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Ministério da Cultura lança edital para apoiar a tradução e a publicação de autores brasileiros no exterior

Com recurso total de R$ 1 milhão (USD 6 mil para cada públicação), o edital tem inscrições abertas nesta quarta (27) até 27 de outubro

O Ministério da Cultura e a Fundação Biblioteca Nacional lançaram o edital do Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior. A iniciativa contempla projetos internacionais de tradução e publicação de obras de autores Brasileiros, anteriormente publicadas em português, no Brasil.

O programa apoia propostas de tradução e publicação tanto no âmbito das humanidades quanto no das ciências, nos gêneros infantil e juvenil; – histórias de tradição oral; romance, conto, crônicas, poesia, teatro, histórias em quadrinhos. E ainda antologias de poemas e contos, integrais ou em parte e ensaios (literário, social e científico).

As inscrições ficam abertas de 27 de setembro até 27 de outubro. As editoras interessadas devem enviar os documentos listados no edital para a Biblioteca Nacional , pelo endereço eletrônico translation@bn.gov.br

O Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior tem um investimento de R$ 1 milhão, sendo 6 mil dólares para cada projeto aprovado, e é uma parceria da Biblioteca Nacional com a secretaria de formação cultural, livro e leitura do Ministério da Cultura e do Ministério das Relações Exteriores, por meio do Instituto Guimarães Rosa.

O objetivo do edital é divulgar o patrimônio literário nacional por meio da Politica de Internacionalização do Livro com a concessão de apoio financeiro.

A ministra Margareth Menezes disse se sentir privilegiada por acompanhar o esforço e o trabalho dos ministérios para que as que as vozes e as narrativas dos autores nacionais brilhem em escala global.

“Me sinto privilegiada de acompanhar o esforço e o trabalho árduo dos ministérios para que as vozes e as narrativas dos nossos autores brilhem em escala global. O mundo tem procurado o Brasil. são inúmeros pedidos de agendas bilaterais, o novo posicionamento com a liderança do presidente lula, que assumirá a presidência do G20 no final do ano, está presidente do Mercosul, e tem feito para nós uma reconstrução da presença do Brasil no exterior de uma maneira esplendorosa. A cultura do Brasil retoma, finalmente, seu lugar de potência e prestígio internacional.”

Margareth Menezes reforçou o fato de que programas como o da Biblioteca Nacional marcam e reforçam a presença de obras Brasileiras fora do país.

“Graças a programas como esses, nossos autores e autoras marcam e reforçam a presença de obras literárias Brasileiras nos mercados editoriais estrangeiros, permitindo que o mundo possa conhecer o que há de mais rico produzido no nosso país, mas ainda há muito mais a ser revelado.”

A diretora-geral do Instituto Rio Branco, a embaixadora Glivânia Maria de Oliveira, falou sobre o momento de renovação do país, afirmando que a ministra Margareth Menezes tem uma carreira artística profícua.

“E tem desenvolvido uma brilhante gestão à frente do Ministério da Cultura. neste momento, como eu disse, especialmente importante para o país, de reconstrução, de revalorização do nosso patrimônio cultural.”

Para o diretor do Instituto Guimarães Rosa, o ministro Marco Antonio Nakata, a tarefa da tradução coincide com a missão da política externa.

“A tarefa da tradução, entendida como a construção da estrada que pavimenta o entendimento mútuo, coincide assim, com a missão da política externa, da diplomacia e da promoção do intercâmbio cultural.”

O edital do Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior vem sendo publicado há trinta e dois anos. No período, mais de mil e duzentas obras Brasileiras foram publicadas em quarenta e cinco idiomas.

Espanhol, francês, inglês e alemão são as línguas que mais receberam traduções. Outras como italiano, russo, espanhol, catalão, chinês, polonês, húngaro, ucraniano, eslovaco, estoniano, turco, búlgaro, grego, macedônio, sueco, dinamarquês e croata, também foram contempladas.

Já entre os autores mais traduzidos, estão Clarice Lispector (com 65 traduções), Machado de Assis (com 48) e Rubem Fonseca (com 25).

As obras mais traduzidas foram “Dom Casmurro” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, ambas assinadas por machado de assis e “a hora da estrela”, de clarisse lispector, com dez traduções cada.

Para o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi, apesar de mais de três décadas de atividade, o programa chega em dois mil e vinte e três com novos ares.

“Chega sob o ministério da ministra Margareth. Então há duas questões novas, ministério, ministra Margareth e, obviamente, sobre o grande guarda-chuva da esperança e do sonho que é o presidente Lula que traz pra agenda toda uma série de responsabilidades de inclusão, de diversidade, não como adereços, mas como parte integrante do nosso país, pra que a gente possa realmente abraçar o futuro com muito amor. esse programa, naturalmente, ele contempla a literatura Brasileira, cujo movimento depende muito também das nossas embaixadas lá fora para que elas nos auxiliem a pensar também a bibliodiversidade. Pensar que o Brasil é um Brasil de muitas línguas 274 línguas, de muitas etnias, que não brigam entre si para ver quem tem mais hegemonia, mas que brigamos todos, sim, pela paz. mas a paz que signifique justiça social, igualdade de direito pra todos, que ninguém saia com uma cidadania diminuída. Então acho que esse programa ele pode ser um grande radar para aprofundar aquilo que é o nosso dever, amar o país, difundir a literatura Brasileira e fazer que tudo isso seja uma perspectiva de inclusão e de liberdade.”

O presidente do Sindicato dos Escritores do Distrito Federal (Sindescritores-df), Marcos Linhares, considera o lançamento do edital uma notícia alvissareira e aposta na diversidade das traduções para a introdução de novas vozes da literatura Brasileira no mercado internacional.

“Eu acho uma notícia alvissareira com valor muito bom e que mostra o retorno efetivo das atividades do ministério com a Diretoria do Livro e da Leitura, conseguindo com a Biblioteca Nacional esse incentivo a que mais e mais obras possam ser traduzidas e chegar no exterior. e principalmente preocupado também em ter mais diversidade nas traduções, né? Não termos só os medalhões, não é? Possibilitar que outras linguagens e pessoas possam ter acesso a essas traduções. eu vejo com muito bons olhos com muita positividade.”

O presidente do Sindicato dos Escritores do DF, Marcos Linhares, também disse acreditar que todo o mercado literário se movimentará e que autores e editoras independentes também podem ser contemplados.

“Movimenta porque as editoras têm que se interessar, mas nada impede dos autores procurarem as editoras estrangeiras e fazerem o movimento inverso porque depende de cada um despertar esse interesse nas editoras e claro que esse valor vai movimentar todo o mercado. tudo que a gente puder fazer pela literatura nacional, principalmente pensar numa diversidade que alcance o universo, afinal de contas o quintal da nossa casa é o mundo e é isso que faz com que a o Brasil seja tão interessante.”

Marco Lucchesi, da Biblioteca Nacional, acredita que a produção independente pode ocupar mais espaço no mercado estrangeiro, a partir do incentivo do governo federal.

“Na verdade a Biblioteca Nacional ela recebe as propostas. então, se um determinado editor independente, não é? um autor independente que tenha produzido, que por ventura, seja requisitado lá fora por uma determinada editora, não há problema desde que se cumpra o regulamento porque todos aí terão que ser iguais a todos do ponto de vista jurídico. mas isso depende muito lá fora. a Biblioteca Nacional ela recebe. agora, nós, é claro podemos sempre conversar com as embaixadas; amanhã mesmo estou falando com a Argentina, que é uma parceira muito importante do ponto de vista estatístico e hoje, acho que nós falamos aos embaixadores dessa necessidade. e com a presença da ministra e do secretário Fabiano Piuba nós também mostramos a temperatura e a atmosfera desse diálogo.”

Prova de que a diversidade faz parte do programa de tradução da Biblioteca Nacional , são as marcas do escritor Itamar Vieira Junior no programa. Sua obra “Torto Arado” já foi contemplada em nove idiomas, nos últimos quatro anos.

“Eu sou Itamar Vieira Junior, autor de Torto Arado, Salvar o Fogo, autor Brasileiro e que durante esses anos tem usufruído de uma política pública muito importante, muito interessante para a difusão da literatura Brasileira no exterior. Em quatro anos de publicação, Torto Arado já se encontra traduzido ou em processo de tradução de 24 idiomas e ainda continuam a surgir pessoas interessadas. e bom, tudo isso me fez perceber que não só por isso, mas por tudo o que aconteceu antes e que continua a acontecer com autores Brasileiros, que a literatura Brasileira é muito procurada, muito querida pelo mundo.”

Ganhador dos prêmios Jabuti e Oceanos de literatura, Itamar Vieira Junior, diz que projetos como o do Ministério da Cultura, ajudam a difundir a nossa arte, criatividade e cultura.

“Projetos como este ajudam a difundir a nossa arte, a nossa criatividade, a nossa cultura. então, vamos saudar a todos, ao Ministério da Cultura, à Biblioteca Nacional, a todos os órgãos que juntos conseguem planejar, imaginar, promover a literatura Brasileira no exterior. Eu quero deixar aqui meu agradecimento, porque esse projeto é muito importante. Dessas editoras que eu falei, desses idiomas que Torto Arado vem sendo publicado, muitas editoras conseguiram auxílio para tradução via Biblioteca Nacional.”

O secretário de Formação, Livro e Leitura do Ministério da Cultura, Fabiano Piuba, explica como o programa de tradução é importante para outra ação fomentada pelo Ministério da Cultura, que é a participação de autores do país em feiras literárias internacionais.

“A Secretaria de Formação Cultural, Livro e Leitura, dentro de suas atribuições e competências, tem o fomento à literatura, fomento à criação, a produção, circulação, difusão e aí há um enlace com a Fundação Biblioteca Nacional em torno da difusão da literatura Brasileira no exterior. seja através da programação nas feiras de livros. a gente está com uma linha específica tanto pra o circuito nacional de feira de livros como também pra participação em algumas feiras que a gente considera estratégica. Na própria região da América Latina como Guadalajara, Bogotá, que o Brasil é o país convidado do próximo ano, país homenageado. também Buenos Aires, né? Estamos numa ação com o Mercosul cultural pra que as feiras de Porto Alegre, no Brasil, Montevidéu, Buenos Aires e Santiago possam ter uma integração melhor, mas também feiras importantes com caráter mais mercadológico, como a Feira de Frankfurt, por exemplo, né? E de Bolonha na Itália que é específica pra literatura infantil. E não podemos pensar uma ação de difusão, participação em feira, sem o programa de tradução de obras da literatura brasileira. então, é uma ação conjunta, integrada e que a gente crê que agora vamos caminhar junto no fortalecimento desse programa tão importante da Fundação Biblioteca Nacional para difusão da literatura brasileira no exterior, partindo obviamente também da bibliodiversidade que traduz essa diversidade cultural, étnica, regional brasileiras.”

As editoras estrangeiras interessadas em participar devem encaminhar um projeto de tradução e os documentos solicitados no edital. Feita a habilitação dos projetos, assinam um termo de compromisso com a Biblioteca Nacional e o apoio financeiro é efetivado em duas parcelas, uma após a assinatura do contrato e outra após a publicação da obra traduzida, no prazo de até vinte e quatro meses.

Para mais informações sobre o edital do Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior, acesse www.gov.brbn.

Fonte: Brasil61

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ApexBrasil leva startups brasileiras a eventos de inovação em Portugal e Emirados Árabes

Web Summit Lisboa e GITEX Expand North Star, em Dubai, vão conectar empresas brasileiras a investidores, clientes e parceiros estrangeiros

ApexBrasil leva startups brasileiras a eventos de inovação em Portugal e Emirados Árabes

O segundo semestre de 2026 reserva duas oportunidades para startups brasileiras apresentarem suas soluções ao mercado internacional, acompanharem tendências e se conectarem a alguns dos principais ecossistemas globais de tecnologia e empreendedorismo

Em novembro, a agenda será no Web Summit Lisboa 2026, em Portugal. No mês seguinte, empreendedores brasileiros participarão da GITEX Expand North Star 2026, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. 

As iniciativas fazem parte da estratégia da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) para aproximar o ecossistema brasileiro de inovação de mercados internacionais

A proposta é apoiar empresas e ambientes de inovação na apresentação de tecnologias e soluções desenvolvidas no país e, ao mesmo tempo, facilitar o contato com tendências, modelos de negócios, investidores e potenciais parceiros capazes de contribuir para o crescimento e a internacionalização dos negócios. 

A diretora de Negócios da ApexBrasil, Maria Paula Velloso, destaca que a participação em eventos internacionais pode abrir portas para além da captação de investimentos

“Você sabe o que todo investidor procura quando vem um evento como esse? Ele procura a solução para um problema dele. Então, é muito importante que as startups tenham uma ideia, mas execução é tudo. Você sabe o que uma startup precisa? Muitas vezes, não é de capital. Ela precisa ter acesso a distribuidores, investidores, parceiros e o principal, clientes que acreditem na sua ideia e que se interessem”, enfatiza.

Web Summit Lisboa

O Web Summit Lisboa 2026 será realizado entre 9 e 12 de novembro, na capital portuguesa. A conferência internacional reunirá startups, investidores, empresas e especialistas para discutir tecnologia, inovação e empreendedorismo.

Nesta edição, a ApexBrasil busca ampliar a presença internacional não apenas de startups individualmente, mas também dos ecossistemas dos quais elas fazem parte. Para isso, cada ambiente de inovação selecionado deverá indicar cinco startups de seu ecossistema para participar da missão

Juntos, ambiente e empresas terão um dia de exposição no Pavilhão Brasileiro, formando uma vitrine para apresentar ao público internacional diferentes polos de desenvolvimento tecnológico existentes no país

A participação em Lisboa dá continuidade à atuação da ApexBrasil no Web Summit Rio 2026, realizado em junho deste ano. Na ocasião, a agência apoiou quase 100 startups brasileiras em uma programação que incluiu apresentações para investidores, pitches, rodadas de negócios e conexões com o mercado internacional

Missão para Dubai 

Entre 5 e 15 de dezembro, a ApexBrasil promoverá a Missão de Startups à GITEX Expand North Star 2026, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos

A iniciativa selecionará 30 startups brasileiras para uma programação que vai além da participação no evento. As empresas passarão por uma etapa de preparação para a missão e contarão com espaço no Pavilhão do Brasil, serviço de matchmaking com potenciais clientes, investidores e parceiros estratégicos, além da possibilidade de participar da competição internacional de pitches Supernova Challenge

A agenda também inclui visitas técnicas ao ecossistema de inovação dos Emirados Árabes Unidos nos dias 14 e 15 de dezembro. A proposta é permitir que os participantes conheçam de perto o ambiente local, realizem benchmarking e identifiquem oportunidades para validação de mercado, desenvolvimento de projetos-piloto e expansão internacional

A presença em Dubai também reforça a conexão construída pela ApexBrasil com o ecossistema de inovação da região. Na GITEX Expand North Star 2025, a agência organizou a participação brasileira no evento, reunindo startups e hubs de inovação para apresentar soluções e estabelecer contatos com atores internacionais. 

Ecossistema brasileiro em expansão

O ecossistema de tecnologia e empreendedorismo brasileiro é formado por mais de 13 mil startups, mais de 120 fundos de venture capital, mais de 200 empresas, mais de 250 hubs de inovação e mais de 30 unicórnios, segundo levantamento da ApexBrasil. 

Em 2024, o país recebeu US$ 2,135 bilhões em investimentos de venture capital, distribuídos em 386 operações

Nesse cenário, a ApexBrasil busca aproximar empresas brasileiras de oportunidades de internacionalização e, ao mesmo tempo, conectar investidores estrangeiros ao potencial de negócios e inovação do país

Entre os serviços oferecidos pela agência estão o fornecimento de informações de mercado, ações de networking, conexão com potenciais parceiros e investidores e iniciativas de soft landing, voltadas a apoiar empresas em seu processo de entrada e adaptação a novos mercados

A presença internacional da ApexBrasil também contribui para ampliar essas conexões. A agência mantém escritórios no Brasil e no exterior, incluindo unidades em mercados estratégicos como Lisboa e Dubai, além de cidades como Bruxelas, Miami, São Francisco, Pequim e Xangai

Saiba mais em apexbrasil.com.br.

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Indústria química brasileira mira diversificação de exportações diante de novas tarifas dos EUA

Abiquim aponta que setor já possui base diversificada de mercados internacionais que pode ser ampliada, ao avaliar Plano de Diversificação de Exportações “Caminhos + Negócios”, lançado pela ApexBrasil

Indústria química brasileira mira diversificação de exportações diante de novas tarifas dos EUA

A indústria química brasileira já conta com uma base diversificada de mercados internacionais que pode ser ampliada diante do novo cenário do comércio exterior. A avaliação é da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), que analisou o Plano de Diversificação de Exportações “Caminhos + Negócios”, lançado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). A iniciativa ocorre em meio ao aumento das tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros. 

Em 2025, a indústria química nacional exportou US$ 15,5 bilhões, sendo US$ 2,13 bilhões destinados aos Estados Unidos (EUA) – o que representa 14% do total.

Apesar da relevância do mercado norte-americano, as exportações brasileiras para o país estão concentradas em alguns grupos de produtos. Cinco categorias respondem por mais de 74% das vendas químicas brasileiras aos EUA.

O principal grupo é o de outros químicos inorgânicos, que representou 43,7% das exportações para o mercado norte-americano, com US$ 931 milhões. Na sequência aparecem outros químicos orgânicos, com 12,5% e US$ 267 milhões; outros químicos diversos, com 9% e US$ 192 milhões; aditivos de uso industrial, com 5,7% e US$ 122 milhões; e materiais médico-hospitalares, com 3,6% e US$ 76 milhões.

Para o presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, o cenário reforça a necessidade de transformar a diversificação de mercados em uma estratégia permanente para o setor no Brasil.

“O Brasil não precisa partir do zero para diversificar suas exportações químicas. Já temos produtos, empresas e relacionamentos comerciais consolidados em diferentes mercados. O desafio agora é identificar onde existe espaço para ampliar essas vendas e criar condições para que a indústria brasileira consiga chegar a novos compradores com competitividade”, afirmou a Abiquim em nota.

Segundo a Abiquim, fora dos Estados Unidos, a indústria química brasileira mantém presença em países como China, Colômbia, Chile, México e Uruguai. Na Europa, Espanha, Itália e França também estão entre os mercados com participação das exportações do setor.

“Juntos, esses mercados representam uma base sobre a qual podem ser construídas novas oportunidades de negócios”, destacou a Abiquim.

Para a associação, essa presença pode ser utilizada para impulsionar o processo de diversificação. A estratégia envolve aprofundar relações comerciais existentes e aumentar a participação de produtos que hoje estão mais concentrados no mercado norte-americano, principalmente químicos orgânicos, aditivos industriais e materiais médico-hospitalares.

A entidade destaca que diversificar as exportações não significa necessariamente substituir o mercado dos Estados Unidos por outros destinos. A proposta é reduzir vulnerabilidades e, ao mesmo tempo, ampliar a participação brasileira onde já existe demanda e relacionamento comercial.

Plano de diversificação

Entre as iniciativas previstas no Plano elaborado pela ApexBrasil, a Abiquim avalia positivamente as rodadas de negócios, a consultoria especializada, a Bolsa Exportação e o Painel de Diversificação.

A entidade também defende a continuidade da articulação institucional em Washington para buscar a ampliação das isenções tarifárias para produtos brasileiros.

Na avaliação da associação, a combinação entre a defesa dos interesses da indústria brasileira no mercado norte-americano e a abertura de novas oportunidades comerciais pode ajudar o setor a preservar mercados e ampliar a inserção internacional da indústria química.

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CNI: tarifas dos EUA derrubam exportações de 20 estados brasileiros

Entidade aponta queda de 8,7% nas vendas de produtos industriais aos Estados Unidos e alerta para perdas industriais decorrentes da nova tarifa adicional

CNI: tarifas dos EUA derrubam exportações de 20 estados brasileiros

No primeiro semestre de 2026, 20 dos 27 estados brasileiros registraram queda nas exportações para os Estados Unidos, reflexo das tarifas adicionais impostas pelo governo norte-americano desde o ano passado. A retração foi impulsionada pela redução de 8,7% nas vendas de produtos industriais, sobretudo de semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e semimanufaturados de outras ligas de aço. Os dados são da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

Na última quarta-feira (15), o governo dos Estados Unidos anunciou uma nova tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, que passa a valer a partir do próximo dia 22 de julho, decorre de uma investigação iniciada em julho de 2025 com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana

Em junho deste ano, o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu que práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao etanol e combate ao desmatamento seriam restritivas ao comércio estadunidense. 

Com base nessa avaliação, o governo norte-americano decidiu aplicar a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, preservando uma lista de 2.126 códigos tarifários. Entre os itens isentos da medida estão café, suco de laranja e carne

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos já são percebidos pela indústria brasileira e tendem a se intensificar com a nova sobretaxa.

“Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram”, afirma.

Estados mais afetados pela tarifa adicional

Apesar da queda nas exportações, os Estados Unidos seguem como o principal destino dos produtos da indústria de transformação brasileira no primeiro semestre de 2026. Por isso, a CNI avalia com preocupação o anúncio da nova tarifa de 25%, que tende a ampliar os impactos sobre a competitividade da indústria nacional e sobre os estados mais dependentes do mercado norte-americano. 

Confira as unidades federativas mais afetadas pela tarifa adicional de 25% e a parcela das exportações do setor sujeito à nova tarifa:

Estado Valor exportado aos EUA de Jan a Jun de 2026 (US$) Variação 26-25 % dos EUA nas exportações do estado
São Paulo 6,0 bi -4,3% 17,1%
Rio de Janeiro 2,9 bi 15,4% 10,3%
Minas Gerais 1,9 bi -18,9% 8,6%
Espírito Santo 1,4 bi -19,2% 27,5%
Rio Grande do Sul 744,3 mi -22,6% 7,6%
Santa Catarina 582,9 mi -32,9% 9,5%
Paraná 499,6 mi -32,9% 4,2%
Goiás 462,5 mi 42,1% 6,6%
Pará 416,7 mi -31,4% 3,2%
Bahia 373,2 mi -14,0% 6,3%
Mato Grosso do Sul 371,0 mi 13,7% 6,3%
Ceará 349,8 mi -36,9% 33,4%
Maranhão 332,9 mi -0,6% 14,8%
Mato Grosso 209,6 mi 25,8% 1,1%
Rondônia 127,9 mi 49,1% 6,2%
Sergipe 94,3 mi -35,9% 52,3%
Pernambuco 35,9 mi -33,4% 3,6%
Amazonas 35,8 mi -2,6% 6,1%
Rio Grande do Norte 27,0 mi -72,0% 4,2%
Tocantins 19,0 mi -52,1% 1,0%
Alagoas 15,5 mi -64,9% 4,4%
Piauí 11,6 mi -17,7% 2,4%
Paraíba 10,3 mi 5,9% 15,8%
Distrito Federal 5,5 mi 34,2% 3,0%
Amapá 2,8 mi -41,2% 4,0%
Acre 1,5 mi -62,8% 2,4%
Roraima 0,2 mi -33,7% 0,2%

Intensificação do diálogo

A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, afirma que a ampliação da lista de produtos isentos da tarifa adicional reflete o trabalho conjunto realizado pelos setores privados brasileiro e norte-americano ao longo da investigação conduzida pelos Estados Unidos. 

“Por um lado, a ampliação das isenções trouxe alívio para os setores contemplados. Mas do ponto de vista geral da indústria, ainda está longe do cenário ideal, porque uma série de setores continuarão sendo taxados com uma alíquota adicional bem maior do que eles enfrentam hoje em dia”, diz.

Segundo Negri, mais de 50% das exportações brasileiras dos setores de madeira, minerais não metálicos e produtos químicos, por exemplo, passaram a enfrentar tarifas adicionais de, no mínimo, 25%

A especialista alerta que os impactos vão além do comércio exterior. “Se levarmos em consideração que as exportações brasileiras para os Estados Unidos são aquelas que mais geram emprego no Brasil, estamos diante de um cenário no qual a competitividade da indústria brasileira será colocada em risco e sob uma pressão adicional”, avalia.

Para a gerente da CNI, a prioridade deve ser intensificar o diálogo entre os dois países para buscar uma solução negociada. “É necessário intensificar o diálogo para se atingir um consenso com os Estados Unidos, para que possa ser revertido esse cenário atual, onde são gerados prejuízos para o lado brasileiro e os Estados Unidos”, orienta.

Negri acrescenta que a indústria brasileira segue atuando em parceria com o governo federal, fornecendo análises técnicas sobre os impactos das tarifas e discutindo alternativas para reduzir os efeitos da medida sobre a competitividade das exportações brasileiras

Governo brasileiro repudia tarifa

O governo brasileiro repudiou a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, o governo afirma que não reconhece a legitimidade da investigação que embasou a medida e argumenta que o processo não encontra respaldo nas regras do sistema multilateral de comércio. O texto também sustenta que não há justificativa para a adoção de medidas unilaterais contra o Brasil

“O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”, afirma a nota.

O comunicado informa ainda que o Brasil recorrerá aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica e voltará a acionar o mecanismo de solução de conflitos da Organização Mundial do Comércio (OMC)

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