanismo de Ajustamento de Carbono na Fronteira (CBAM) da União Europeia para incorporar nos valores pagos pelas importações as emissões de carbono do produto, à concorrência chinesa, além de fatores estruturais ligados à logística, à tecnologia, à segurança econômica e à integração regional. 

Frederico Lamego, assessor especial de Assuntos Internacionais da Presidência da CNI destaca que as análises ainda serão aprofundadas setorialmente, mas que já servem de guia em momentos de incerteza. “Não se trata apenas de entender que existe, por exemplo, uma crise no Irã que está aumentando o preço do petróleo, mas, sobretudo, para que as empresas e os empresários entendam que existe uma correlação entre diversas variáveis e que, se essas variáveis forem previamente entendidas, é possível antecipar riscos e isso vai possibilitar para as empresas navegar num cenário de menos incerteza”, afirma.

Diplomacia Industrial

O lançamento do relatório fez parte do Fórum da Diplomacia Industrial, realizado nesta quarta (4) na sede da entidade, em Brasília. O encontro reuniu cerca de 180 participantes, entre embaixadores de mercados estratégicos, lideranças empresariais, autoridades do governo federal e representantes da academia, para impulsionar negócios, atração de investimentos e cooperação internacional em ciência e tecnologia.

Lamego conta que a seleção da agenda e dos convidados seguiu uma lógica de interesses estratégicos para a indústria brasileira. “Temas como minerais críticos, transição energética, defesa, começam a entrar na pauta e aqueles países que souberem aproveitar essa onda buscando projetos e parcerias de transferência de tecnologia e de cooperação vão ser aqueles que vão se projetar melhor nesse cenário de incerteza”, conclui.
 
A proposta do encontro é consolidar uma plataforma contínua de diálogo entre o setor privado e o corpo diplomático em Brasília, transformando essas relações em oportunidades concretas de negócios e parcerias tecnológicas.

O Radar

Confira os principais riscos e oportunidades para a indústria brasileira no horizonte 2026–2027 mapeados pelo Radar Geopolítico da Indústria:

  • Tarifas dos Estados Unidos: tarifas adicionais de até 37,5% sobre produtos brasileiros ameaçam a competitividade das exportações e exigem estratégias para reduzir os impactos comerciais.
  • Taxação de carbono da União Europeia (CBAM): o mecanismo aumenta os custos de exportação de produtos como ferro-gusa, aço e alumínio, conforme as emissões de carbono incorporadas.
  • Alta dos fretes marítimos: conflitos no Oriente Médio elevam custos de transporte, pressionam preços de insumos importados e reduzem margens das exportações brasileiras.
  • Sobrecapacidade mundial em aço e manufaturados: excesso de produção global, especialmente na China, aumenta o risco de entrada de produtos importados a preços competitivos e pressiona a indústria nacional.
  • Proliferação de medidas de defesa comercial: tarifas, medidas antidumping e salvaguardas fragmentam mercados e podem desviar exportações de grandes economias para o Brasil, ampliando a concorrência interna.
  • Custo de capital elevado: juros altos até 2027 encarecem financiamentos, capital de giro e investimentos, limitando a capacidade produtiva da indústria.
  • Restrições chinesas às terras raras: o controle da China sobre o refino e a fabricação de ímãs permanentes ameaça o fornecimento de insumos estratégicos para motores elétricos, energia eólica e eletrônicos.
  • Tensões no Estreito de Taiwan: eventual conflito ou interrupção logística na região pode comprometer o fornecimento mundial de semicondutores e afetar cadeias industriais brasileiras.
  • Disputa comercial entre Brasil e Argentina: acordos argentinos com os Estados Unidos e o avanço da China no mercado vizinho podem reduzir o espaço brasileiro no comércio regional e tensionar o Mercosul.
  • Insegurança cibernética: ataques a sistemas industriais e infraestruturas críticas elevam riscos operacionais, financeiros e de interrupção das atividades produtivas.
  • Sanções internacionais e crime organizado: mudanças nas classificações e sanções impostas pelos Estados Unidos podem ampliar exigências de compliance e expor empresas brasileiras a riscos jurídicos e financeiros.
  • Regulação e riscos da inteligência artificial: novas exigências regulatórias e a concentração do desenvolvimento tecnológico em poucas empresas podem aumentar custos e dependência de fornecedores estrangeiros.
  • Minerais críticos e hidrogênio verde: a demanda global e a reorganização das cadeias produtivas abrem oportunidades para atrair investimentos, ampliar a produção nacional e fornecer insumos estratégicos.
  • Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE): a precificação do carbono no Brasil poderá reduzir custos associados ao mecanismo europeu CBAM e favorecer exportadores de aço e alumínio.
  • Novos mercados por meio de acordos do Mercosul: tratados comerciais com União Europeia, Singapura e EFTA, além de negociações com outros países, ampliam destinos para produtos brasileiros de maior valor agregado.
  • Integração comercial regional: o baixo comércio entre países da América Latina revela espaço para ampliar negócios, fortalecer cadeias produtivas e explorar um mercado regional de aproximadamente 660 milhões de pessoas.
  • Corredores bioceânicos: novas rotas de infraestrutura entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile podem reduzir custos logísticos, facilitar o acesso aos mercados asiáticos e fortalecer a integração sul-americana.

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ApexBrasil leva mais de 100 empresas para a maior feira de alimentos do mundo em Paris

Pela primeira vez, cooperativas da agricultura familiar compõem comitiva que pode fazer US$ 3,5 bilhões em negócios

ApexBrasil leva mais de 100 empresas para a maior feira de alimentos do mundo em Paris

O Brasil chega à SIAL Paris (Salon International de l’Alimentation, em francês), de 17 a 21 de outubro, com uma delegação de 156 empresas coordenadas em conjunto pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e parceiros. A expectativa é alcançar US$ 3,5 bilhões em negócios imediatos e contratos futuros.

Das 156 companhias, 109 são coordenadas pela ApexBrasil, incluindo dez cooperativas, 22 pela ABIEC e 25 pela ABPA. Estarão lado a lado grandes cadeias exportadoras, médias e pequenas empresas e cooperativas da agricultura familiar, todas em busca de ampliar a presença de produtos brasileiros no mercado europeu. Isso vale tanto para os que já contam com tarifas zeradas ou reduzidas quanto para os que têm potencial de conquistar espaço nas prateleiras.

O grande destaque desta edição é a estreia das dez cooperativas da agricultura familiar, que terão estandes próprios pela primeira vez, com apoio da ApexBrasil. A ação integra o programa Cooperar para Exportar e leva à feira produtos associados à biodiversidade brasileira, à sustentabilidade, ao comércio justo, à bioeconomia e ao desenvolvimento regional. 

“Estamos levando para um dos principais palcos mundiais de alimentos produtos que expressam a diversidade e a biodiversidade brasileiras dentro das tendências globais de consumo. É uma oportunidade para mostrar que a agricultura familiar brasileira pode e deve ocupar espaços cada vez maiores no comércio global, com produtos de qualidade, origem, sustentabilidade e valor agregado, além de aproximar essas cooperativas de compradores internacionais e gerar negócios”, afirma o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller.

Mercosul-União Europeia

O evento é a primeira edição após a entrada em vigor provisória, em 1º de maio de 2026, do Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a corrente de comércio entre Brasil e UE alcançou US$ 49,7 bilhões entre maio e setembro de 2026. As exportações brasileiras somaram US$ 27,2 bilhões, alta de 30,6% sobre o mesmo período de 2025. As importações chegaram a US$ 22,5 bilhões, crescimento de 3,1%, o que resultou em superávit de US$ 4,7 bilhões.

A França, sede da feira, é a segunda maior economia da UE, com PIB de US$ 3,4 trilhões, população de 66,7 milhões de habitantes e US$ 762 bilhões em importações de bens em 2024. O Perfil de Comércio e Investimentos (PCI) França 2026, da área de Inteligência da ApexBrasil, identificou 407 oportunidades comerciais para produtos brasileiros. Em 2025, o comércio bilateral somou US$ 10,3 bilhões, dos quais US$ 3,1 bilhões foram exportações brasileiras.

SIAL

A SIAL Paris (Salon International de l’Alimentation) é considerada a maior feira profissional do setor agroalimentar do mundo. São esperados cerca de 295 mil profissionais de aproximadamente 194 países, entre importadores, distribuidores, varejistas, redes de supermercados, indústrias, profissionais de foodservice, restaurantes, hotéis e tomadores de decisão, em busca de novos produtos, fornecedores e tendências.

O Brasil estreou na feira em 2008, com 80 empresas, e chegou a 110 em 2010. Nas edições seguintes, foram 82 em 2012, 84 em 2014, 102 em 2016 e 128 em 2018. Em 2020, a participação caiu para 70 empresas por causa da pandemia, e depois subiu para 130 em 2022 e 139 em 2024. Com 156 empresas, 2026 tem o maior número da história. O valor de negócios gerados passou de US$ 603 milhões em 2008 para US$ 3,2 bilhões em 2024.

Cronograma

A feira funciona das 10h às 18h30. No dia 17, a abertura oficial da SIAL Paris ocorre às 10h, e a do Pavilhão Brasil, às 11h, no Hall 4, com o presidente da ApexBrasil, representantes do corpo diplomático, entidades setoriais, cooperativas, empresas e parceiros. O público poderá conhecer e provar produtos de cooperativas que refletem diferentes biomas, territórios e cadeias produtivas. Às 12h, Müller concede entrevista e, às 13h, visita os pavilhões nos Halls 4, 5, 6 e 8.

De 18 a 21 de outubro, as manhãs reservam entrevistas com integrantes das cooperativas que participam pela primeira vez, com a delegação focada em inovação e com a vencedora do SIAL Innovation Awards 2026, além de visita ao Brazil Trade Lounge (BTL), voltado a comerciais exportadoras. A vencedora é a AMZ Tropical, fabricante de bebidas fundada na Amazônia e única brasileira entre as 28 premiadas, na categoria Bebidas. Ao meio-dia há degustações no Pavilhão Brasil, e as tardes são dedicadas a visitas aos pavilhões e a agendamentos prévios com participantes.

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